jorge de sena o demonio portugues

Jorge de Sena: as andanças do demônio português

Exilado da sua amada pátria, Portugal, Jorge de Sena teve de dividir sua existência entre dois continentes: o americano e o europeu. Nascido na cidade de Lisboa no ano de 1919, Jorge Cândido de Sena, Filho desfrutou dos benefícios da alta vida burguesa, ainda que a custo de uma suposta infância infeliz. Assim como fizera seu pai, Jorge nutria o desejo tornar-se oficial da marinha – desejo que depois se revelaria mais pelas viagens, andanças e paixão pelo infinito mar, do que pela carreira militar.

Ao final de sua viagem de instrução, a que embarcara em 1937 – viagem que o levou aos portos de São Vicente (Cabo Verde), Santos (Brasil), Lobito e Luanda (Angola), São Tomé (São Tomé e Príncipe) e Dakar (Senegal) –, foi-lhe comunicado que apesar de seu excelente desempenho nas demandas teóricas do curso, seria excluído da Marinha Portuguesa por falta de algumas das qualidades exigidas para um oficial daquele órgão militar. No entanto, sete anos mais tarde, seria designado como oficial miliciano (ou oficial de forças armadas que não faz parte do quadro permanente), para acompanhar um destacamento militar transferido para os Açores, fato que despertaria ainda mais sua paixão pelo mar e pelas andanças pelo mundo – revelando-se principalmente através das cartas que escrevia a sua então noiva, Mécia.

No entanto, após aquela missão, Jorge de Sena nunca mais tornou à marinha. Para ele, aquilo seria desgostoso ao pai, ex-oficial do mesmo órgão, então resolveu ingressar no curso de Engenharia Civil numa tentativa de amenizar o desprestígio de ser excluído do batalhão naval. Terminado o curso em 1944, não lhe motivou grande interesse e nesse período escrevera ensaios, cartas, artigos e poemas em abundância. Em 1940, quando iniciava o curso de engenharia, sob o pseudônimo de Teles de Abreu, publicou seus primeiros poemas nos Cadernos de Poesia. Em 1942 publicou Perseguição, seu primeiro livro de poesias – a obra não foi muito bem recebida por conta de uma dita “obscuridade e dificuldade de leitura” das poesias.

Jorge de Sena entre duas ditaduras

Em 1947 acabou por iniciar a carreira de engenheiro. Em 1949 casou-se com Mécia e, ainda exercendo a profissão de engenheiro, iria ocupar todo o seu pouco tempo remanescente com as atividades de tradutor e revisor até 1959. No dia 12 de Março de 1959, Jorge de Sena teve participação num golpe revolucionário abortado. Houve várias prisões, deixando uma sensação de “quem será o próximo” no ar. Aí começou sua jornada de exílio de Portugal.

Em agosto daquele mesmo ano, aproveitando o convite para participar do IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, pela Universidade da Bahia e, logo em seguida, sendo convidado a permanecer como catedrático de Teoria da Literatura, em Assis, São Paulo, resolveu ficar e dar início ao exílio no Brasil. Dois anos depois transferiu-se para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara como docente de Literatura Portuguesa. Defendeu sua tese de doutoramento em Letras e livre docência em Literatura Portuguesa em 1964. Em 1965 fora convidado – e aceitara – a dirigir cursos avançados e teses de doutoramento em literaturas de língua portuguesa na Universidade de Winsconsin, Estados Unidos. Lá, em 1970, foi transferido para a Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, como docente de Literatura Comparada. Na Califórnia viria a falecer, em 1978.

Jorge de Sena no Brasil

No período de cerca de seis anos em que esteve no Brasil, escreveu grande parte do romance Sinais de Fogo e a totalidade dos contos que compõem as Novas Andanças do Demónio, além de obras nos campos da poesia, teatro, ficção e ensaios de crítica literária.

Suas obras, principalmente as escritas no Brasil, são particularmente interessantes pelo tom amargo dos primeiros anos do exílio e desse exílio dar-se justamente nos anos em que se iniciavam o golpe e a instauração da truculenta ditadura militar brasileira.

Consciente da literatura que produzia e do seu vanguardismo estético, Jorge de Sena escreveu a novela O Físico Prodigioso – que fez parte, antes de sua publicação solo, da reunião de contos Novas Andanças do Demónio. Ambientada na era medieval, a obra é permeada por uma libertinagem sexual e de valores que é – ou pode ser – justamente a concretização do amor humano. O enredo revela-se uma grande ironia, articulada em torno do manual (religioso) de moral português o Orto do Esposo (na verdade um resgate alegórico dessa obra do final do século XVI). Ainda há grande especulação tanto sobre a trajetória da personagem do Físico (bastante semelhante à via crucis), quanto aos elementos que compõem o enredo e que se poderiam ser uma mistura com a própria vida do autor (ele chega a dizer no prefácio de uma das edições da novela que “pouco do que eu alguma vez escrevi é tão autobiográfico como esta mais fantástica das minhas criações totalmente imaginadas”).

Existem também registros não ficcionais de seu período de exílio no Brasil e nos Estados Unidos, como a obra Correspondência – Registros de uma convivência intelectual, lançado pela editora Unicamp em 1997. Nela estão reunidas as correspondências trocadas entre Jorge de Sena e seu amigo e também professor que conhecera durante a sua docência em Araraquara, Dante Moreira Leite.

Nas correspondências contidas no livro, registram-se não apenas uma conversa entre dois amigos, mas também uma visão dos cidadãos contemporâneos à época da ditadura – algumas vezes uma visão acadêmica – que assolava o país. Tem um “saborzinho histórico” e sem a contaminação daquele velho jogo de interesses e favores que dominou (domina?) a imprensa e o mercado editorial no Brasil. Verdadeiramente interessante.

Estudos sobre Jorge de Sena na atualidade

Em 1995 o romance Sinais de Fogo – que, como dito anteriormente, foi escrita em grande em terras brasileiras – teve sua adaptação para os cinemas, dirigida por Luís Filipe Rocha. Em 2011 foi lançado o volume póstumo América, América que reúne textos sobre a vida política e cultural estadunidense entre os anos em que o autor viveu naquele país, de 1968 e 1978.

Enfim, este artigo ainda é ínfimo no que diz respeito a descrever a carreira desse proeminente – e, infelizmente, ainda não tão conhecido no país – escritor abrasileiradamente português. É minha dica de leitura para quem gosta de se aventurar no mundo fantástico, biográfico e de resistência.

Infelizmente grande parte dos livros lançados por Jorge de Sena estão atualmente descontinuados, ou tiveram suas edições pausadas. Uma compilação com sua obra completa, biografia e vasto material relacionado ao autor pode ser encontrada no excelente site da Universidade Federal do Rio de Janeiro: ler Jorge de Sena.

Referências:

Jorge de Sena: Perfil do Homem e da Obra. Lisboa, Eugênio. Editorial Presença – Londres, 1983.

O Físico Prodigioso. De Sena, Jorge. Edições 70, 4ª edição – Lisboa, 1977.

poemas de allen ginsberg

Allen Ginsberg e seu último uivo

“O peso do mundo/ é o amor./ Sob o fardo/ da solidão,/ sob o fardo/ da insatisfação”. Poeta maior da Geração Beat, militante pacifista, homossexual, personalidade marcante, capaz de desviar os caminhos da poesia americana do séc. XX (este post é baseado no artigo Allen Ginsberg: poemas e os anos do último uivo) Um furacão poético, emblema de uma geração genuinamente revolucionária e iluminada, Allen Ginsberg foi não só foi o poeta estadunidense de maior prestígio da segunda metade do século passado: foi também um dos grandes rebeldes românticos e poetas anarquistas contemporâneos. Dezessete anos depois de sua morte, sua obra permanece e ainda anima leitores e, assim como a obra de Kerouac, cineastas.

Nascido em 1926 em Newark, no estado de Nova Jérsei, Ginsberg, em parceria com Kerouac, Burroughs, Ferlinghetti, Snyder e Corso promoveu, senão uma revolução, uma verdadeira revisão da linguagem e dos valores literários que, em seguida, iria se tornar um dos pilares da rebelde Geração Beat e dos movimentos da contracultura. Deste período, emergiram algumas obras de grande influência, como Howl and other poems (1956), Kaddish and other poems (1961), de Ginsberg, On the Road (1957), de Kerouac e Naked Lunch (1959), de Burroughs. Ginsberg faleceu no dia 5 de abril de 1997, em Nova York.

O Uivo, de Allen Ginsberg

Howl, um de seus livros mais conhecidos (o autor publicou mais de 20 livros), conquistou milhões de leitores. Publicado em 1956, renderia um processo por pornografia contra o escritor e seu editor um ano depois. O escândalo, associado ao impacto do lançamento de On the Road, ajudou a tornar mundialmente conhecida a Geração Beat e transformá-la numa espécie de mito moderno.

Para a época, mesmo obras inovadoras como as de Breton, Artaud e Michaux rendiam tiragens praticamente inexpressivas em comparação às obras de Ginsberg. Assim, ao tornar-se fenômeno editorial, Ginsberg também se tornou num ícone daquela rebelião, da criação literária, da conduta e do das relações sociais.

Um dos méritos de Ginsberg e Burroughs  foi terem elaborado a ligação, a ponte, entre o modernismo anglo-americano, de Pound e William Carlos Williams, e a vanguarda francesa, principalmente o surrealismo. Em busca de uma visceral renovação literária, Ginsberg e Carl Solomon, foram internados em um hospício em 1948/49 e escreveram uma carta delirante para o surrealista Malcolm de Chazal, autor cuja obra Sens Plastique tinha acabado de ser publicada – a internação no hospício fora, segundo Ginsberg, essencial para a criação de Howl. Alguns discursos e ensaios de Ginsberg demonstram sua simpatia à vertente objetivista de Pound e Williams e do fluxo de consciência, de Gertrude Stein e Joyce, mostrando como seu trabalho com a prosódia é consistente e complexo.

Allen Ginsberg no cinema

Assim como aconteceu com On the Road, adaptado por Walter Salles (longa em que Allen Ginsberg também é retratado) para os cinemas, a obra de Ginsberg também ganhou as telonas. Citarei as duas mais recentes.

O primeiro filme foi Howl, de 2010, dirigido e adaptado por Rob Epstein e Jeffrey Friedman e estrelado por James Franco. O filme retrata o episódio em que a obra é levada a julgamento e reconta este momento utilizando três diferentes perspectivas: os tumultuados eventos da vida que levaram o jovem Allen Ginsberg a descobrir sua verdadeira voz como um artista, a reação da sociedade/público em relação à sua obra e uma exaltação que reflete a originalidade do poema Howl. As três histórias são entrelaçadas para contar o nascimento da contracultura americana e da Geração Beat, nos anos 50.

Kill_Your_Darlings

O segundo filme é o Kill Your Darlings (2013). Dirigido por John Krokidas, o filme não é uma adaptação, mas um drama biográfico sobre Allen Ginsberg. Estrelado por Daniel Radcliffe e Michael C. Hall, o filme gira em torno do assassinato de David Kammerer (Michael C. Hall), episódio que aproxima alguns dos poetas mais importantes da Geração Beat: Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs.

O longa chegou a vencer, na categoria de melhor diretor, o prêmio do Palm Springs International Filme Festival e também foi indicado para o Grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival.

Poemas de Allen Ginsberg

Ficou curioso para conhecer a obra do autor? Selecionei alguns dos poemas que mais gosto e os disponibilizo abaixo (as traduções são da L&PM):

CANÇÃO

O peso do mundo

é o amor.

Sob o fardo

da solidão,

sob o fardo

da insatisfação

o peso

o peso que carregamos

é o amor.

Quem poderia negá-lo?

Em sonhos

nos toca

o corpo,

em pensamentos

constrói

um milagre,

na imaginação

aflige-se

até tornar-se

humano —

sai para fora do coração

ardendo de pureza —

pois o fardo da vida

é o amor,

mas nós carregamos o peso

cansados

e assim temos que descansar

nos braços do amor

finalmente

temos que descansar nos braços

do amor.

Nenhum descanso

sem amor,

nenhum sono

sem sonhos

de amor —

quer esteja eu louco ou frio,

obcecado por anjos

ou por máquinas,

o último desejo

é o amor

— não pode ser amargo

não pode ser negado

não pode ser contido

quando negado:

o peso é demasiado

— deve dar-se

sem nada de volta

assim como o pensamento

é dado

na solidão

em toda a excelência

do seu excesso.

Os corpos quentes

brilham juntos

na escuridão,

a mão se move

para o centro

da carne,

a pele treme

na felicidade

e a alma sobe

feliz até o olho —

sim, sim,

é isso que

eu queria,

eu sempre quis,

eu sempre quis

voltar

ao corpo

em que nasci.

POEMA DE AMOR SOBRE UM TEMA DE WHITMAN

Entrarei silencioso no quarto de dormir e me deitarei entre noivo e noiva,

esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,

braços pousados sobre os olhos na escuridão,

afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei sua pele

e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,

pernas erguidas e dobradas para receber, caralho atormentado na escuridão, atacando

levantado do buraco até a cabeça pulsante

corpos entrelaçados nus e trêmulos, coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra,

e os olhos, olhos cintilando encantadores, abrindo-se em olhares e abandono,

e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,

mãos na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres

até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis

e a noiva grite pedindo perdão e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão

e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos e beijos de adeus —

tudo isso antes que a mente desperte, atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida

cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,

fantasmas desnudos buscando-se no silêncio.

UIVO (trecho)

Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura,

morrendo de fome, histéricos, nus,

arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca

de uma dose violenta de qualquer coisa,

“hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato

celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,

que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando

sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis aparta-
mentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das
cidades contemplando  jazz,

que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram

anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados
das casas de cômodos,

que passaram por universidades com os olhos frios e radiantes

alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake
entre os estudiosos da guerra,

que foram expulsos das universidades por serem loucos e publi-

carem odes obscenas nas janelas do crânio,

que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descasca-

da em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas
de papel, escutando o Terror através da parede,

que foram detidos em suas barbas públicas voltando por Laredo

com um cinturão de marijuana para Nova York,

que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam tereben-

tina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus tor-
sos noite após noite

com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e cara-

lhos e intermináveis orgias,

incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula e clarão

na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá &  Pa-
terson, iluminando completamente o mundo imóvel do
Tempo intermediário, […]

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eBook Manuscrito 512

poesia

Poesia: 200 poemas dos maiores poetas de todos os tempos [MEGA LISTA!]

Poesia de amorpoesia de alentopoesia críticapoesia de luta. A poesia transmutou-se ao decorrer dos tempos e, a cada dia que passa, assume novas formas e novas bandeiras.

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Além de ser considerada uma das sete artes tradicionais — aquelas onde a linguagem humana é apropriada com fins estéticos e/ou críticos —, ela é muitas vezes considerada a própria arte em si, a poesia humana, já que condensa e exprime toda subjetividade em qualquer formação estética que representa.

Não é a toa que o gênero foi capaz de produzir obras primas e transformou gerações com seus versos. Neste post, compilamos os melhores poemas dos principais poetas brasileiros e universais para você conhecer, inspirar-se e sobretudo questionar-se. Boa leitura!

A Poesia Brasileira

história da poesia no Brasil se confunde com a própria história do descobrimento. Ainda no século XVI, nos primórdios da colonização, a vinda dos padres da Companhia de Jesus e seu nome mais proeminente, José de Anchieta, deu a partida na história.

Anchieta, mestre evangelizador, teria escrito 4.072 versos latinos à Virgem Maria nas praias de Iperoig (atualmente Ubatuba).

Desde então, a expressão poética foi se modernizando e ficando cada vez mais complexa, intricada. Ainda assim, é possível salientar quatro linhas poéticas que ficaram evidentes ao longo dos anos no Brasil.

Poesia lírica

Marcada pela subjetividade, a poesia lírica quase sempre fica centrada na primeira pessoa do discurso — que não deve ser (quase) nunca confundida com o poeta.

Nessas poesias, o eu lírico quase sempre expressa suas emoções de maneira quase musical. É daí, inclusive, que vem o nomenclatura de poesia lírica: versos que faziam o acompanhamento musical da lira.

Poesia existencial

A poesia existencial tenta dar forma às problemáticas maiores da existência humana como a solidão, a dúvida, a velhice e a morte.

Essa expressão poética tem especial destaque na segunda geração do modernismo brasileiro, a geração de 1930. As obras desse período ressaltam esses grandes dilemas e tiveram destaque nos versos de Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes.

Poesia social

A poesia social, como o próprio nome pode elucidar, tematiza temas políticos e sociais no Brasil. Esta linha poética em especial atravessa várias gerações e escolas, desde o Romantismo com as poesias abolicionistas de Castro Alves, o Modernismo, com as poesias críticas em meados da II Guerra Mundial e em especial durante o período da Ditadura Militar.

Poesia contemporânea

A poesia contemporânea é o espaço da experimentação estética e tecnológica, nos períodos pós-internet. Suas bandeiras são cada vez mais pulverizadas, mas a crítica social, a representatividade e os dilemas existenciais ainda são a matéria de destaque em seus versos.

Principais poetas brasileiros: 200 poemas

Índice de poetas por ordem alfabética (se preferir, utilize Ctrl + F para buscar o nome do poeta):

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Poetas com a letra A

Poemas de Adélia Prado

ADELIA PRADO

Amor Feinho

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.

(Do livro Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 97)

Sedução

A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel
o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro, levanta
a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus,
me deixa desesperar.
Ela responde passando
a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé
e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela.

(Do livro Bagagem. São Paulo: Siciliano, 1993. p. 60)

Amor Violeta

O amor me fere é debaixo do braço,
de um vão entre as costelas.
Atinge meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco. Macero ele,
faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida.

(Do livro Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 83)

Agora, ó José

É teu destino, ó José,
a esta hora da tarde,
se encostar na parede,
as mãos para trás.
Teu paletó abotoado
de outro frio te guarda,
enfeita com três botões
tua paciência dura.
A mulher que tens, tão histérica,
tão histórica, desanima.
Mas, ó José, o que fazes?
Passeias no quarteirão
o teu passeio maneiro
e olhas assim e pensas,
o modo de olhar tão pálido.
Por improvável não conta
O que tu sentes, José?
O que te salva da vida
é a vida mesma, ó José,
e o que sobre ela está escrito
a rogo de tua fé:
“No meio do caminho tinha uma pedra”
“Tu és pedra e sobre esta pedra”.
A pedra, ó José, a pedra.
Resiste, ó José. Deita, José,
Dorme com tua mulher,
gira a aldraba de ferro pesadíssima.
O reino do céu é semelhante a um homem
como você, José.

(Do livro Bagagem. São Paulo: Siciliano, 1993. p. 34)

Poemas de Alice Ruiz

ALICE RUIZ

Teu corpo seja brasa

teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo

um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo.

Drumundana

e agora maria?
o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria.

Topa um pacto de sangue

topa um pacto de sangue
com essa cigana do futuro
que lê
o passado na tua boca
o presente no teu corpo
e nos teus olhos
tanto quanto nos astros?

Sou uma moça polida

sou uma moça polida
levando
uma vida lascada

cada instante
pinta um grilo
por cima
da minha sacada.

Poemas de Álvares de Azevedo

ALVARES DE AZEVEDO

Por que mentias?

Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?

Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro…
Leviana sem dó, por que mentias?

Sabe Deus se te amei! Sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!

Vê minha palidez – a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias…
Pousa a mão no meu peito!
Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Lembranças de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro

Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde o fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas …
De ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai… de meus únicos amigos,
Poucos – bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta destes flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar dos teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo …
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta – sonhou – e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos.
Deixai a lua pratear-me a lousa!

Meu Sonho

Eu
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sanguenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?

Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso.
E galopas do vale através.
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?

Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?.
Tu escutas. Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?

Cavaleiro, quem és? – que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?

O Fantasma
Sou o sonho da tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!

Poemas de Ana Cristina César

ANA CRISTINA CESAR

O Homem Público N. 1 (Antologia)

Tarde aprendi 
bom mesmo 
é dar a alma como lavada. 
Não há razão 
para conservar 
este fiapo de noite velha. 
Que significa isso? 
Há uma fita 
que vai sendo cortada 
deixando uma sombra 
no papel. 
Discursos detonam. 
Não sou eu que estou ali 
de roupa escura 
sorrindo ou fingindo 
ouvir. 
No entanto 
também escrevi coisas assim, 
para pessoas que nem sei mais 
quem são, 
de uma doçura 
venenosa 
de tão funda.

Aventura na Casa Atarracada

Movido contraditoriamente 
por desejo e ironia 
não disse mas soltou, 
numa noite fria, 
aparentemente desalmado;

Te pego lá na esquina, 
na palpitação da jugular, 
com soro de verdade e meia, 
bem na veia, e cimento armado 
para o primeiro a andar.

Ao que ela teria contestado, não, 
desconversado, na beira do andaime 
ainda a descoberto: – Eu também, 
preciso de alguém que só me ame. 
Pura preguiça, não se movia nem um passo. 
Bem se sabe que ali ela não presta. 
E ficaram assim, por mais de hora, 
a tomar chá, quase na borda, 
olhos nos olhos, e quase testa a testa.

Fisionomia

não é mentira
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outrart
outra a dor que dói.

Contagem regressiva

Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos.

Poemas de Ana Maria Machado

ANA MARIA MACHADO

Estrelas

Cinco pontas
cinco destinos
são areias tontas
de desatinos

Cinco sentidos
cinco caminhos
grãos tão moídos
por mares e moinhos

Estrela-guia
em alto mar
outra Maria
veio me chamar.

Primeiro Mar

Tantas páginas lidas muito antes
Tantos livros que enchiam as estantes
Tantos heróis a povoar os sonhos
Tantos perigos, monstros tão medonhos

Nos tempos sem tevê e sem imagem
Palavras fabricavam paisagem

Tesouros, mapas, ilhas tropicais,
Argonautas, recifes de corais,
Perigos na neblina entre rochedos,
Vinte mil léguas cheias de segredos.

Histórias de naufrágio e abordagens,
Ulisses, Moby Dick, mil viagens,
Robinson, calmarias, um motim,
Descobertas, veleiros, mar sem fim.

Maresia

Brisa na restinga
traz maresia
a onda respinga
a gota suspira
o ar que se inspira.

Nariz abre a asa
narina é casa
de aroma morar.

É o lar que inspira
é o mar que respira.

Naus e Nós

Naus
saem de Sagres
e deixam infantes,
partem de portos
e deixam mortos,
sangram amores
e rumam ao longe.

Singram
águas salgadas
algas sargaças
a pouco nós.

Lonas e telas
pranchas e cascos
cordas e cabos
rangem e puxam,
fazem e desfazem
nós.

Velas sem vento
almas sem calma
encalham em sargaços
nas águas salgadas.

Algumas naufragam
soçobram em escolhos
só sobram sem escolha,
sem escolta,
poucas naus
– e nós.

Poemas de Ariano Suassuna

ARIANO SUASSUNA

Ave Musa incandescente

do deserto do Sertão!
Forje, no Sol do meu Sangue,
o Trono do meu clarão:
cante as Pedras encantadas
e a Catedral Soterrada,
Castelo deste meu Chão!

Nobres Damas e Senhores
ouçam meu Canto espantoso:
a doida Desaventura
de Sinésio, O Alumioso,
o Cetro e sua centelha
na Bandeira aurivermelha
do meu Sonho perigoso!

A Onça, por ser esperta

A Onça, por ser esperta,
já começa o seu Caminho,
Fez da sua Furna o ninho
e esturra que está alerta!
Será a Cadeia aberta!
Quanto ao Porco, é muito certo:
Fugirá para o Deserto,
e a Onça, com seu bramido,
libertará O Ferido,
o nosso Prinspe-Encoberto!

A Onça vai esturrando
atrás do Porco-selvagem:
matá-lo-á na passagem,
com nosso Prinspe ajudando!
O Rei vai ressuscitando
no Prinspe, sua Criança
E a Espora da remonstrança,
Pedra do Reino e da Prata,
no sangue desta Escarlata.

Noturno

Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão…

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?

A viagem

Meu sangue, do pragal das Altas Beiras,
boiou no Mar vermelhas Caravelas:
À Nau Catarineta e à Barca Bela
late o Potro castanho de asas Negras.

E aportou. Rosas de ouro, azul Chaveira,
Onça malhada a violar Cadelas,
Depôs sextantes, Astrolábios, velas,
No planalto da Pedra sertaneja.

Hoje, jogral Cigano e tresmalhado,
Vaqueiro de seu couro cravejado.
Com Medalhas de prata, a faiscar,

bebendo o Sol de fogo e o Mundo oco,
meu coração é um Almirante louco
Que abandonou a profissão do Mar.

Poemas de Augusto dos Anjos

AUGUSTO DOS ANJOS

Eterna Mágoa

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga! 
Não crê em nada, pois, nada há que traga 
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste. 
Quer resistir, e quanto mais resiste 
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga. 
Sabe que sofre, mas o que não sabe 
É que essa mágoa infinda assim, não cabe 
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme; 
E quando esse homem se transforma em verme 
É essa mágoa que o acompanha ainda!

Psicologia de um Vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco, 
Monstro de escuridão e rutilância, 
Sofro, desde a epigênese da infância, 
A influência má dos signos do zodíaco. 
Profundissimamente hipocondríaco, 
Este ambiente me causa repugnância… 
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia 
Que se escapa da boca de um cardíaco. 
Já o verme — este operário das ruínas — 
Que o sangue podre das carnificinas 
Come, e à vida em geral declara guerra, 
Anda a espreitar meus olhos para roê-los, 
E há de deixar-me apenas os cabelos, 
Na frialdade inorgânica da terra!

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável 
Enterro de sua última quimera. 
Somente a Ingratidão – esta pantera – 
Foi tua companheira inseparável! 
Acostuma-te à lama que te espera! 
O homem, que, nesta terra miserável, 
Mora, entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera. 
Toma um fósforo. Acende teu cigarro! 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 
Se alguém causa inda pena a tua chaga, 
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija!

O Morcego

Meia-noite, ao meu quarto me recolho. 
Meu Deus ! E este morcego! E, agora, vede: 
Na bruta ardência orgânica da sede, 
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho 
“Vou mandar levantar outra parede …”

Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho 
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, 
Circularmente sobre minha rede 
Pego de um pau. Esforços faço. Chego 
A tocá-lo. Minh’alma se concentra. 
Que ventre produziu tão feio parto?!

A consciência humana é este morcego! 
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra 
Imperceptivelmente em nosso quarto.

Poetas com a letra C

Poemas de Cacaso

CACASO

e com vocês a Modernidade

Meu verso é profundamente romântico.
Choram cavaquinhos luares se derramam e vai
por aí a longa sombra de rumores e ciganos.

Ai que saudade que tenho de meus negros verdes anos!

Moda de Viola

Os olhos daquela ingrata às vezes
me castigam às vezes me consolam
Mas sua boca nunca me beija.

Dentro de mim mora um anjo

Quem me vê assim cantando
não sabe nada de mim
dentro de mim mora um anjo
que tem a boca pintada
que tem as asas pintadas
que tem as unhas pintadas
que passa horas a fio
no espelho do toucador
dentro de mim mora um anjo
que me sufoca de amor

Dentro de mim mora um anjo
montado sobre um cavalo
que ele sangra de espora
ele é meu lado de dentro
eu sou seu lado de fora
Quem me vê assim cantando
não sabe nada de mim

Dentro de mim mora um anjo
que arrasta as suas medalhas
e que batuca pandeiro
que me prendeu nos seus laços
mas que é meu prisioneiro
acho que é colombina
acho que é bailarina
acho que é brasileiro.

Epopéia

O poeta mostra o pinto para a namorada
e proclama: eis o reino animal!
Pupilas fascinadas fazem jejum.

Poemas de Carlos Drummond de Andrade

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili,
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. 
Tempo de absoluta depuração. 
Tempo em que não se diz mais: meu amor. 
Porque o amor resultou inútil. 
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho. 
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. 
Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. 
És todo certeza, já não sabes sofrer. 
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? 
Teus ombros suportam o mundo 
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios 
provam apenas que a vida prossegue 
e nem todos se libertaram ainda. 
Alguns, achando bárbaro o espetáculo 
prefeririam (os delicados) morrer. 
Chegou um tempo em que não adianta morrer. 
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. 
A vida apenas, sem mistificação.

Poemas de Carlos Nejar

CARLOS NEJAR

A idade

Falou e disse um pássaro
dois sóis, uma pequena estrela.
Falou para que calássemos
e disse amor, penúria,brevidade.
E disse disse 
a idade da eternidade.

Abandonei-me ao vento

Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode
explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
ganhei um outro livre, que me sabe

quando me levantar e o corpo solte
o seu despojo vão. Em toda a parte
o vento há-de soprar, onde não cabe
a morte mais. A morte a morte explode.

E os seus fragmentos caem na viração
e o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.

Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
abandonei-me. E assim fiquei conciso,
eterno. Mas o amor guardou meu nome.

Amar é a mais alta constelação

Aqui ficam as coisas.
Amar é a mais alta constelação.

Os sapatos sem dono
tripulando
na correnteza-espaço
em que deitamos.

As minhas mãos telhado
no teu rosto de pombas.

Os corpos
circulando
na varanda dos braços.
É a mais alta constelação.

Amar na Luz

Amar na luz ou à sombra de um cometa,
com o tempo fugível, fugitivo.
O barulho das ondas afugenta
o que restou de mim sob o rochedo.

Amar com as horas todas, aturdindo
os corpo nus, as almas, os sentidos.
E perceber que a amada está fluindo
até o som, e aos peixes perseguindo.

E é por isso que neles vou descendo
e não sei se é amor, que já me invade,
ou por ele que morro em toda a parte.

Ou terei de morrer, se já me fogem
as vagas de um viver, que à vida solvem,
apenas por estar com o amor fluindo.

Poemas de Carolina Maria de Jesus

CAROLINA MARIA DE JESUS

A Rosa

Eu sou a flor mais formosa
Disse a rosa
Vaidosa!
Sou a musa do poeta.

Por todos sou contemplada
E adorada.

A rainha predileta.
Minhas pétalas aveludadas
São perfumadas
E acariciadas.

Que aroma rescendente:
Para que me serve esta essência,
Se a existência
Não me é concernente…

Quando surgem as rajadas
Sou desfolhada
Espalhada
Minha vida é um segundo.
Transitivo é meu viver
De ser…
A flor rainha do mundo.

Dá-me as rosas

No campo em que eu repousar
Solitária e tenebrosa
Eu vos peço para adornar
O meu jazigo com as rosas

As flores são formosas
Aos olhos de um poeta
Dentre todas são as rosas
A minha flor predileta

Se a afeiçoares aos versos inocentes
Que deixo escritos aqui
E quiseres ofertar-me um presente
Dá-me as rosas que pedi.

Agradeço-lhe com fervor
Desde já o meu obrigado
Se me levares esta flor
No dia dos finados.

Humanidade

Depois de conhecer a humanidade
suas perversidades
suas ambições
Eu fui envelhecendo
E perdendo
as ilusões
o que predomina é a
maldade
porque a bondade:
Ninguém pratica
Humanidade ambiciosa
E gananciosa
Que quer ficar rica!
Quando eu morrer…
Não quero renascer
é horrível, suportar a humanidade
Que tem aparência nobre
Que encobre
As péssimas qualidades

Notei que o ente humano
É perverso, é tirano
Egoísta interesseiros
Mas trata com cortesia
Mas tudo é hipocrisia
São rudes, e trapaceiros.

Muitas fugiam ao me ver…

Muitas fugiam ao me ver
Pensando que eu não percebia
Outras pediam pra ler
Os versos que eu escrevia

Era papel que eu catava
Para custear o meu viver
E no lixo eu encontrava livros para ler
Quantas coisas eu quis fazer
Fui tolhida pelo preconceito
Se eu extinguir quero renascer
Num país que predomina o preto

Adeus! Adeus, eu vou morrer!
E deixo esses versos ao meu país
Se é que temos o direito de renascer
Quero um lugar, onde o preto é feliz.

Poemas de Casimiro de Abreu

CASIMIRO DE ABREU

Que é – simpatia

Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia – meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu dagosto
É o que minspira teu rosto…

Simpatia – é quase amor!

Saudades

Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!

Nessas horas de silêncio,
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.

Então — proscrito e sozinho —
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra.
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
— Saudades — dos meus amores,
— Saudades — da minha terra!

Segredos

Eu tenho uns amores — quem é que os não tinha
Nos tempos antigos! — Amar não faz mal;
As almas que sentem paixão como a minha
Que digam, que falem em regra geral.
— A flor dos meus sonhos é moça e bonita
Qual flor entreaberta do dia ao raiar,
Mas onde ela mora, que casa ela habita,
Não quero, não posso, não devo contar!

Seu rosto é formoso, seu talhe elegante,
Seus lábios de rosa, a fala é de mel,
As tranças compridas, qual livre bacante,
O pé de criança, cintura de anel;
— Os olhos rasgados são cor das safiras,
Serenos e puros, azuis como o mar;
Se falam sinceros, se pregam mentiras,
Não quero, não posso, não devo contar!

Oh! ontem no baile com ela valsando
Senti as delícias dos anjos do céu!
Na dança ligeira qual silfo voando
Caiu-lhe do rosto seu cândido véu!
— Que noite e que baile! — Seu hálito virgem
Queimava-me as faces no louco valsar,
As falas sentidas que os olhos falavam
Não posso, não quero, não devo contar!

Depois indolente firmou-se em meu braço,
Fugimos das salas, do mundo talvez!
Inda era mais bela rendida ao cansaço,
Morrendo de amores em tal languidez!
— Que noite e que festa! e que lânguido rosto
Banhado ao reflexo do branco luar!
A neve do colo e as ondas dos seios
Não quero, não posso, não devo contar!

A noite é sublime! — Tem longos queixumes,
Mistérios profundos que eu mesmo não sei:
Do mar os gemidos, do prado os perfumes,
De amor me mataram, de amor suspirei!
— Agora eu vos juro… Palavra! — não minto!
Ouvi-a formosa também suspirar;
Os doces suspiros que os ecos ouviram
Não quero, não posso, não devo contar!

Então nesse instante nas águas do rio
Passava uma barca, e o bom remador
Cantava na flauta: — “Nas noites d’estio
O céu tem estrelas, o mar tem amor!” —
— E a voz maviosa do bom gondoleiro
Repete cantando: — “viver é amar!” —
Se os peitos respondem à voz do barqueiro…
Não quero, não posso, não devo contar!

Trememos de medo… a boca emudece
Mas sentem-se os pulos do meu coração!
Seu seio nevado de amor se entumece…
E os lábios se tocam no ardor da paixão!
— Depois… mas já vejo que vós, meus senhores,
Com fina malícia quereis me enganar.
Aqui faço ponto; — segredos de amores
Não quero, não posso, não devo contar!

Risos

Ri, criança, a vida é curta,
O sonho dura um instante.
Depois… o cipreste esguio
Mostra a cova ao viandante!

A vida é triste — quem nega?
— Nem vale a pena dizê-lo.
Deus a parte entre seus dedos
Qual um fio de cabelo!

Como o dia, a nossa vida
Na aurora é — toda venturas,
De tarde — doce tristeza,
De noite — sombras escuras!

A velhice tem gemidos,
— A dor das visões passadas —
A mocidade — queixumes,
Só a infância tem risadas!

Ri, criança, a vida é curta,
O sonho dura um instante.
Depois… o cipreste esguio
Mostra a cova ao viandante!

Castro Alves

CASTRO ALVES

O “Adeus” de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala

E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”

Passaram tempos sec’los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
… Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse – “Voltarei! descansa!. . . ”
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

A Duas Flores

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu…
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bom como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar…
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas… Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rodas da vida,
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

O Navio Negreiro (Tragédia no Mar)

‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm… cansam
Como turba de infantes inquieta.

‘Stamos em pleno mar… Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro…
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro…

‘Stamos em pleno mar… Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes…
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?…

‘Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas…

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest’hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento…
E no mar e no céu — a imensidade!

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia,
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia…

………………………………………………….

Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.

II

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu…
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu!…

III

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais … inda mais… não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí… Que quadro d’amarguras!
É canto funeral! … Que tétricas figuras! …
Que cena infame e vil… Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

IV

Era um sonho dantesco… o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite…
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais …
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos… o chicote estala.
E voam mais e mais…

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!…”

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais…
Qual um sonho dantesco as sombras voam!…
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!…

V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?…
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa…
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!…

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus…
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão…

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe… bem longe vêm…
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N’alma — lágrimas e fel…
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis…
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus …
…Adeus, ó choça do monte,
…Adeus, palmeiras da fonte!…
…Adeus, amores… adeus!…

Depois, o areal extenso…
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos… desertos só…
E a fome, o cansaço, a sede…
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p’ra não mais s’erguer!…
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje… o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar…
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar…

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder…
Hoje… cúm’lo de maldade,
Nem são livres p’ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute… Irrisão!…

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro… ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!…
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!…

VI

Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!…
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!…
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

Aos estudantes voluntários

O CÉU é alma… O relâmpago 
É uma idéia de luz,
Que pelo crânio do espaço 
Perpassa, brilha e reluz…
Depois o trovão — é o verbo.
Segue-o o raio — gládio acerbo,
Que se desdobra soberbo
Pelos páramos azuis.

Ação e idéia — são gêmeos,
Quem as pudera apartar?…
O fato — é a vaga agitada
Do pensamento — que é o mar…
Cisma o oceano curvado,
Mas da procela vibrado,
Solta as crinas indomado,
Parece o espaço escalar.

Assim sois vós!… Nem se pense
Que o livro enfraquece a mão.
Troca-se a pena com o sabre,
Ontem — Numa… Hoje — Catão…
É o mesmo… Se a pena é espada
Por mão de Homero vibrada,
Com o gládio — epopéia ousada
Traça mundos — Napoleão…

Que importa os raios trovejem
Nas florestas do existir
Parti, pois! Homens do livro!
Podeis ousados partir!
Pois sereis. . ., vindo com glória,
Ou morrendo na vitória…
Homens do livro da História
Dessa Bíblia do porvir!

Cecília Meireles

CECILIA MEIRELES

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cenário

Passei por essas plácidas colinas
e vi das nuvens, silencioso, o gado
pascer nas solidões esmeraldinas.

Largos rios de corpo sossegado
dormiam sobre a tarde, imensamente,
— e eram sonhos sem fim, de cada lado.

Entre nuvens, colinas e torrente,
uma angústia de amor estremecia
a deserta amplidão na minha frente.

Que vento, que cavalo, que bravia
saudade me arrastava a esse deserto,
me obrigava a adorar o que sofria?

Passei por entre as grotas negras, perto
dos arroios fanados, do cascalho
cujo ouro já foi todo descoberto.

As mesmas salas deram-me agasalho
onde a face brilhou de homens antigos,
iluminada por aflito orvalho.

De coração votado a iguais perigos
vivendo as mesmas dores e esperanças,
a voz ouvi de amigos e inimigos

Vencendo o tempo, fértil em mudanças,
conversei com doçura as mesmas fontes,
e vi serem comuns nossas lembranças.

Da brenha tenebrosa aos curvos montes,
do quebrado almocafre aos anjos de ouro
que o céu sustêm nos longos horizontes,

tudo me fala e entende do tesouro
arrancado a estas Minas enganosas,
com sangue sobre a espada, a cruz e o louro.

Tudo me fala e entendo: escuto as rosas
e os girassóis destes jardins, que um dia
foram terras e areias dolorosas,

por onde o passo da ambição rugia;
por onde se arrastava, esquartejado,
o mártir sem direito de agonia.

Escuto os alicerces que o passado
tingiu de incêndio: a voz dessas ruínas
de muros de ouro em fogo evaporado.

Altas capelas cantam-me divinas
fábulas. Torres, santos e cruzeiros
apontam-me altitudes e neblinas.

Ó pontes sobre os córregos! ó vasta
desolação de ermas, estéreis serras
que o sol frequenta e a ventania gasta!

Armado pó que finge eternidade,
lavra imagens de santos e profetas
cuja voz silenciosa nos persuade.

E recompunha as coisas incompletas:
figuras inocentes, vis, atrozes,
vigários, coronéis, ministros, poetas.

Retrocedem os tempos tão velozes
que ultramarinos árcades pastores
falam de Ninfas e Metamorfoses.

E percebo os suspiros dos amores
quando por esses prados florescentes
se ergueram duros punhos agressores.

Aqui tiniram ferros de correntes;
pisaram por ali tristes cavalos.
E enamorados olhos refulgentes

— parado o coração por escutá-los
prantearam nesse pânico de auroras
densas de brumas e gementes galos.

Isabéis, Dorotéias, Heliodoras,
ao longo desses vales, desses rios,
viram as suas mais douradas horas

em vasto furacão de desvarios
vacilar como em caules de altas velas
cálida luz de trêmulos pavios.

Minha sorte se inclina junto àquelas
vagas sombras da triste madrugada,
fluidos perfis de donas e donzelas.

Tudo em redor é tanta coisa e é nada:
Nise, Anarda, Marília… — quem procuro?
Quem responde a essa póstuma chamada?

Que mensageiro chega, humilde e obscuro?
Que cartas se abrem? Quem reza ou pragueja?
Quem foge? Entre que sombras me aventuro?

Quem soube cada santo em cada igreja?
A memória é também pálida e morta
sobre a qual nosso amor saudoso adeja.

O passado não abre a sua porta
e não pode entender a nossa pena.
Mas, nos campos sem fim que o sonho corta,

vejo uma forma no ar subir serena:
vaga forma, do tempo desprendida.
É a mão do Alferes, que de longe acena.

Eloquência da simples despedida:
“Adeus! que trabalhar vou para todos!…”
(Esse adeus estremece a minha vida.)

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…

Clarice Lispector

CLARICE LISPECTOR

Precisão

O que me tranquiliza 
é que tudo o que existe, 
existe com uma precisão absoluta. 
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete 
não transborda nem uma fração de milímetro 
além do tamanho de uma cabeça de alfinete. 
Tudo o que existe é de uma grande exatidão. 
Pena é que a maior parte do que existe 
com essa exatidão 
nos é tecnicamente invisível. 
O bom é que a verdade chega a nós 
como um sentido secreto das coisas. 
Nós terminamos adivinhando, confusos, 
a perfeição.

Mas há vida

Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida, há o amor.

Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.

Dá-me tua mão

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir

nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Meu Deus, me dê a coragem

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

Conceição Evaristo

CONCEICAO EVARISTO

A noite não adormece nos olhos das mulheres

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
a lua fêmea, semelhante nossa,
em vigília atenta vigia
a nossa memória.

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
há mais olhos que sono
onde lágrimas suspensas
virgulam o lapso
de nossas molhadas lembranças.

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
vaginas abertas
retêm e expulsam a vida
donde Ainás, Nzingas, Ngambeles
e outras meninas luas
afastam delas e de nós
os nossos cálices de lágrimas.

A noite não adormecerá
jamais nos olhos das fêmeas
pois do nosso sangue-mulher
de nosso líquido lembradiço
em cada gota que jorra
um fio invisível e tônico
pacientemente cose a rede.

Da calma e do silêncio

Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.

Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.

Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.

Cora Coralina

CORA CORALINA

O cântico da Terra

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

Mulher da vida

Mulher da Vida,
Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.

Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Mascarados

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranquilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

Cruz e Sousa

CRUZ E SOUZA

Acrobata da dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta …

Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d’aço. . .

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.

Sinfonias do ocaso

Musselinosas como brumas diurnas
descem do ocaso as sombras harmoniosas,
sombras veladas e musselinosas
para as profundas solidões noturnas.

Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
os céus resplendem de sidéreas rosas,
da Lua e das Estrelas majestosas
iluminando a escuridão das furnas.

Ah! por estes sinfônicos ocasos
a terra exala aromas de áureos vasos,
incensos de turíbulos divinos.

Os plenilúnios mórbidos vaporam …
E como que no Azul plangem e choram
cítaras, harpas, bandolins, violinos…

Dilacerações

Ó carnes que eu amei sangrentamente,
ó volúpias letais e dolorosas,
essências de heliotropos e de rosas
de essência morna, tropical, dolente…

Carnes, virgens e tépidas do Oriente
do Sonho e das Estrelas fabulosas,
carnes acerbas e maravilhosas,
tentadoras do sol intensamente…

Passai, dilaceradas pelos zelos,
através dos profundos pesadelos
que me apunhalam de mortais horrores…

Passai, passai, desfeitas em tormentos,
em lágrimas, em prantos, em lamentos
em ais, em luto, em convulsões, em dores…

Alma solitária

Ó Alma doce e triste e palpitante!
que cítaras soluçam solitárias
pelas Regiões longínquas, visionárias
do teu Sonho secreto e fascinante!

Quantas zonas de luz purificante,
quantos silêncios, quantas sombras várias
de esferas imortais, imaginárias,
falam contigo, ó Alma cativante!

que chama acende os teus faróis noturnos
e veste os teus mistérios taciturnos
dos esplendores do arco de aliança?

Por que és assim, melancolicamente,
como um arcanjo infante, adolescente,
esquecido nos vales da Esperança?!

Poetas com a letra D

Décio Pignatari

DECIO PIGNATARI

torre de babel (1960)

TORRE DE BABEL
TORRE DE BELÉM
TURRIS EBURNEA
TOUR EIFFEL
TOUR DE FORCE
TOWER OF LONDON
TOUR DE NESLE
TORRE DI PISA
TORRE A ESMO

ENEREATLRIE
TBOIOCRDEFO
EARREEDBTSF
RRUSIOSOEEO
OTEBEDTTALO
ULORBTEOAOF
ROOSLNRRETE
MNPDERFRRLM
ETDEUWEREIN
URUD

JANEIRO/FEVEREIRO 
Calendário Philips 1980

Nem só a cav
idade da boca

Nem só a língua

Nem só os dentes
e os lábios

fazem a língua

Ouça
as mãos
tecendo a língua
e sua linguagem

É a língua
têxtil

O texto 
que sai das
mãos
sem palavras

Poetas com a letra E

Elisa Lucinda

ELISA LUCINDA

O amor de Dudu nas águas

Estou virando uma menina
tornada mulherinha
com tanta coleirinha
de maturidade
ainda assim me sinto parida agora
tenra, maçã nova
nova Eva novo pecado.
Tudo gira e eu renasço menina
vestido curto na alma de dentro…
Deixo no mar os velhos adereços
a velha cristaleira, os velhos vícios
as caducas mágoas.
Nasce a mulher-menina de se amar
com água no ventre e no olhar.
Nasce a Doudou das Águas.

Texto para uma separação

Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui…
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim…
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu coa minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?

Pode café

Ela pede
Ela cora
Ela quer
Coar café na mira
de minhas elegantes meninas
E correr pela ladeira ume-descida
Calcinha coador pela manhã
Ela cede
Ela chora
Ela até
canta um sangrado tango
e me diz: Não me zango
em abrir geladeiras
Quando o que faz é o que quer
Ela mede
Ela mora
Se ela der
um grito no espaço
da cozinha
É que ela quer ser minha
e fugir
Se cair em desmaio
na sala
quer voltar pra senzala
E dançando um xote
apanhar com meu chicote
Mil lambidas
Mil lambadas
Ela em pele
Ela agora
Ela aqui
Me engole o ferrão do corpo
E sai zombando de mim.

Zumbi saldo

Zumbi, meu Zumbi.
Hoje meu coração eu arranco
Zumbi hoje eu fui ao banco
E ainda estou presa
Escuto os seus sinos
e ainda estou presa na senzala Bamenrindus
Presa definitivamente
Presa absolutamente
à minha conta
corrente.

Poetas com a letra F

Fagundes Varela

FAGUNDES VARELA

Ilusão

Sinistro como um fúnebre segredo 
passa o vento do Norte murmurando 
nos densos pinheirais; 
a noite é fria e triste; solitário 
atravesso a cavalo a selva escura 
entre sombras fatais.

À medida que avanço, os pensamentos 
borbulham-me no cérebro, ferventes, 
como as ondas do mar, 
e me arrastam consigo, alucinado, 
à casa da formosa criatura 
de meu doido cismar. 
Latem os cães; as portas se franqueiam 
rangendo sobre os quícios; os criados 
acordem pressurosos; 
subo ligeiro a longa escadaria, 
fazendo retinir minhas esporas 
sobre os degraus lustrosos.

No seu vasto salão iluminado, 
suavemente repousando o seio 
entre sedas e flores, 
toda de branco, engrinaldada a fronte, 
ela me espera, a linda soberana 
de meus santos amores.

Corro a seus braços trêmulo, incendido 
de febre e de paixão… A noite é negra, 
ruge o vento no mato; 
os pinheiros se inclinam, murmurando: 
-Onde vai este pobre cavaleiro 
com seu sonho insensato?…

O vizir

Não derribes meus cedros! murmurava 
o gênio da floresta aparecendo 
adiante de um vizir, senão eu juro 
punir-te rijamente! E no entanto 
o vizir derribou a santa selva! 
Alguns anos depois foi condenado 
ao cutelo do algoz. Quando encostava 
a cabeça febril no duro cepo, 
recuou aterrado: -«Eternos deuses! 
Este cepo é de cedro!» E sobre a terra 
a cabeça rolou banhada em sangue!

Soneto

Desponta a estrela d’alva, a noite morre. 
Pulam no mato alígeros cantores, 
e doce a brisa no arraial das flores 
lânguidas queixas murmurando corre.

Volúvel tribo a solidão percorre 
das borboletas de brilhantes cores; 
soluça o arroio; diz a rola amores 
nas verdes balsas donde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma 
às carícias da aurora, ao céu risonho, 
ao flóreo bafo que o sertão perfuma!

Porém minh’alma triste e sem um sonho 
repete olhando o prado, o rio, a espuma: 
-Oh! mundo encantador, tu és medonho!

Não te esqueças de mim!

Não te esqueças de mim, quando erradia 
perde-se a lua no sidéreo manto; 
quando a brisa estival roçar-te a fronte, 
não te esqueças de mim, que te amo tanto.

Não te esqueças de mim, quando escutares 
gemer a rola na floresta escura, 
e a saudosa viola do tropeiro 
desfazer-se em gemido de tristura.

Quando a flor do sertão, aberta a medo, 
pejar os ermos de suave encanto, 
lembre-te os dias que passei contigo, 
não te esqueças de mim, que te amo tanto.

Não te esqueças de mim, quando à tardinha 
se cobrirem de névoa as serranias, 
e na torre alvejante o sacro bronze 
docemente soar nas freguesias!

Quando de noite, nos serões de inverno, 
a voz soltares modulando um canto, 
lembre-te os versos que inspiraste ao bardo, 
não te esqueças de mim, que te amo tanto.

Não te esqueças de mim, quando meus olhos 
do sudário no gelo se apagarem, 
quando as roxas perpétuas do finado 
junto à cruz de meu leito se embalarem.

Quando os anos de dor passado houverem, 
e o frio tempo consumir-te o pranto, 
guarda ainda uma idéia a teu poeta, 
não te esqueças de mim, que te amo tanto.

Ferreira Gullar

FERREIRA GULLAR

Poema sujo (trecho)

turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos

menos que escuro
menos que mole e duro
menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma?
claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica
e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha
que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor
e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo
(não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia […]

Meu povo, meu poema

Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova

No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar

No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro

Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil

Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta.

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

Agosto 1964

Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro-Leblon.
Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.

O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
que a vida
eu compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.

Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do horror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira.

Poetas com a letra G

Gonçalves Dias

GONCALVES DIAS

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Desejo
E poi morir.
METASTASIO

Ah! que eu não morra sem provar, ao menos
Sequer por um instante, nesta vida
Amor igual ao meu!
Dá, Senhor Deus, que eu sobre a terra encontre
Um anjo, uma mulher, uma obra tua,
Que sinta o meu sentir;

Uma alma que me entenda, irmã da minha,
Que escute o meu silêncio, que me siga
Dos ares na amplidão!
Que em laço estreito unidas, juntas, presas,
Deixando a terra e o lodo, aos céus remontem
Num êxtase de amor!

Lira
Coeur sans amour est un jardin sans fleur.
L. HALEVY

Se me queres a teus pés ajoelhado,
Ufano de me ver por ti rendido,
Ou já em mudas lágrimas banhado;
Volve, impiedosa,
Volve-me os olhos;
Basta uma vez!

Se me queres de rojo sobre a terra,
Beijando a fímbria dos vestidos teus,
Calando as queixas que meu peito encerra,
Dize-me, ingrata,
Dize-me: eu quero!
Basta uma vez!

Mas se antes folgas de me ouvir na lira
Louvor singelo dos amores meus,
Por que minha alma há tanto em vão suspira;
Dize-me, ó bela
Dize-me: eu te amo!
Basta uma vez!

Deprecação

Tupã, ó Deus grande! cobriste o teu rosto
Com denso velâmen de penas gentis;
E jazem teus filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz!

Tupã, ó Deus grande! teu rosto descobre:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já lágrimas tristes choraram teus filhos,
Teus filhos que choram tão grande mudança.

Anhangá impiedoso nos trouxe de longe
Os homens que o raio manejam cruentos,
Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
Trás do ouro correndo, voraces, sedentos.

E a terra em que pisam, e os campos e os rios
Que assaltam, são nossos; tu és nosso Deus:
Por que lhes concedes tão alta pujança,
Se os raios de morte, que vibram, são teus?

Tupã, ó Deus grande! cobriste o teu rosto
Com denso velâmen de penas gentis;
E jazem teus filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz.

Teus filhos valentes, temidos na guerra,
No albor da manhã quão fortes que os vi!
A morte pousava nas plumas da frecha,
No gume da maça, no arco tupi!

E hoje em que apenas a enchente do rio
Cem vezes hei visto crescer e baixar…
Já restam bem poucos dos teus, qu’inda possam
Dos seus, que já dormem, os ossos levar.

Teus filhos valentes causavam terror,
Teus filhos enchiam as bordas do mar,
As ondas coalhavam de estreitas igaras,
De frechas cobrindo os espaços do ar.

Já hoje não caçam nas matas frondosas
A corça ligeira, o trombudo coati…
A morte pousava nas plumas da frecha,
No gume da maça, no arco tupi!

O Piaga nos disse que breve seria,
A que nos infliges cruel punição;
E os teus inda vagam por serras, por vales,
Buscando um asilo por ínvio sertão!

Tupã, ó Deus grande! descobre o teu rosto:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já lágrimas tristes choraram teus filhos,
Teus filhos que choram tão grande tardança.

Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,
Que eu vi combatendo no albor da manhã;
Conheçam-te os feros, confessem vencidos
Que és grande e te vingas, qu’és Deus, ó Tupã!

Gregório de Matos

GREGORIO DE MATOS

Soneto a Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido
Vos tem a perdoar mais empenhado.

Se basta a voz irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história.

Eu sou, Senhor a ovelha desgarrada,
Recobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Necessidades Forçosas da Natureza Humana

Descarto-me da tronga, que me chupa,
Corro por um conchego todo o mapa,
O ar da feia me arrebata a capa,
O gadanho da limpa até a garupa.
Busco uma freira, que me desemtupa
A via, que o desuso às vezes tapa,
Topo-a, topando-a todo o bolo rapa,
Que as cartas lhe dão sempre com chalupa.
Que hei de fazer, se sou de boa cepa,
E na hora de ver repleta a tripa,
Darei por quem mo vase toda Europa?
Amigo, quem se alimpa da carepa,
Ou sofre uma muchacha, que o dissipa,
Ou faz da mão sua cachopa.

Triste Bahia

Triste Bahia! 
ó quão dessemelhante 
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante.

A ti tricou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e, tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

À mesma d. Ângela

Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara:

Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
De verde pé, da rama fluorescente;
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus o não idolatrara?

Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.

Guilherme de Almeida

GUILHERME DE ALMEIDA

Esta Vida

Um sábio me dizia: esta existência,
não vale a angústia de viver. A ciência,
se fôssemos eternos, num transporte
de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece
no infinito do tempo. E vibra e cresce
e se desdobra e estala num segundo.
Homem, eis o que somos neste mundo.

Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um monge me dizia: ó mocidade,
és relâmpago ao pé da eternidade!
Pensa: o tempo anda sempre e não repousa;
esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto;
o riso, às vezes, quase sempre, um pranto.
Depois o mundo, a luta que intimida,
quadro círios acesos : eis a vida

Isto me disse o monge e eu continuei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um pobre me dizia: para o pobre
a vida, é o pão e o andrajo vil que o cobre.
Deus, eu não creio nesta fantasia.
Deus me deu fome e sede a cada dia
mas nunca me deu pão, nem me deu água.
Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa
de andar de porta em porta, esfarrapado.
Deu-me esta vida: um pão envenenado.

Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver,
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Uma mulher me disse: vem comigo!
Fecha os olhos e sonha, meu amigo.
Sonha um lar, uma doce companheira
que queiras muito e que também te queira.
No telhado, um penacho de fumaça.
Cortinas muito brancas na vidraça
Um canário que canta na gaiola.
Que linda a vida lá por dentro rola!

Pela primeira vez eu comecei a ver,
dentro da própria vida, o encanto de viver.

Os Andaimes

Na gaiola cheia
(pedreiros e carpinteiros)
o dia gorjeia.

Essa que eu hei de amar…

Essa que eu hei de amar perdidamente um dia
será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,
trazer luz e calor a essa alma escura e fria.

E quando ela passar, tudo o que eu não sentia
da vida há de acordar no coração, que vela…
E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela
como sombra feliz… — Tudo isso eu me dizia,

quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como um sol triste…

E falou-me de longe: “Eu passei a teu lado,
mas ias tão perdido em teu sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!”

Harmonia Velha

O teu beijo resume 
Todas as sensações dos meus sentidos 
A cor, o gosto, o tato, a música, o perfume 
Dos teus lábios acesos e estendidos 
Fazem a escala ardente com que acordas o fauno encantador 
Que, na lira sensual de cinco cordas, 
Tange a canção do amor!

E o tato mais vibrante, 
O sabor mais sutil, a cor mais louca, 
O perfume mais doido, o som mais provocante 
Moram na flor triunfal da tua boca! 
Flor que se olha, e ouve, e toca, e prova, e aspira; 
Flor de alma, que é também 
Um acorde em minha lira, 
Que é meu mal e é meu bem…

Se uma emoção estranha 
o gosto de uma fruta, a luz de um poente – 
chega a mim, não sei de onde, e bruscamente ganha 
qualquer sentido meu, é a ti somente 
que ouço, ou aspiro, ou provo, ou toco, ou vejo… 
E acabo de pensar 
Que qualquer emoção vem de teu beijo 
Que anda disperso no ar…

Poetas com a letra H

Haroldo de Campos

HAROLDO DE CAMPOS

Gênese I [fragmento]

No começar Deus criando
O fogoágua e a terra

E a terra era lodo torvo
E a treva sobre o rosto do abismo
E o sopro-Deus 
Revoa sobre o rosto da água

E Deus disse seja luz
E foi luz

E Deus viu que a luz era boa
E Deus dividiu 
Entre a luz e a treva

E Deus chamou à luz dia
e à treva chamou noite
E foi tarde e foi manhã 
Dia um

horácio contra horácio

ergui mais do que o bronze ou que a pirâmide
ao tempo resistente um monumento
mas gloria-se em vão quem sobre o tempo
elusivo pensou cantar vitória:
não só a estátua de metal corrói-se
também a letra os versos a memória
— quem nunca soube os cantos dos hititas
ou dos etruscos devassou o arcano?
o tempo não se move ou se comove
ao sabor dos humanos vanilóquios —
rosas e vinho — vamos! — celebremos
o instante a ruína a desmemoria

1984: Ano 1, Era de Orwell

enquanto os mortais
aceleram urânio
a borboleta
por um dia imortal
elabora seu vôo ciclâmen

*

uma dança

de espadas

esta
escrita
delirante

lâminas cursivas

a lua
entre dois
dragões

com uma haste
de bambu
passar
por entre lianas
sem desenredá-las

O instante

o instante
é pluma

seu holograma
radia estável

como quem olha pelo cristal
do tempo

feixe fixo
de luz

(já não se vê se o olho deixa sua seteira)

prisma

o sol
chove
de um teto
zenital

elipse: um estilo de persianas

Helena Kolody

HELENA KOLODY

A lágrima

Oh! lágrima cristalina 
Tão salgada e pequenina 
Quanta dor tu redimes 
Mesmo feita de amarguras 
És tão sublime tão pura 
Que só virtudes exprimes.

Sonhar

Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.
Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante Paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.
É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar constantemente o olhar ao céu profundo.
Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.

Lição

A luz da lamparina dançava
frente ao ícone da Santíssima Trindade.
Paciente, a avó ensinava
a prostrar-se em reverência,
persignar-se com três dedos
e rezar em língua eslava.
De mãos postas, a menina
fielmente repetia
palavras que ela ignorava,
mas Deus entendia.

Música Submersa

Não quero ser o grande rio caudaloso
Que figura nos mapas.
Quero ser o cristalino fio d’água
Que canta e murmura
Na mata silenciosa.

Hilda Hilst

HILDA HILST

Amavisse

Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro

Um arco-íris de ar em águas profundas.

Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.

Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.

Árias Pequenas. Para Bandolim

Antes que o mundo acabe, Túlio,
Deita-te e prova
Esse milagre do gosto
Que se fez na minha boca
Enquanto o mundo grita
Belicoso. E ao meu lado
Te fazes árabe, me faço israelita
E nos cobrimos de beijos
E de flores

Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo.

Tenta-me de novo

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

Dez chamamentos ao amigo

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Poetas com a letra I

Ivan Junqueira

IVAN JUNQUEIRA

RITUAL

Fecho as janelas desta casa
(seus corredores, seus fantasmas
sua aérea arquitetura de pássaro)
fecho a insônia que inundava
meu quarto debruçado sobre o nada
fecho as cortinas onde a larva
do tempo tece agora sua praga
fecho a clara algazarra plácida
das vozes sangüíneas da alvorada
fecho o trecho taciturno da tocata
a chuva percutindo as teclas do telhado
as sombras navegando pelo pátio
e o bambuzal

Fecho as torneiras da memória

Fecho também a tumultuosa torrente de vida 
que poderia ter rompido o cerco das paredes 
e feito explodir a argamassa de calcário e solidão

Fecho ainda as lentas pálpebras da amada 
o mofo acumulado entre seus lábios 
o limo que vestiu sua carne desolada

Fecho tudo e depois me fecho

Estou cansado
estou triste
estou só

É O VENTO

É o vento que vem uivando 
pelas frinchas do infinito 
é o vento que vem gemendo 
na espinha do plenilúnio 
é o vento que vem rolando 
como um cascalho de treva

É o vento que vem quebrando
as vidraças do silêncio
é o vento que vem abrindo
as cicatrizes da véspera
é o vento que vem pulsando
nas veias murchas do tempo

É o vento que vem mordendo 
a carne tenra das nuvens 
é o vento que vem regendo 
a sinfonia das águas 
é o vento que vem varrendo 
a nostalgia dos túmulos

É o vento que vem trazendo 
teu sorriso embalsamado 
é o vento que vem despindo
a salsugem de teus seios
é o vento que vem moldando
tua gótica nudez

É o vento que vem brincando 
de roda com minha infância 
é o vento que vem tangendo 
meus pensamentos sem rumo 
é o vento que vem traçando 
o mapa de minha face

É o vento que vem roendo 
o pergaminho das horas 
que monótonas gotejam 
sobre as escarpas herméticas 
do abismo turvo insondável 
que me separa de mim

MORRER

Pois morrer é apenas isto:
cerrar os olhos vazios
e esquecer o que foi visto;

é não supor-se infinito,
mas antes fáustico e ambíguo,
jogral entre a história e o mito;

é despedir-se em surdina, 
sem epitáfio melífluo 
ou testamento sovina;

é talvez como despir 
o que em vida não vestia 
e agora é inútil vestir;

é nada deixar aqui: 
memória, pecúlio, estirpe, 
sequer um traço de si;

é findar-se como um círio 
em cuja luz tudo expira 
sem êxtase nem martírio.

QUASE UMA SONATA

É música o rigor com que te moves 
à fluida superfície do mistério, 
os pés quase suspensos, a aérea 
partitura do corpo, seus acordes. 
Espaço e tempo são teu solo. E colhem, 
não tanto a luz que entornas, mas o pólen 
com que ela cinge e arroja as coisas mortas 
além da espessa morte que as enrola. 
E música o silêncio que te cobre 
quando lampeja à noite tua nudez, 
em franjas derramada sobre o leito 
das águas, onde as algas te incendeiam 
porque semelhas, mais que o mar profundo,
o intemporal princípio e fim de tudo.

Poetas com a letra J

João Cabral de Melo Neto

JOAO CABRAL DE MELO NETO

Catar Feijão

1.

Catar feijão se limita com escrever:
Jogam-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo;
pois catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco,
o de que, entre os grãos pesados, entre
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com risco.

Tecendo a manhã

1.

Um galo sozinho não tece uma manhã: 
ele precisará sempre de outros galos. 
De um que apanhe esse grito que ele 
e o lance a outro; de um outro galo 
que apanhe o grito de um galo antes 
e o lance a outro; e de outros galos 
que com muitos outros galos se cruzem 
os fios de sol de seus gritos de galo, 
para que a manhã, desde uma teia tênue, 
se vá tecendo, entre todos os galos.

2.

E se encorpando em tela, entre todos, 
se erguendo tenda, onde entrem todos, 
se entretendendo para todos, no toldo 
(a manhã) que plana livre de armação. 
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo 
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

Fábula de um arquiteto

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

Morte e vida severina (trecho)

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.

João Guimarães Rosa

JOAO GUIMARAES ROSA

Boiada

— “Eh boi!… Eh boi!…
É gado magro,
é gado bravo,
que vem do sertão.
E os cascos pesados,
atropelados,
vão martelando o chão
na soltura sem fim do Chapadão do Urucuia…

— “Boiada boa!…”
Ancas cavadas,
costelas à mostra,
chifres pontudos de curraleiros,
tinir de argolas de bois carreiros,
sol de fornalha… poeira vermelha…
Úberes murchos,
corcovas rombas,
berros, mugidos,
bafagem suada,
sangue de ferroadas,
muita bicheira…
— “Que sol!… Que poeira!…
E a manada corre,
cangotes baixos,
focinhos em baba,
sacolejando ossos e couros,
num tropel de tropão…
— “Boiada boa!…”

— “Galopa, Joaquim,
que o gado estoura
por esse Goiás afora!…
Enterra a espora!…”
— “Que sol!… Que poeira!…”
Barbelas moles,
lombos selados,
cachaços brutos,
— “Eh caracu mocho, como berra feio!…”
— “Eh boi!… Eh boi!…”

Golpes de raspa,
refugos tontos, cornadas doídas,
gado selvagem, gado sem ferro…
— “Olha a vaca malhada
investindo os outros!…
Ferra a vaca, Raimundo!…”
— “Que terra brava!…”
— “Que sol!… Que poeira…”

Cacundas ondulantes,
desabaladas,
como as águas de um rio…
— “Eh boi!… Eh boi!…
Novilhos rajados,
garrotes mateiros,
zebus enormes,
vacas turinas,
cheiro de curral…
— “Corre, Zé Grande, cercar o boi preto
que esparramou!…”
— “Olha o bicho atacando!…
Olha o bicho crescendo na vara!…
Firma na vara, mulato bom!…”
— “Põe pra lá, marrueiro!…”
— “Verga e não quebra,
que é de pau-d′arco da beira d′água,
Seu Coronel!…”
— “Boiada boa!…”
O gado agora rola cansado,
e a trovoada trota
do fundo do chão…

— Ó João Nanico, por que canta assim?…
Tem aumentado seu gado miúdo?…”
— “Gabarro e peste mataram tudo…”
— “Está pensando será na crioula?…”
— “Fugiu, que tempo, foi pra Bahia,
por esse mundão de Deus…”
— “Morreu no eito, já faz um ano,
picado de urutu…”

— “Então, João Nanico,
por que canta assim?!…”
— “Ai, Patrão, que a vida é uma boiada,
e a gente canta pra ir tocando os bois…”
— “Ó João Nanico, mineiro velho,
quer vir comigo pra Paracatu?!…”
— “O gado é bravo?… A pinga é boa?!…
Ai, Patrãozinho, vamos embora,
vamos embora pro Paracatu!…”

Caranguejo

Caranguejo feiíssimo,
monstruoso,
que te arrastas na areia
como a miniatura
de um tanque de guerra…
Gosto de ti, caranguejo,
Câncer meu padrinho
nas folhinhas,
pois nasci sob as bênçãos do teu signo
zodiacal…

Teu par de puãs cirúrgicas oscila
à frente do escudo lamaçento
de velho hoplita.
E mais oito patas, peludas,
serrilhadas,
de crustáceo nobre,
retombam no mole desengonço
de pés e braços muito usados,
desarticulados,
de um bebê de celulóide.

Caranguejo sujo,
desconforme,
como um atarracado Buda roxo
ou um ídolo asteca…

És forte e ao menor risco te escondes
na carapaça bronca,
como fazem os seres evoluídos,
misantropos, retraídos,
o filósofo, o asceta,
o cágado, o ouriço, o caracol…

Caranguejo hediondo,
de armadura espessa,
prudente desertor…
Para as luas do amor, quero aprender contigo,
quero fazer como fazes, animalejo frio,
que, tão calcariamente encouraçado,
só sabes recuar…

Elegia

Teu sorriso se abriu como uma anêmona
entre as covinhas do rosto infantil.
Estavas de pijama verde,
nas almofadas verdes,
os pezinhos nus, as pernas cruzadas,
pequenina,
como um ídolo de jade
que teve por modelo uma princesa anamita.
Tuas mãos sorriam,
teus olhos sorriam,
o liso dos teus cabelos pretos sorria,
e mesmo me sorriste,
e foi a única vez…

Não pude calçar, com beijos os teus pezinhos,
e não pudeste caminhar para mim…
Mas é bem assim que os meus sonhos se possuem.

Alaranjado

No campo seco, a crepitar em brasas,
dançam as últimas chamas da queimada,
tão quente, que o sol pende no ocaso,
bicado
pelos sanhaços das nuvens,
para cair, redondo e pesado,
como uma tangerina temporã madura…

Verde

Na lâmina azinhavrada
desta água estagnada,
entre painéis de musgo
e cortinas de avenca,
bolhas espumejam
como opalas ocas
num veio de turmalina:
é uma rã bailarina,
que ao se ver feia, toda ruguenta,
pulou, raivosa, quebrando o espelho,
e foi direta ao fundo,
reenfeitar, com mimo,
suas roupas de limo…

Jorge de Lima

JORGE DE LIMA

Essa Infanta

Essa infanta boreal era a defunta
em noturna pavana sempre ungida,
colorida de galos silenciosos,
extrema-ungida de óleos renovados.

Hoje é rosa distante prenunciada,
cujos cabelos de Altair são dela;
dela é a visão dos homens subterrâneos,
consolo como chuva desejada.

Tendo-a a insônia dos tempos despertado,
ontem houve enforcados, hoje guerras,
amanhã surgirão campos mais mortos.

Ó antípodas, ó pólos, somos trégua,
reconciliemo-nos na noite dessa
eterna infanta para sempre amada.

CRISTO REDENTOR DO CORCOVADO

O avô
de minha avó
Morreu também corcovado
Carregando um cristo de maçaranduba
Que protegia os passos vagarosos da família.

Arranjei velocidade.
Virei homem de cimento armado.

Adoro esse Cristo turista
De braços abertos
Que procura equilíbrio
Na montanha brasileira.

Os homens de fé têm esperança n Ele,
Porque Ele é ligeiro, porque Ele é ubíquo,
Porque Ele é imutável.

Ele acompanha o homem de cimento armado
Através de todas as substancias,
Através de todas as perspectivas,
Através de todas as distancias

POEMA À PÁTRIA

Ó grande
país
Tu aderiste também.
Teus urubus são inquietados
Nos teus ares altíssimos pelos aviões.
Nos teus céus os anjos já não podem solfejar,
Sufocados de fumaça, importunados pelo pessoal
Do Limbo.

Tu vais ficar irremediavelmente
Toda a América
Irremediavelmente gêmeo,
Irremediavelmente comum.

PELO SILÊNCIO

Pelo silêncio que a envolveu, por essa
aparente distância inatingida,
pela disposição de seus cabelos
arremessados sobre a noite escura:

pela imobilidade que começa
a afastá-la talvez da humana vida
provocando-nos o hábito de vê-la
entre estrelas do espaço e da loucura;

pelos pequenos astros e satélites
formando nos cabelos um diadema
a iluminar o seu formoso manto,

vós que julgais extinta Mira-Celi
observai neste mapa o vivo poema
que é a vida oculta dessa eterna infanta.

Poetas com a letra L

Lêdo Ivo

LEDO IVO

A eternidade premeditada

Isto será a eternidade:
um incessante subir de escadas.

E sempre estarás no começo da escadaria
muito embora todos os dias sejam degraus.

Deus, porque fizeste a eternidade?
Porque nos obrigas a subir tantas escadas?

A vã feitiçaria

Invento a flor e, mais que a flor, o orvalho
que a torna testemunha desta aurora.
Invento o espelho e, mais que o espelho, o amor
onde eu me vejo, vivo, num sarcófago.
E a vida, este galpão de sortilégios,
deixa que eu a invente com palavras
que são dragões vencidos pela mágica.
E não me espanta que eu, sendo mortal,
sujeito à injúria de tornar-me em pó,
crie uma rosa eterna como as rosas
inexistentes nesta flora efêmera.
Sonho de um sonho, a vida, ao vento, escoa-se
em vãs lembranças. Minha rosa morre
por ser eterna, sendo o mundo vão.

A necessidade

Uma porta fechada não é suficiente para que o homem
esconda o seu amor. Ele também necessita de uma porta aberta
para poder partir e se perder na multidão quando esse amor explodir
como o barril de pólvora no arsenal alcançado pelo raio.
Um telhado não basta para que o homem se proteja
do calor e da tempestade. Para fugir ao relâmpago
ele precisa de um corpo estendido na cama
e ao alcance de sua mão ainda temerosa
de avançar no excuro quando a chuva cai no silêncio do mundo aberto como uma fruta
entre dios estrondos.
Na noite que declina, no dia que nasce,
o homem precisa de tudo: do amor e do raio.

O jogo

No dia perdido, no dia estilhaçado,
tudo é dividido ou multiplicado.

O eu e eu duplo atravessam a praça
colados numa efígie de moeda ou selo.

O uno vira triplo no alto da escada
e se derrete ao sol como uma pedra de gelo.

O singular é plural. O vento varre
o tombadilho do navio ancorado

e um fanal de espuma aponta o momento
da última pá de cal. Então o todo e a parte

se fundem afinal em ninguém e em nada.

Poetas com a letra M

Machado de Assis

MACHADO DE ASSIS

Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.
Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.
Trago-te flores – restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.
Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

No alto

O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia a descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.
Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.
Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,
Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.

A uma senhora que me pediu versos

Pensa em ti mesma, acharás
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.
Se já dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.
Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das almas já ressequidas.
Os sóis e as luas
Creio bem que Deus os fez
Para outras vidas.

Livros e flores

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?
Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

Manoel de Barros

MANOEL DE BARROS

O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

O fazedor de amanhecer

Sou leso em tratagens com máquina.
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.
Em toda a minha vida só engenhei
3 máquinas
Como sejam:
Uma pequena manivela para pegar no sono.
Um fazedor de amanhecer
para usamentos de poetas
E um platinado de mandioca para o
fordeco de meu irmão.
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.
Fui aclamado de idiota pela maioria
das autoridades na entrega do prêmio.
Pelo que fiquei um tanto soberbo.
E a glória entronizou-se para sempre
em minha existência.

Tratado geral das grandezas do ínfimo

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

Manuel Bandeira

MANUEL BANDEIRA

Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
— Respire.

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Andorinha

Andorinha lá fora está dizendo:
— “Passei o dia à toa, à toa!”

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa…

Os Sapos

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— “Meu pai foi à guerra!”
— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas…”

Mário de Andrade

MARIO DE ANDRADE

Eterna Presença

Este feliz desejo de abraçar-te,
Pois que tão longe tu de mim estás,
Faz com que te imagine em toda a parte
Visão, trazendo-me ventura e paz.

Vejo-te em sonho, sonho de beijar-te;
Vejo-te sombra, vou correndo atrás;
Vejo-te nua, oh branco lírio de arte,
Corando-me a existência de rapaz…

E com ver-te e sonhar-te, esta lembrança
Geratriz, esta mágica saudade,
Dá-me a ilusão de que chegaste enfim;

Sinto alegrias de quem pede e alcança
E a enganadora força de, em verdade,
Ter-te, longe de mim, juntinho a mim.

Moça Linda Bem Tratada

Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.

Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.

Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência…

Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta de pobre arromba:
Uma bomba.

Soneto

Tanta lágrima hei já, senhora minha,
Derramado dos olhos sofredores,
Que se foram com elas meus ardores
E ânsia de amar que de teus dons me vinha.

Todo o pranto chorei. Todo o que eu tinha,
caiu-me ao peito cheio de esplendores,
E em vez de aí formar terras melhores,
Tornou minha alma sáfara e maninha.

E foi tal o chorar por mim vertido,
E tais as dores, tantas as tristezas
Que me arrancou do peito vossa graça,

Que de muito perder, tudo hei perdido!
Não vejo mais surpresas nas surpresas
E nem chorar sei mais, por mor desgraça!

Descobrimento

Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus!
muito longe de mim
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu.

Mário Quintana

MARIO QUINTANA

A Rua dos Cataventos

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Do amoroso esquecimento

Eu agora — que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Segunda canção de muito longe

Havia um corredor que fazia cotovelo:
Um mistério encanando com outro mistério, no escuro…
Mas vamos fechar os olhos
E pensar numa outra cousa…

Vamos ouvir o ruído cantado, o ruído arrastado das correntes no algibe,
Puxando a água fresca e profunda.
Havia no arco do algibe trepadeiras trêmulas.
Nós nos debruçávamos à borda, gritando os nomes uns dos outros,
E lá dentro as palavras ressoavam fortes, cavernosas como vozes de leões.

Nós éramos quatro, uma prima, dois negrinhos e eu.
Havia os azulejos, o muro do quintal, que limitava o mundo,
Uma paineira enorme e, sempre e cada vez mais, os grilos e as estrelas…
Havia todos os ruídos, todas as vozes daqueles tempos…
As lindas e absurdas cantigas, tia Tula ralhando os cachorros,
O chiar das chaleiras…

Onde andará agora o pince-nez da tia Tula
Que ela não achava nunca?
A pobre não chegou a terminar o Toutinegra do Moinho,
Que saía em folhetim no Correio do Povo!…
A última vez que a vi, ela ia dobrando aquele corredor escuro.
Ia encolhida, pequenininha, humilde. Seus passos não faziam ruído.
E ela nem se voltou para trás!

Emergência

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo —
para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Miriam Alves

MIRIAM ALVES

Mahin Amanhã

Ouve-se nos cantos a conspiração
vozes baixas sussurram frases precisas
escorre nos becos a lâmina das adagas
Multidão tropeça nas pedras
Revolta
há revoada de pássaros
sussurro, sussurro:
“é amanhã, é amanhã.
Mahin falou, é amanha”
A cidade toda se prepara
Malês
bantus
geges
nagôs
vestes coloridas resguardam esperanças
aguardam a luta
Arma-se a grande derrubada branca
a luta é tramada na língua dos Orixás
é aminhã, aminhã”
sussuram
Malês
bantus
geges
nagôs
“é aminhã, Luiza Mahin falô”

(Cadernos negros: melhores poemas, p. 104)

Gotas

Mesmo que eu não saiba falar a língua
dos anjos e dos homens
a chuva e o vento
purificam a terra
Mesmo que eu não saiba falar a língua
dos anjos e dos homens
Orixás iluminam e refletem-me
derramando
gotas
iluminadas de Axé no meu Ori

( (De) Clamar, p. 27)

Pedra no cachimbo

A pedra quando chega acerta
acerta bem no meio dos meus sonhos
bem nos olhos da esperança
e cega
a pedra quando chega
é fumaça em cachimbos improvisados
é cinco segundos de noia eufórica

fúria em descontrole
A pedra quando chega é demo-crática
acerta brancos negros pobre e ricos

Mas os poderes públicos só se sensibilizam
quando a pedra no cachimbo acerta
a vidraça das coberturas dos jardins
à beira-mar
E ameaça transbordar
somando todas as lágrimas de verdes olhos
aos das piscinas de sonhos
senhoriais.

( (De) Clamar, p. 10)

Murilo Mendes

MURILO MENDES

CANÇÃO DO EXÍLIO

Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!

NOTURNO RESUMIDO

A noite suspende na bruta mão
que trabalhou no circo das idades anteriores
as casas que o pessoal dorme comportadinho
atravessado na cama
comprada no turco a prestações.

A lua e os manifestos da arte moderna
brigam no poema em branco.

A vizinha sestrosa da janela em frente
tem na vida um camarada
que se atirou dum quinto andar.
Todos têm a vidinha deles.

As namoradas não namoram mais
porque nós agora somos civilizados,
andamos no automóvel gostoso pensando no cubismo.

A noite é uma soma de sambas
que eu ando ouvindo há muitos anos.

O tinteiro caindo me suja os dedos
e me aborrece tanto:
não posso escrever a obra-prima
que todos esperam do meu talento.

CANTIGA DE MALAZARTE

Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,
ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
Não desprezo nada que tenha visto,
todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.
Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,
destelho as casas penduradas na terra,
tiro os cheiros dos corpos das meninas sonhando.
Desloco as consciências,
a rua estala com os meus passos,
e ando nos quatro cantos da vida.
Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado vencido,
não posso amar ninguém porque sou o amor,
tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos
e a pedir desculpas ao mendigo.
Sou o espí­rito que assiste à Criação
e que bole em todas as almas que encontra.
Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo.
nada me fixa nos caminhos do mundo.

PANORAMA

Uma forma elástica sacode as asas no espaço
e me infiltra a preguiça, o amor ao sonho.
Num recanto da terra uma mulher loura
enforca-se e vem no jornal.
Uma menina de peito largo e ancas finas
sai do fundo do mar,
sai daquele navio que afundou e vira uma sereia.
A filha mais moça do vizinho
lá está estendida no caixão
na sala de visita com paisagem,
um cheiro enjoado de angélica e meus sentidos pêsames.

Tudo está no seu lugar
minha namorada está sozinha na janela
o sonho está dormindo na cabeça do homem
o homem está andando na cabeça de Deus,
minha mãe está no céu em êxtase,

eu estou no meu corpo.

Poetas com a letra O

Olavo Bilac

OLAVO BILAC

Nel mezzo del camin…

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha…
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

Dormes…

Dormes… Mas que sussurro a umedecida
Terra desperta? Que rumor enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, à túnica estendida?
São meus versos! Palpita a minha vida
Neles, falenas que a saudade eleva
De meu seio, e que vão, rompendo a treva,
Encher teus sonhos, pomba adormecida!
Dormes, com os seios nus, no travesseiro
Solto o cabelo negro… e ei-los, correndo,
Doudejantes, sutis, teu corpo inteiro
Beijam-te a boca tépida e macia,
Sobem, descem, teu hálito sorvendo
Por que surge tão cedo a luz do dia?!

XXX

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

Oswald de Andrade

OSWALD DE ANDRADE

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Canto de regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

Bonde

O transatlântico mesclado
Dlendlena e esguicha luz
Postretutas e famias sacolejam

Poetas com a letra P

Patativa do Assaré

PATATIVA DO ASSARE

Amanhã

Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira.

Desta forma, na vida passageira,
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho
E outro, a cura feliz de uma cegueira.

Com o belo amanhã que ilude a gente,
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.

Com o peito repleto de esperança,
Porém, nunca nós temos a lembrança
De que a morte também chega amanhã.

Minha viola

Minha viola querida,
Certa vez, na minha vida,
De alma triste e dolorida
Resolvi te abandonar.
Porém, sem as notas belas
De tuas cordas singelas,

Vi meu fardo de mazelas
Cada vez mais aumentar.

Vaguei sem achar encosto,
Correu-me o pranto no rosto,
O pesadelo, o desgosto,
E outros martírios sem fim
Me faziam, com surpresa,
Ingratidão, aspereza,
E o fantasma da tristeza
Chorava junto de mim.

Voltei desapercebido,
Sem ilusão, sem sentido,
Humilhado e arrependido,
Para te pedir perdão,
Pois tu és a jóia santa
Que me prende, que me encanta
E aplaca a dor que quebranta
O trovador do sertão.

Sei que, com tua harmonia,
Não componho a fantasia
Da profunda poesia
Do poeta literato,
Porém, o verso na mente
Me brota constantemente,
Como as águas da nascente
Do pé da serra do Crato.

Viola, minha viola,
Minha verdadeira escola,
Que me ensina e me consola,
Neste mundo de meu Deus.
Se és a estrela do meu norte,
E o prazer da minha sorte,
Na hora da minha morte,
Como será nosso adeus?

Meu predileto instrumento,
Será grande o sofrimento,
Quando chegar o momento
De tudo se esvaicer,
Inspiração, verso e rima.
Irei viver lá em cima,
Tu ficas com tua prima,
Cá na terra, a padecer.

Porém, se na eternidade,
A gente tem liberdade
De também sentir saudade,
Será grande a minha dor,
Por saber que, nesta vida,
Minha viola querida
Há de passar constrangida
Às mãos de outro cantor.

A Terra dos Posseiros de Deus

Esta terra é desmedida 
e devia ser comum, 
Devia ser repartida 
um toco pra cada um, 
mode morar sossegado.

Eu já tenho imaginado 
Que a baixa, o sertão e a serra, 
Devia sê coisa nossa; 
Quem não trabalha na roça, 
Que diabo é que quer com a terra?

Herança

Querida esposa que ouvindo está
Roubou-lhe o tempo a jovial beleza,
Mas tem o dote da maior nobreza
Sua bondade não se acabará.

Morrerei breve, porém Deus lhe dá
Força e coragem com a natureza
De no semblante não mostrar tristeza
Quando sozinha for viver por cá.

Não tenho terra, gado, nem dinheiro,
Só tenho o galo dono do terreiro
Que a madrugada nunca ele perdeu.

Conserva esposa, minha pobre herança,
Seja bem calma, paciente e mansa,
Você não chore, que este galo é seu.

Paulo Leminski

PAULO LEMINSKI

Bem no fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Invernáculo

Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quem sabe maldigo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.

O que quer dizer

O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.

Poetas com a letra R

Raimundo Correia

RAIMUNDO CORREIA

MAL SECRETO

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

CHUVA E SOL

Agrada à vista e à fantasia agrada
Ver-te, através do prisma de diamantes
Da chuva, assim ferida e atravessada 
Do sol pelos venábulos radiantes…

Vais e molhas-te, embora os pés levantes:
– Par de pombos, que a ponta delicada 
Dos bicos metem nágua e, doidejantes,
Bebem nos regos cheios da calçada…

Vais, e, apesar do guarda-chuva aberto,
Borrifando-te colmam-te as goteiras
De pérolas o manto mal coberto;

E estrelas mil cravejam-te, fagueiras,
Estrelas falsas, mas que assim de perto, 
Rutilam tanto, como as verdadeiras…

AS POMBAS

Vai-se a primeira pomba despertada …
Vai-se outra mais … mais outra … enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada …

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais…

BANZO

Visões que n’alma o céu do exílio incuba,
Mortais visões! Fuzila o azul infando…
Coleia, basilisco de ouro, ondeando
O Níger… Bramem leões de fulva juba…

Uivam chacais… Ressoa a fera tuba
Dos cafres, pelas grotas retumbando,
E a estralada das árvores, que um bando
De paquidermes colossais derruba…

Como o guaraz nas rubras penas dorme,
Dorme em nimbos de sangue o sol oculto…
Fuma o saibro africano incandescente…

Vai co’a sombra crescendo o vulto enorme
Do baobá… E cresce n’alma o vulto
De uma tristeza, imensa, imensamente…

Raul Bopp

RAUL BOPP

COCO DE PAGU

Pagu tem os olhos moles
uns olhos de fazer doer.
Bate-côco quando passa.
Coração pega a bater.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Passa e me puxa com os olhos
provocantissimamente.
Mexe-mexe bamboleia
pra mexer com toda a gente.

Eli Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Toda a gente fica olhando
o seu corpinho de vai-e-vem
umbilical e molengo
de não-sei-o-que-é-que-tem.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Quero porque te quero
Nas formas do bem-querer.
Querzinho de ficar junto
que é bom de fazer doer.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

COBRA NORATO
(fragmentos)

I
Um dia
ainda eu hei de morar nas terras do Sem-Fim.

Vou andando, caminhando, caminhando;
me misturo rio ventre do mato, mordendo raízes.
Depois
faço puçanga de flor de tajá de lagoa
e mando chamar a Cobra Norato.

— Quero contar-te uma história:
Vamos passear naquelas ilhas decotadas?
Faz de conta que há luar.

A noite chega mansinho.
Estrelas conversam em voz baixa.

O mato já se vestiu.
Brinco então de amarrar uma fita no pescoço
e estrangulo a cobra.

Agora, sim,
me enfio nessa pele de seda elástica
e saio a correr mundo:

Vou visitar a rainha Luzia.
Quero me casar com sua filha.

— Então você tem que apagar os olhos primeiro.
O sono desceu devagar pelas pálpebras pesadas.
Um chão de lama rouba a força dos meus passos.

II
Começa agora a floresta cifrada.
A sombra escondeu as árvores.
Sapos beiçudos espiam no escuro.

Aqui um pedaço de mato está de castigo.
Árvorezinhas acocoram-se no charco.
Um fio de água atrasada lambe a lama.

— Eu quero é ver a filha da rainha Luzia!

Agora são os rios afogados,
bebendo o caminho.
A água vai chorando afundando afundando.

Lá adiante
a areia guardou os rastos da filha da rainha Luzia.

— Agora sim, vou ver a filha da rainha Luzia!

Mas antes tem que passar por sete portas
Ver sete mulheres brancas de ventres despovoados
guardadas por um jacaré.

— Eu só quero a filha da rainha Luzia.

Tem que entregar a sombra para o bicho do fundo
Tem que fazer mironga na lua nova.
Tem que beber três gotas de sangue.

— Ah, só se for da filha da rainha Luzia!

A selva imensa está com insônia.

Bocejam árvores sonolentas.
Ai, que a noite secou. A água do rio se quebrou.
Tenho que ir-me embora.

E me sumo sem rumo no fundo do mato
onde as velhas árvores grávidas cochilam.

De todos os lados me chamam:
— Onde vai, Cobra Norato?
Tenho aqui três árvorezinhas jovens, à tua espera.

— Não posso.
Eu hoje vou dormir com a filha da rainha Luzia.

IV
Esta é a floresta de hálito podre,
parindo cobras.

Rios magros obrigados a trabalhar.

A correnteza arrepiada junto às margens
descasca barrancos gosmentos.

Raízes desdentadas mastigam lodo.

A água chega cansada.
Resvala devagarinho na vasa mole
com medo de cair.

A lama se amontoa.

Num estirão alagado
o charco engole a água do igarapé.

Fede…

Vento mudou de lugar.

Juntam-se léguas de mato atrás dos pântanos de aninga.
Um assobio assusta as árvores.

Silêncio se machucou.

Cai lá adiante um pedaço de pau seco:
Pum

Um berro atravessa a floresta.

Correm cipós fazendo intrigas no alto dos galhos.
Amarram as árvorezinhas contrariadas.

Chegam vozes.

Dentro do mato
pia a jurucutu.

— Não posso.
Eu hoje vou dormir com a filha da rainha Luzia.

XXXII
— E agora, compadre,
eu vou de volta pro Sem-Fim.

Vou lá para as terras altas,
onde a serra se amontoa,
onde correm os rios de águas claras
em matos de molungu.

Quero levar minha noiva.
Quero estarzinho com ela
numa casa de morar,
com porta azul piquininha
pintada a lápis de cor.

Quero sentir a quentura
do seu corpo de vaivém.
Querzinho de ficar junto
quando a gente quer bem, bem;

Ficar à sombra do mato
ouvir a jurucutu,
águas que passam cantando
pra gente se espreguiçar,

E quando estivermos à espera
que a noite volte outra vez
eu hei de contar histórias
(histórias de não-dizer-nada)
escrever nomes na areia
pro vento brincar de apagar.

MONJOLO

Chorado do Bate-Pilão

Fazenda velha. Noite e dia
Bate-pilão.

Negro passa a vida ouvindo
Bate-pilão.

Relógio triste o da fazenda.
Bate-pilão.

Negro deita. Negro acorda.
Bate-pilão.

Quebra-se a tarde. Ave-Maria.
Bate-pilão.

Chega a noite. Toda a noite
Bate-pilão.

Quando há velório de negro
Bate-pilão.

Negro levado pra cova
Bate-pilão.

TAPUIA

As florestas ergueram braços peludos para esconder-te
A tua carne triste se desabotoa nos seios
recém-chegados do fundo das selvas.
Pararam no teu olhar as noites do Amazonas
mornas e imensas
E no teu corpo longo.
ficou dormindo a sombra das cinco estrelas do Cruzeiro.
O mato acorda no teu sangue
sonhos de tribos desaparecidas

filha de raças anônimas
que se misturam em grandes adultérios!
E erras sem rumo assim pelas beiras do rio
que os teus antepassados te deixaram de herança
O vento desarruma os teus cabelos soltos
e modela o vestido na intimidade do teu corpo exato.
À noite o rio te chama.
Chamam-te vozes do fundo do mato.
Então entregas à água
demoradamente
como uma flor selvagem
ante a curiosidade das estrelas.

Ronald de Carvalho

RONALD DE CARVALHO

Epigrama

Enche o teu copo, bebe o teu vinho, 
enquanto a taça não cai das tuas mãos…

Há salteadores amáveis pelo teu caminho.
Repara como é doce o teu vizinho, 
repara como é suave o olhar do teu vizinho,

e como são longas, discretas, as suas mãos…

Anoitece…

Anoitece…
Venho sofrer contigo a hora dolente que erra,
Sob a lâmpada amiga, entre um vaso com rosas,
Um festão de jasmins, e a penumbra que desce…
Hora em que há mais distância e mágoa pela terra;
Quando, sobre os chorões e as águas silenciosas,
Redonda, a lua calma e sutil, aparece…

O rumor de uma voz sobe no espaço, ecoando,
Mais um dia se foi, menos uma ilusão!
E assim corre, igualmente, a ampulheta da vida.
Senhor! depois de mim, como folhas em bando,
Num crepúsculo triste, outros homens virão
Para recomeçar a rota interrompida,
E a amargura sem fim de um mesmo sonho vão…

Nos dormentes jardins bolem asas incautas,
Sobre os campos a bruma ondeia, devagar.
Estremecem no céu estrelas sonolentas
E os rebanhos, que vão na neblina lunar,
Agitam molemente, ao longe, as curvas lentas
Das estradas de esmalte, ao rudo som das frautas.

Anoitece…
Tremula ainda, no poente, a luz de alguns clarões,
E, enquanto sobre o meu teu olhar adormece,
Entre o perfil sombrio e vago dos chorões,
Redonda, a lua calma e distante, aparece…

Filosofia

A realidade é apenas
um milagre da nossa fantasia…

Transforma numa Eternidade
o teu rápido instante de alegria!
Ama, chora, sorri… e dormirás sem penas,
porque foi bela a tua realidade.

Sabedoria

Enquanto disputam os doutores gravemente
sobre a natureza
do bem e do mal, do erro e da verdade,
do consciente e do inconsciente;
enquanto disputam os doutores sutilíssimos,
aproveita o momento!

Faze da tua realidade
uma obra de beleza

Só uma vez amadurece,
efêmero imprudente,
o cacho de uvas que o acaso te oferece…

Poetas com a letra S

Solano Trindade

SOLANO TRINDADE

Tem gente com fome

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Pisiuuuuuuuuu
(Cantares ao meu povo, 2.ed., p. 34-5)

Navio Negreiro

Lá vem o navio negreiro
Lá vem ele sobre o mar
Lá vem o navio negreiro
Vamos minha gente olhar…

Lá vem o navio negreiro
Por água brasiliana
Lá vem o navio negreiro
Trazendo carga humana…

Lá vem o navio negreiro
Cheio de melancolia
Lá vem o navio negreiro
Cheinho de poesia…

Lá vem o navio negreiro
Com carga de resistência
Lá vem o navio negreiro
Cheinho de inteligência…
(O poeta do povo, p. 45)

Quem tá gemendo?

Quem tá gemendo
Negro ou carro de Boi?

Carro de boi geme quando quer
Negro não
Negro geme porque apanha
Apanha pra não gemer

Gemido de negro é cantiga
Gemido de negro é poema

Geme na min’halma,
A alma do Congo,
Do Níger da Guiné,
De toda África enfim
A alma da América
A alma Universal

Quem tá gemendo
Negro ou carro de Boi?
(Cantares ao meu povo, 2.ed., p. 29.)

Velho atabaque

Velho atabaque
quantas coisas você falou para mim
quantos poemas você anunciou
Quantas poesias você me inspirou
às vezes cheio de banzo
às vezes com alegria
diamba rítmica
cachaça melódica
repetição telúrica
maracatu triste
mas gostoso como mulher…

Triste maracatu
escravo vestido de rei
loanda distante do corpo
e pertinho da alma
negras sem desodorante
com cheiro gostoso
de mulher africana
zabumba batucando
na alma de eu…

Velho atabaque
madeira de lei
couro de animais
mãos negras lhe batem
e o seu choro é música
e com sua música
dançam os homens
inspirados de luxúria
e procriação
Velho atabaque
gerador de humanidade…
(O poeta do povo, p. 73)

Poetas com a letra T

Torquato Neto

TORQUATO NETO

ZABELÊ

minha sabiá
minha zabelê
toda meia noite
eu sonho com você
se você duvida
eu vou sonhar pra você ver

minha sabiá
vem me dizer por favor
o quanto que eu devo amar
pra nunca morrer de amor
minha zabelê
vem correndo me dizer
porque eu sonho toda noite
e sonho só com você
se você não me acredita
vem pra cá
vou lhe mostrar
que riso largo é o meu sonho
quando eu sonho
com você
mas anda logo
vem que a noite
já não tarda a chegar
vem correndo
pro meu sonho escutar
que eu sonho falando alto
com você no meu sonhar

MARGINÁLIA II

eu, brasileiro, confesso
minha culpa meu pecado
meu sonho desesperado
meu bem guardado segredo
minha aflição
eu, brasileiro, confesso
minha culpa meu degredo
pão seco de cada dia
tropical melancolia
negra solidão:
aqui é o fim do mundo
aqui é o fim do mundo
ou lá
aqui o terceiro mundo
pede a bênção e vai dormir
entre cascatas palmeiras
araçás e bananeiras
ao canto da juriti
aqui meu pânico e glória
aqui meu laço e cadeia
conheço bem minha história
começa na lua cheia
e termina antes do fim
aqui é o fim do mundo
aqui é o fim do mundo
ou lá
minha terra tem palmeiras
onde sopra o vento forte
da fome do medo e muito
principalmente
da morte
o-lelê, lalá
a bomba explode lá fora
e agora, o que vou temer?
yes: nós temos banana
até pra dar,
e vender
aqui é o fim do mundo
aqui é o fim do mundo
ou lá

PRA DIZER ADEUS

adeus
vou pra não voltar
e onde quer que eu vá
sei que vou sozinho
tão sozinho amor
nem é bom pensar
que eu não volto mais
desse meu caminho

ah,
pena eu não saber
como te contar
que o amor foi tanto
e no entanto eu queria dizer
vem
eu só sei dizer
vem
nem que seja só
pra dizer adeus.

O POETA É A MÃE DAS ARMAS

O Poeta é a mãe das armas
& das Artes em geral —
alô, poetas: poesia
no país do carnaval;
Alô, malucos: poesia
não tem nada a ver com os versos
dessa estação muito fria.

O Poeta é a mãe das Artes
& das armas em geral:
quem não inventa as maneiras
do corte no carnaval
(alô, malucos), é traidor
da poesia: não vale nada, lodal.

A poesia é o pai da ar-
timanha de sempre: quent
ura no forno quente
do lado de cá, no lar
das coisas malditíssimas;
alô poetas: poesia!
poesia poesia poesia poesia!
O poeta não se cuida ao ponto
de não se cuidar: quem for cortar meu cabelo
já sabe: não está cortando nada
além da MINHA bandeira ////////// =
sem aura nem baúra, sem nada mais pra contar.
Isso:ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. ar. a
r: em primeiríssimo, o lugar.

Poetas com a letra V

Vinícius de Moraes

VINICIUS DE MORAES

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Poema dos olhos da amada

Ó minha amada
Que olhos os teus

São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus…

Ó minha amada
Que olhos os teus

Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus…

Ó minha amada
Que olhos os teus

Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.

Ah, minha amada
De olhos ateus

Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

A Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida.
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Tomara

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais…

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1 – (Im)pertinências da educação: o trabalho educativo em pesquisa – Maria Lúcia de Oliveira

2 – 1601 conversation as it was by the social fireside in the time of the tudors – Mark Twain

3 – 20 000 lieues sous les mers – Júlio Verne

4 – 20,000 Leagues Under the Sea – Júlio Verne

5 – 20,000 Leagues Under the Seas – An Underwater Tour of the World – Júlio Verne

6 – 2000 anos depois: o renascimento de Israel – Alexandre Lissovsky

7 – a 20000 Lieues sous les mers Part 1 – Júlio Verne

8 – A Alma Encantadora das Ruas – João do Rio

9 – A américa latina: males de origem – Manoel Bomfim

10 – À beira da linha: formações urbanas da Noroeste Paulista – Nilson Ghirardello

11 – A Bela Madame Vargas – João do Rio

12 – A boa vista – Castro Alves

13 – A Book – Emily Dickinson

14 – A Brasileira de Prazins – Camilo Castelo Branco

15 – A burlesque autobiography – Mark Twain

16 – A Burlesque Biography – Mark Twain

17 – A cachoeira – Castro Alves

18 – A cachoeira de Paulo Afonso – Castro Alves

19 – A canoa fantástica – Castro Alves

20 – A capital – Eça de Queirós

21 – A Carne – Júlio Ribeiro

22 – A Carteira – Machado de Assis

23 – A Cartomante – Machado de Assis

24 – A Causa Secreta – Machado de Assis

25 – A Charm Invests A Face – Emily Dickinson

26 – A chave – Machado de Assis

27 – A Child’s History of England – Charles Dickens

28 – A Chinela Turca – Machado de Assis

29 – A Christmas Carol – Charles Dickens

30 – A Cidade e as Serras – Eça de Queirós

31 – A Ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 e 1913 – Editora FIOCRUZ

32 – A Condessa Vésper – Aluísio Azevedo

33 – A construção do perfil do assistente social no cenário educacional – Maria Cristina Piana

34 – A construção intelectual do Brasil contemporâneo: da resistência à ditadura ao governo FHC – Bernardo Sorj

35 – A Dama das Camélias – Alexandre Dumas

36 – A Daughter of Eve – Honoré de Balzac

37 – A Daydream – Emily Brontë

38 – A Death-Scene – Emily Brontë

39 – A decadência da mentira (Trad. Max Gonçalves Leite Ferreira) – Oscar Wilde

40 – A depressão como “mal-estar” contemporâneo: medicalização e (ex)-sistência do sujeito depressivo – Leandro Anselmo Todesqui Tavares

41 – A Descent into the Maesltrom – Edgar Allan Poe

42 – A Desejada das Gentes – Machado de Assis

43 – A diplomacia da americanização de Salvador de Mendonça (1889-1898) – Gabriel Terra Pereira

44 – A Distinguished Provincial at Paris – Honoré de Balzac

45 – A Divina Comédia – Dante Alighieri

46 – A Dog’s Tale – Mark Twain

47 – A Dog’s Tale. – Mark Twain

48 – A double barrelled detective – Mark Twain

49 – A Drama on the Seashore – Honoré de Balzac

50 – A duas flores – Castro Alves

51 – A Ela – Machado de Assis

52 – A Esfinge sem Segredo – Oscar Wilde

53 – A evolução histórica da ergonomia no mundo e seus pioneiros – José Carlos Plácido da Silva e outros

54 – A evolução recente do setor bancário no Brasil – Patrícia Olga Camargo

55 – A Fairy Tale in Two Acts Taken from Shakespeare (1763) – William Shakespeare

56 – A formação médica na Unifesp: excelência e compromisso social – Rosana Fiorini Puccini e outros

57 – A Helpless Situation. – Mark Twain

58 – A Herança – Machado de Assis

59 – A Horse’s Tale – Mark Twain

60 – A House of Pomegranates – Oscar Wilde

61 – A House to Let – Charles Dickens

62 – A idéia do Ezequiel Maia – Machado de Assis

63 – A Igreja do Diabo – Machado de Assis

64 – A Ilustre Casa de Ramires – Eça de Queirós

65 – A indexação de livros: a percepção de catalogadores e usuários de bibliotecas universitárias. Um estudo de observação do contexto sociocognitivo com protocolos verbais – Mariângela Spotti Lopes Fujita e outros

66 – A Inglezinha Barcelos – Machado de Assis

67 – A ironia e suas refrações: um estudo sobre a dissonância na paródia e no riso – Alavarce Camila da Silva

68 – A Letter to a Hindu – Léon Tolstói

69 – A literatura do outro e os outros da literatura – Maria Heloísa Martins Dias e outros

70 – A Little While, A Little While – Emily Brontë

71 – A Lover’s Complaint – William Shakespeare

72 – A Luís – Castro Alves

73 – A Luneta Mágica – Joaquim Manuel de Macedo

74 – A Maciel Pinheiro – Castro Alves

75 – A mágoa do Infeliz Cosme – Machado de Assis

76 – A Man of Business – Honoré de Balzac

77 – A Mão e a Luva – Machado de Assis

78 – À Margem da História – Euclides da Cunha

79 – A melhor das noivas – Machado de Assis

80 – A Mensageira das Violetas – Florbela Espanca

81 – A Message from the Sea – Charles Dickens

82 – A Metamorfose – Franz Kafka

83 – A Meu Irmão Guilherme de Castro Alves – Castro Alves

84 – A Midsommer Nights Dreame – William Shakespeare

85 – A Midsummer Night’s Dream – William Shakespeare

86 – A miragem da pós-modernidade: democracia e políticas sociais no contexto da globalização – Silvia Gerschman e outros

87 – A Modest Proposal – Jonathan Swift

88 – A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo

89 – A Mortalha de Alzira – Aluísio Azevedo

90 – A Morte de Leandro e Hero – Bocage

91 – A mulher de Anacleto – Lima Barreto

92 – A Mulher de Preto – Machado de Assis

93 – A mulher Pálida – Machado de Assis

94 – A Narrow Fellow in the Grass – Emily Dickinson

95 – A natureza comportamental da mente: behaviorismo radical e filosofia da mente – Diego Zilio

96 – A noite do castello e os ciumes do bardo – António Castilho Feliciano

97 – A Nova Califórnia – Lima Barreto

98 – A Parasita Azul – Machado de Assis

99 – A Passion in the Desert – Honoré de Balzac

100 – A Petrobrás e a gestão do território no Recôncavo Baiano – Cristóvão Brito

101 – A Pianista – Machado de Assis

102 – A Primavera – António Castilho Feliciano

103 – A Prince of Bohemia – Honoré de Balzac

104 – A Princesa de Babilônia – Voltaire

105 – A Proposal to Pay Off the Debt of the Nation – Jonathan Swift

106 – A propósito de uma administração – Paulo Freire

107 – A relíquia – Eça de Queirós

108 – A responsabilidade pela saúde: aspectos jurídicos – Hélio Pereira Dias

109 – A Scrap Of Curious History. – Mark Twain

110 – A Second Home – Honoré de Balzac

111 – A Segunda Vida – Machado de Assis

112 – A Seleção de Obras II – Gregório de Matos

113 – A Semana – Machado de Assis

114 – A Senhora do Galvão – Machado de Assis

115 – A senzala – Castro Alves

116 – A Sereníssima República – Machado de Assis

117 – A Simplified Alphabet. – Mark Twain

118 – À sombra do Plátano: crônicas de história da medicina – Joffre Marcondes de Rezende

119 – A Start in Life – Honoré de Balzac

120 – A Street Of Paris And Its Inhabitant – Honoré de Balzac

121 – A Tale of Two Cities – Charles Dickens

122 – A tarde – Castro Alves

123 – A Telephonic Conversation. – Mark Twain

124 – A Thunderstorm – Emily Dickinson

125 – A Tramp Abroad – Mark Twain

126 – A Ulina – Bocage

127 – A última receita – Machado de Assis

128 – A uma atriz – Castro Alves

129 – A uma estrangeira – Castro Alves

130 – A uma taça feita de um crânio humano – Castro Alves

131 – A Vida Eterna – Machado de Assis

132 – A vigilância punitiva: a postura dos educadores no processo de patologização e medicalização da infância – Fabiola Colombani Luengo

133 – A violência oculta do trabalho: as lesões por esforços repetitivos – Herval Pina Ribeiro

134 – A viúva Sobral – Machado de Assis

135 – A Volta ao Mundo em 80 Dias – Júlio Verne

136 – A Volta ao Mundo em Oitenta Dias – Júlio Verne

137 – A volta da primavera – Castro Alves

138 – A Woman of No Importance – Oscar Wilde

139 – A woman of thirty – Honoré de Balzac

140 – A wounded deer leaps highest, – Emily Dickinson

141 – A Young Girl’s Diary – Sigmund Freud

142 – Abordagens do pós-moderno em música: a incredulidade nas metanarrativas e o saber musical contemporâneo – João Paulo Costa do Nascimento

143 – About The Monk Amador – Honoré de Balzac

144 – Adão e Eva – Machado de Assis

145 – Addition aux “Pensées Philosophiques” – Denis Diderot

146 – Adeus – Castro Alves

147 – Adieu – Honoré de Balzac

148 – Adolfo Caminha: um polígrafo na literatura brasileira do século XIX (1885-1897) – Carlos Eduardo de Oliveira Bezerra

149 – Adormecida – Castro Alves

150 – Adozinda – Almeida Garret

151 – Adventures of Huckleberry Finn,Part 5-Chapters XXI. to XXV – Mark Twain

152 – Adventures of Huckleberry Finn,Part 6-Chapters XXVI.toXXX – Mark Twain

153 – África à vista: dez estudos sobre o português escrito por africanos no Brasil do século XIX – Tânia Lobo e outros

154 – Agir comunicativo e planejamento social: uma crítica ao enfoque estratégico – Francisco Javier Uribe Rivera

155 – Agonia da fome – Maria do Carmo Soares de Freitas

156 – Agraristas políticos brasileiros – Raimundo Santos

157 – Ahasverus e o gênio – Castro Alves

158 – Albert Savarus – Honoré de Balzac

159 – Alcibiades I – Platão

160 – Alcibiades II – Platão

161 – Algunas Poesías – Johann Wolfgang von Goethe

162 – Ali Pacha celebrated crimes – Alexandre Dumas

163 – Alice nel paese delle meraviglie – Lewis Carroll

164 – Alice’s Adventures in Wonderland – Lewis Carroll

165 – Alicia en el Pais de las Maravillas – Lewis Carroll

166 – All’s Well That Ends Well – William Shakespeare

167 – Alls Well That Ends Well – William Shakespeare

168 – Alma – Voltaire

169 – Almas Agradecidas – Machado de Assis

170 – Alone – Edgar Allan Poe

171 – Alonzo fitz and other stories – Mark Twain

172 – Also Sprach Zarathustra – Friedrich Wilhelm Nietzsche

173 – Alves & Cia. – Eça de Queirós

174 – Alzire ou Les Américains – Voltaire

175 – Amamentação: um híbrido natureza-cultura – João Aprigio Guerra de Almeida

176 – Amante – Castro Alves

177 – Amante Liberal – Miguel de Cervantes

178 – Amazônia: expansão do capitalismo – Fernando Henrique Cardoso

179 – American Notes – Charles Dickens

180 – American Notes for General Circulation – Charles Dickens

181 – Americanas – Machado de Assis

182 – Amor e Pátria – Joaquim Manuel de Macedo

183 – An Episode Under the Terror – Honoré de Balzac

184 – An Historical Mystery – Honoré de Balzac

185 – An Ideal Husband – Oscar Wilde

186 – An Old Maid – Honoré de Balzac

187 – Anedota do Cabriolet – Machado de Assis

188 – Anedota Pecuniária – Machado de Assis

189 – Animais de laboratório: criação e experimentação – Antenor Andrade e outros

190 – Anjo – Castro Alves

191 – Anna Karenina – Léon Tolstói

192 – Annabel Lee – Edgar Allan Poe

193 – Annette et le Criminel; ou Suite du Vicaire des Ardennes – Honoré de Balzac

194 – Another Study of Woman – Honoré de Balzac

195 – Ante la Ley – Franz Kafka

196 – Antes da Missa – Machado de Assis

197 – Antes da Rocha Tapéia – Machado de Assis

198 – Antes que Cases – Machado de Assis

199 – Anticipation – Emily Brontë

200 – Antigonas – Sófocles

201 – Antonica da Silva – Joaquim Manuel de Macedo

202 – Antony and Cleopatra – William Shakespeare

203 – Antropologia da saúde: traçando identidade e explorando fronteiras – Paulo César B. Alves e outros

204 – Antropologia e nutrição: um diálogo possível – Ana Maria Canesqui e outros

205 – Ao ator Joaquim Augusto – Castro Alves

206 – Ao dous de julho – Castro Alves

207 – Aos Vinte Anos – Aluísio Azevedo

208 – Apologia de Socrates – Platão

209 – Apologia de Sócrates – Platão

210 – Apologia di Socrate – Platão

211 – Apology Also known as The Death of Socrates – Platão

212 – Apology of Socrates – Platão

213 – Aprendizagem e comportamento humano – Tânia Gracy Martins do Valle

214 – Aprendizagem e desenvolvimento humano: avaliações e intervenções – Tânia Gracy Martins do Valle

215 – Argamassas tradicionais de cal – Cybèle Celestino Santiago

216 – Around the World in 80 Days – Júlio Verne

217 – Arquitetura militar ou fortificação moderna – Diogo da Sylveyra Vellozo

218 – Arquivologia e patrimônio musical – André Guerra e outros

219 – Arquivos da loucura: Juliano Moreira e a descontinuidade histórica da psiquiatria – Vera Portocarrero

220 – As Academias de Sião – Machado de Assis

221 – As Bodas de Luís Duarte – Machado de Assis

222 – As Cartas de Amabed – Voltaire

223 – As chuvas e as massas de ar no estado de Mato Grosso do Sul: estudo geográfico com vista à regionalização climática – João Afonso Zavattini

224 – As Concerns Interpreting The Deity – Mark Twain

225 – As donas do canto: o sucesso das estrelas-intérpretes no carnaval de Salvador – Marilda Santanna

226 – As duas ilhas – Castro Alves

227 – As empresas familiares da cidade de Franca: um estudo sob a visão do serviço social – Maria José de Oliveira Lima

228 – As Farpas (Fevereiro a Maio 1878) – Eça de Queirós

229 – As Farpas (Janeiro 1878) – Eça de Queirós

230 – As Farpas (Janeiro a Fevereiro 1873) – Eça de Queirós

231 – As Farpas (Junho 1883) – Eça de Queirós

232 – As Farpas (Junho a Julho 1882) – Eça de Queirós

233 – As Farpas (Março a Abril 1873) – Eça de Queirós

234 – As Farpas (Novembro a Dezembro 1882) – Eça de Queirós

235 – As Farpas (Outubro a Novembro 1873) – Eça de Queirós

236 – As Forças Caudinas – Machado de Assis

237 – As interfaces do direito agrário e dos direitos humanos e a segurança alimentar – Elisabete Maniglia

238 – As Mulheres de Mantilha – Joaquim Manuel de Macedo

239 – As Religiões no Rio – João do Rio

240 – As tradições gaúchas e sua racionalização na modernidade tardia – Caroline Kraus Luvizotto

241 – As Vítimas-Algozes – Joaquim Manuel de Macedo

242 – As You Like It – William Shakespeare

243 – Así Habló Zaratustra – Friedrich Wilhelm Nietzsche

244 – Astúcias de Marido – Machado de Assis

245 – At The Shrine Of St. Wagner. – Mark Twain

246 – At the Sign of the Cat and Racket – Honoré de Balzac

247 – Atlas de dermatologia em povos indígenas – Douglas A. Rodrigues e outros

248 – Através del Espejo y lo que Alicia Encontró al Otro Lado – Lewis Carroll

249 – Attraverso lo specchio – Lewis Carroll

250 – Au Bonheur des Dames – Emile Zola

251 – Aurora sem Dia – Machado de Assis

252 – Auto-Retrato – Bocage

253 – Autobiography – Johann Wolfgang von Goethe

254 – Autre Étude de Femme – Honoré de Balzac

255 – Avaliação e sociedade: a negociação como caminho – Robinson Moreira Tenório e outros

256 – Avaliação educacional: desatando e reatando nós – José Albertino Carvalho Lordêlo e outros

257 – Avaliação em saúde: dos modelos conceituais à prática na análise da implantação de programas – Zulmira Maria de Araújo Hartz

258 – Aventures de Monsieur Pickwick – tome II – Charles Dickens

259 – Aventures de Monsieur Pickwick − tome I – Charles Dickens

260 – Aves da arribação – Castro Alves

261 – Ayres e Vergueiro – Machado de Assis

262 – Bahia: inquisição & sociedade – Luiz Mott

263 – Balas de Estalo – Machado de Assis

264 – Barba Azul – Charles Perrault

265 – Barnaby Rudge – Charles Dickens

266 – Beatrix – Honoré de Balzac

267 – Because I Could Not Stop for Death – Emily Dickinson

268 – Berenice – Edgar Allan Poe

269 – Bertha The Penitent – Honoré de Balzac

270 – Beyond Good and Evil – Friedrich Wilhelm Nietzsche

271 – Biodiesel o “Óleo Filosofal”: desafios para a educação ambiental no caldeirão do “desenvolvimento sustentável” – Jozimar de Paes Almeida

272 – Biotechnology in Europe and Latin America: prospects for co-operation – Bernardo Sorj e outros

273 – Bleak House – Charles Dickens

274 – Boa-noite – Castro Alves

275 – Boyhood – Léon Tolstói

276 – Brasil,1989: um estudo sócio-econômico da indigência e da pobreza urbana – Juarez Rubens Brandão Lopes

277 – brazil@digitaldivide.com: Confronting Inequality in the Information Society – Bernardo Sorj

278 – Bric-à-brac – Alexandre Dumas

279 – Briefe aus der Schweiz – Johann Wolfgang von Goethe

280 – Bureaucracy – Honoré de Balzac

281 – Cadê o brincar? Da educação infantil para o ensino fundamental – Flávia Cristina Oliveira Murbach de Barros

282 – Caleidoscópio político: as representações do cenário internacional nas páginas do jornal O Estado de S. Paulo (1938-1945) – Alexandre Andrade da Costa

283 – Camille (La Dame aux Camilias) – Alexandre Dumas

284 – Caminhos da saúde pública no Brasil – Jacobo Finkelman

285 – Camões – Almeida Garret

286 – Camponeses e agroindústria: transformação social e representação política na avicultura brasileira – Bernardo Sorj e outros

287 – Camponeses: sua participação no Brasil – Shepard Forman

288 – Canção do boêmio – Castro Alves

289 – Cancioneiro – Fernando Pessoa

290 – Canções e Elegias – Camões

291 – Candide – Voltaire

292 – Candide ou L’Optimisme – Voltaire

293 – Cândido – Voltaire

294 – Candido ovvero L’ottimismo – Voltaire

295 – Cantico di Natale – Charles Dickens

296 – Cantique de Noël en Prose – Charles Dickens

297 – Canudos e outros temas – Euclides da Cunha

298 – Capacitação docente e responsabilidade social: aportes pluridisciplinares – Robinson Moreira Tenório e outros

299 – Caperucita Roja – Charles Perrault

300 – Capitalismo autoritário e campesinato: um estudo comparativo a partir da fronteira em movimento – Otávio Guilherme Velho

301 – Captain Stormfield’s Visit to Heaven – Mark Twain

302 – Carlos Octavio Bunge e José Ingenieros: entre o científico e o político. Pensamento racial e identidade nacional na Argentina (1880-1920) – Camila Bueno Grejo

303 – Cármides – Platão

304 – Carnet d’un Inconnu – Fiódor Dostoiévski

305 – Carnival of Crime in CT. – Mark Twain

306 – Carta de um Defunto Rico – Lima Barreto

307 – Cartas a los alfabetizadores – Paulo Freire

308 – Cartas D’Amor – Eça de Queirós

309 – Cartas D’Amor – O Efêmero Feminino – Eça de Queirós

310 – Cartas de Inglaterra – Eça de Queirós

311 – Cartas de Olinda e Alzira – Bocage

312 – Cartas Familiares e Bilhetes de Paris – Eça de Queirós

313 – Cartografias do envelhecimento na contemporaneidade: velhice e terceira idade – Mariele Rodrigues Correa

314 – Casa de Bonecas – Henrik Ibsen

315 – Casa de Pensão – Aluísio Azevedo

316 – Casamiento Engañoso – Miguel de Cervantes

317 – Catálogo de plantas e fungos do Brasil – Vol. 1 – Rafaela Campostrini Forzza e outros

318 – Catálogo de plantas e fungos do Brasil – Vol. 2 – Rafaela Campostrini Forzza e outros

319 – Catão – Almeida Garret

320 – Celoso Estremeño – Miguel de Cervantes

321 – Cenários possíveis: experiências e desafios do mestrado profissional na saúde coletiva – Maria do Carmo Lea e outros

322 – Certa herança marxista – José Arthur Giannotti

323 – Certain Noble Plays of Japan – Ezra Pound

324 – Charmides – Platão

325 – Charmides and Other Poems – Oscar Wilde

326 – Charneca em flor – Florbela Espanca

327 – Chicot the Jester – Alexandre Dumas

328 – Childhood – Léon Tolstói

329 – Chilean Voices: activists describe their experiences of the popular unity period – Colin Henfrey e outros

330 – Christ in flanders – Honoré de Balzac

331 – Christian Science – Mark Twain

332 – Cidadania e participação social – Andréa F. Silveira e outros

333 – Ciência e Saúde na Terra dos Bandeirantes: a trajetória do Instituto Pasteur de São Paulo no período de 1903-1916 – Luiz Antonio Teixeira

334 – Cinco Semanas en Globo – Júlio Verne

335 – Cinq Cents Millions de la Begum – Júlio Verne

336 – Circos e palhaços brasileiros – Mario Fernando Bolognesi

337 – Clara dos Anjos – Lima Barreto

338 – Clínica e terapêutica da doença de Chagas: uma abordagem prática para o clínico geral – João Carlos Pinto Dias e outros

339 – Clio-Psyché hoje: fazeres e dizeres psi na história do Brasil – Ana Maria Jacó-Vilela e outros

340 – Colonel charbert – Honoré de Balzac

341 – Coloquio de los Perros – Miguel de Cervantes

342 – Coloquio entre Monos y Una – Edgar Allan Poe

343 – Como anda Salvador e sua região metropolitana – Inaiá Maria Moreira de Carvalho e outros

344 – Como Gustéis – William Shakespeare

345 – Cómo se Filosofa a Martillazos – Friedrich Wilhelm Nietzsche

346 – Complexidade da formação de professores: saberes teóricos e saberes práticos – Marilda da Silva

347 – Compreendendo a complexidade socioespacial contemporânea: o território como categoria de diálogo interdisciplinar – Maria Teresa Franco Ribeiro e outros

348 – Comunicação plural – Sérgio Mattos

349 – Concerning A Poor Man Who Was Called Le Vieux Par-chemins – Honoré de Balzac

350 – Concerning A Provost Who Did Not Recognise Things – Honoré de Balzac

351 – Concerning Tobacco. – Mark Twain

352 – Conflito no Araguaia: peões e posseiros contra a grande empresa – Neide Esterci

353 – Consciência e matéria: o dualismo de Bergson – Jonas Gonçalves Coelho

354 – Contes – Charles Perrault

355 – Contes à Ninon – Emile Zola

356 – Contes bruns – Honoré de Balzac

357 – Contes en vers en prose I – Voltaire

358 – Contes en vers en prose II – Voltaire

359 – Contos – Eça de Queirós

360 – Contos de Lima Barreto – Lima Barreto

361 – Contrastes e Confrontos – Euclides da Cunha

362 – Contribuitions to All The Year Round – Charles Dickens

363 – Convite a Marilia – Bocage

364 – Convivio – Dante Alighieri

365 – Coriolanus – William Shakespeare

366 – Coup D’Étrier – Castro Alves

367 – Cousin Betty – Honoré de Balzac

368 – Cratylus – Platão

369 – Crescimento econômico no estado de São Paulo: uma análise espacial – Rodrigo de Souza Vieira

370 – Crime and Punishment – Fiódor Dostoiévski

371 – Crimen y Castigo – Fiódor Dostoiévski

372 – Critias – Platão

373 – Críticas e atuantes: ciências sociais e humanas em saúde na América Latina – Maria Cecília de Souza Minayo e outros

374 – Crito – Platão

375 – Critón – Platão

376 – Críton (o dever) – Platão

377 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – A Freira: Ralo, Roda e Grade – Gregório de Matos

378 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Adãos de Massapê – Gregório de Matos

379 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Andanças de uma Viola de Cabaça – Gregório de Matos

380 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Ângela – Gregório de Matos

381 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Antônia – Gregório de Matos

382 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Barbora ou Babu – Gregório de Matos

383 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Betica – Gregório de Matos

384 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Briga, Briga – Gregório de Matos

385 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Cota – Gregório de Matos

386 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Custódia – Gregório de Matos

387 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Joana – Gregório de Matos

388 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Letrados – Gregório de Matos

389 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Pança Farta e Pé Dormente – Gregório de Matos

390 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – A Cidade e Seus Pícaros – Passos Discretos e Triste – Gregório de Matos

391 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – O Burgo – Gregório de Matos

392 – Crônica do Viver Baiano Seiscentista – Os Homens Bons – Gregório de Matos

393 – Crônicas – Lima Barreto

394 – Crônicas de Londres – Eça de Queirós

395 – Cuento de Navidad – Charles Dickens

396 – Cultura gaúcha e separatismo no Rio Grande do Sul – Caroline Kraus Luvizotto

397 – Cultura negra em tempos pós-modernos – Marco Aurélio Luz

398 – Cumbres Borrascosas – Emily Brontë

399 – Curso de litteratura nacional para uso dos lyceus centraes – Adolfo Coelho

400 – Cymbeline – William Shakespeare

401 – D. Branca ou a conquista do Algarve – Almeida Garret

402 – Da educação – Almeida Garret

403 – Da formação da segunda Câmara das Côrtes – Almeida Garret

404 – Da produção ao consumo: impactos socioambientais no espaço urbano – Silvia Aparecida Guarnieri Ortigoza e outros

405 – Dalila – Castro Alves

406 – Dança na cultura digital – Ivani Santana

407 – Das Leben und der Tod des Koenigs Lear – William Shakespeare

408 – David Copperfield – Charles Dickens

409 – De la Suffisance de la Religion Naturelle – Denis Diderot

410 – De la Tierra a la Luna – Júlio Verne

411 – De mi Vida – Escritos autobiográficos de juventud – Friedrich Wilhelm Nietzsche

412 – De portas abertas para o lazer: a cultura lúdica nas comunidades de bairro – Elaine Melo de Brito Costa Lemose outros

413 – De Profundis – Oscar Wilde

414 – De vulgari eloquentia – Dante Alighieri

415 – Death – Emily Brontë

416 – Death Sets A Thing – Emily Dickinson

417 – Demografia dos povos indígenas no Brasil – Heloísa Pagliaro e outros

418 – Demônios – Aluísio Azevedo

419 – Dentro da noite – João do Rio

420 – Der Kaufmann von Venedig – William Shakespeare

421 – Der Sturm – The Tempest – William Shakespeare

422 – Derniers Contes – Edgar Allan Poe

423 – Derues – Alexandre Dumas

424 – Desenvolvimento e mudança social: formação da sociedade urbano-industrial no Brasil – Juarez Rubens Brandão Lopes

425 – Desespero – Castro Alves

426 – Design e ergonomia: aspectos tecnológicos – Luis Carlos Paschoarell e outros

427 – Design e planejamento: aspectos tecnológicos – Marizilda dos Santos Menezes e outros

428 – Despair In Love – Honoré de Balzac

429 – Destino do sindicalismo – Leôncio Martins Rodrigues

430 – Deus ou seja a natureza: Spinoza e os novos paradigmas da física – Roberto Leon Ponczek

431 – Deuses em poéticas: estudos de literatura e teologia – Salma Ferraz e outros

432 – Diálogo dos ecos – Castro Alves

433 – Diálogos em psicologia social – Ana Maria Jacó-Vilela e outros

434 – Diário íntimo – Lima Barreto

435 – Dicionário Filosófico – Voltaire

436 – Did The Harebell Loose Her Girdle – Emily Dickinson

437 – Die Aufgeregten – Johann Wolfgang von Goethe

438 – Die Geburt der Tragoedie – Friedrich Wilhelm Nietzsche

439 – Die Geschwister – Johann Wolfgang von Goethe

440 – Die Goettliche Komoedie – Dante Alighieri

441 – Die Irrungen (The Comedy of Errors) – Die Doppelten Zwillinge – William Shakespeare

442 – Die Laune des Verliebten Ein Schaeferspiel in Versen und einem Akt – Johann Wolfgang von Goethe

443 – Die Leiden des jungen Werther–Buch 1 – Johann Wolfgang von Goethe

444 – Die Leiden des jungen Werther–Buch 2 – Johann Wolfgang von Goethe

445 – Die natuerliche Tochter – Johann Wolfgang von Goethe

446 – Die Wahlverwandtschaften – Johann Wolfgang von Goethe

447 – Dietário (1582-1815) do Mosteiro de São Bento da Bahia: edição diplomática – Alicia Duhá Lose e outros

448 – Difusão e cultura científica: alguns recortes – Cristiane de Magalhães Porto

449 – Discurso – Almeida Garret

450 – Divina Comedia – Dante Alighieri

451 – Divina Commedia di Dante – Dante Alighieri

452 – Divina Commedia di Dante: Inferno – Dante Alighieri

453 – Divina Commedia di Dante: Paradiso – Dante Alighieri

454 – Divina Commedia di Dante: Purgatorio – Dante Alighieri

455 – Divina Commedia di Dante: Purgatorio – Cantica II – Dante Alighieri

456 – Do contágio à transmissão: ciência e cultura na gênese do conhecimento epidemiológico – Czeresnia Dina

457 – Do Livro do Desassossego – Fernando Pessoa

458 – Do português arcaico ao português brasileiro: outras histórias – Klebson Oliveira e outros

459 – Doctor Marigold – Charles Dickens

460 – Doctor Pascal – Emile Zola

461 – Doença de chagas: manual para experimentação animal – Tania C. de Araújo-Jorge e outros

462 – Doença: um estudo filosófico – Leonidas Hegenberg

463 – Dombey and Son – Charles Dickens

464 – Domestic Peace – Honoré de Balzac

465 – Don Chisciotte della Mancia – Miguel de Cervantes

466 – Don Quijote – Miguel de Cervantes

467 – Don Quixote – Miguel de Cervantes

468 – Don Quixote. Vol. 1 – Miguel de Cervantes

469 – Don Quixote. Vol. 2 – Miguel de Cervantes

470 – Droll Stories – Volume 2 – Honoré de Balzac

471 – Droll Stories – Volume 3 – Honoré de Balzac

472 – Du Côté de chez Swann – Marcel Proust

473 – Ecce Homo – Friedrich Wilhelm Nietzsche

474 – Ecce Homo – Cómo se llega a ser lo que se es – Friedrich Wilhelm Nietzsche

475 – Eco da voz portugueza por terras de Santa Cruz – António Castilho Feliciano

476 – Edgar Allan Poe’s Complete Poetical Works – Edgar Allan Poe

477 – Edipo Rey – Sófocles

478 – Édipo-Rei – Sófocles

479 – Educação e conscientização – Paulo Freire

480 – Educação e contemporaneidade: pesquisas científicas e tecnológicas – Antonio Dias Nascimento

481 – Educação inclusiva: o professor mediando para a vida – Cristiane T. Sampaio

482 – Educação permanente em saúde para os trabalhadores do SUS – Fernanda de Oliveira Sarreta

483 – Educación liberadora – Paulo Freire

484 – Educadores de rua: uma abordagem crítica: alternativas de atendimento aos meninos de rua – Paulo Freire

485 – Edward Mills and George Benton: A Tale – Mark Twain

486 – Eeldrop and Appleplax – T.S. Eliot

487 – Eeldrop and Appleplex – T.S. Eliot

488 – Eficiência Militar – Lima Barreto

489 – Egloghe – Dante Alighieri

490 – Egmont – Johann Wolfgang von Goethe

491 – Ego te Absolvo – Oscar Wilde

492 – Ein Sommernachtstraum – William Shakespeare

493 – Ein St. Johannis Nachts-Traum (A Midsummer Night’s Dream) – William Shakespeare

494 – El Abanico de Lady Windermere – Oscar Wilde

495 – El Adolecente – Fiódor Dostoiévski

496 – El Amigo Fiel – Oscar Wilde

497 – El Anticristo – Friedrich Wilhelm Nietzsche

498 – El Arte de la Guerra – Sun Tzu

499 – El Artista del Hambre – Franz Kafka

500 – El Barril de Amontillado – Edgar Allan Poe

501 – El Castillo – Franz Kafka

502 – El Castillo de los Carpatos – Júlio Verne

503 – El Conde de Montecristo – Alexandre Dumas

504 – El Convivio – Dante Alighieri

505 – El Corazón Delator – Edgar Allan Poe

506 – El Cottage de Landor – Edgar Allan Poe

507 – El Crimen de Lord Arthur Saville – Oscar Wilde

508 – El Cuento de la Serpiente Verde – Johann Wolfgang von Goethe

509 – El Cuervo – Edgar Allan Poe

510 – El Cumpleaños de la Infanta – Oscar Wilde

511 – El Demonio de la Perversidad – Edgar Allan Poe

512 – El Desaparecido (América) – Franz Kafka

513 – El Diablo en el Campanario – Edgar Allan Poe

514 – El Elixir de Larga Vida – Honoré de Balzac

515 – El Entierro Prematuro – Edgar Allan Poe

516 – El Escarabajo de Oro – Edgar Allan Poe

517 – El Escudo de la Ciudad – Franz Kafka

518 – El Fantasma de Canterville – Oscar Wilde

519 – El Faro del Fin del Mundo – Júlio Verne

520 – El Gato con Botas – Charles Perrault

521 – El Gigante Egoista – Oscar Wilde

522 – El Gran Inquisidor – Fiódor Dostoiévski

523 – El Guardavías – Charles Dickens

524 – El Hombre de la Mascara de Hierro – Alexandre Dumas

525 – El Hombre de la Multitud – Edgar Allan Poe

526 – El Hundimiento de la Casa Usher – Edgar Allan Poe

527 – El Insigne Cohete – Oscar Wilde

528 – El Jugador – Fiódor Dostoiévski

529 – El Millonario Modelo – Oscar Wilde

530 – El Misterio de Marie Roget – Edgar Allan Poe

531 – El Mito de la Caverna – Platão

532 – El Niño Estrella – Oscar Wilde

533 – El Paje del Duque de Saboya – Alexandre Dumas

534 – El Poder de las Palabras – Edgar Allan Poe

535 – El Pozo y el Pendulo – Edgar Allan Poe

536 – El Príncipe Feliz – Oscar Wilde

537 – El Príncipe y el Mendigo – Mark Twain

538 – El Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde

539 – El Retrato de Mister W. H. – Oscar Wilde

540 – El Retrato Ovalado – Edgar Allan Poe

541 – El Rey Lear – William Shakespeare

542 – El Ruiseñor y la Rosa – Oscar Wilde

543 – El Silencio de las Sirenas – Franz Kafka

544 – El Sueño del Príncipe – Fiódor Dostoiévski

545 – El Tulipán Negro – Alexandre Dumas

546 – El Verdugo – Honoré de Balzac

547 – El Viejo Manuscrito – Franz Kafka

548 – Eldorado – Edgar Allan Poe

549 – Eleonora – Edgar Allan Poe

550 – Elogio da Loucura – Erasmo de Roterdã

551 – Elogio della follia – Erasmo de Roterdã

552 – Encouragement – Emily Brontë

553 – Enrique IV – William Shakespeare

554 – Ensino de ciências e matemática III: contribuições da pesquisa acadêmica a partir de múltiplas perspectivas – Fernando Bastos

555 – Epidemiologia da imprecisão: processo saúde/doença mental como objeto da epidemiologia – José Jackson Coelho Sampaio

556 – Epidemiologia e saúde dos povos indígenas no Brasil – Carlos E. A Coimbra Jr. e outros

557 – Epidemiologia: contextos e pluralidade – Renato Peixoto Veras e outros

558 – Epistola ao usurpador ex-infante Miguel Maria do Patrocinio na sua saida de Portugal – António Castilho Feliciano

559 – Epistole – Dante Alighieri

560 – Epîtres – Voltaire

561 – Equidade e saúde: contribuições da epidemiologia – Barata Rita Barradas e outros

562 – Erário Mineral – Vol. 1 e 2 – Júnia Ferreira Furtado e outros

563 – Eryxias – Platão

564 – Escravos da desigualdade: um estudo sobre o uso repressivo da força de trabalho hoje – Neide Esterci

565 – Escritas e narrativas sobre alimentação e cultura – Maria do Carmo Soares de Freitas

566 – Espumas Flutuantes – Castro Alves

567 – Essai sur la vie de Séneque le Philosophe: sur les écrits et sur les règnes de Claude et de Néron – Denis Diderot

568 – Essai sur le Mérite et la Vertu – Denis Diderot

569 – Essay sur l’Histoire Générale et sur les Moeurs et l’Esprit des Nations Depuis Charlemagne Jusqu’à Nous Jours – Voltaire

570 – Essays & Lectures – Oscar Wilde

571 – Essays on Paul Bourget – Mark Twain

572 – Estado sem cidadãos: seguridade social na América Latina – Sonia Fleury

573 – Estórias de Jenni – Voltaire

574 – Estratégias de invenção do presente: a psicologia social no contemporâneo – Neuza Guareschi

575 – Estudos de utilização de medicamentos: noções básicas – Claudia Garcia Serpa Osorio de Castro

576 – Eterna Mágoa – Augusto dos Anjos

577 – Ética e paradigmas na psicologia social – Kátia Simone Ploner e outros

578 – Etudes analytiques. Petites misères de la vie conjugale – Honoré de Balzac

579 – Eu – Augusto dos Anjos

580 – Eu e Outras Poesias – Augusto dos Anjos

581 – Eugenie Grandet – Honoré de Balzac

582 – Euthydemus – Platão

583 – Euthyphro – Platão

584 – Eutidemo – Platão

585 – Eutifrón – Platão

586 – Eutifrone – Platão

587 – Eve and David – Honoré de Balzac

588 – Excavações poéticas – António Castilho Feliciano

589 – Experiência de doença e narrativa – Míriam Cristina Rabelo e outros

590 – Extracts from adam’s diary – Mark Twain

591 – Ezra Pound: His Metric and Poetry – T.S. Eliot

592 – Fábulas – Almeida Garret

593 – Facino Cane – Honoré de Balzac

594 – Faith And Despondency – Emily Brontë

595 – Fantasmagoría – Lewis Carroll

596 – Father Goriot – Honoré de Balzac

597 – Father Sergius – Léon Tolstói

598 – Faust – Johann Wolfgang von Goethe

599 – Faust Part 1 – Johann Wolfgang von Goethe

600 – Faust: Der Tragoedie erster Teil – Johann Wolfgang von Goethe

601 – Faust: Der Tragoedie zweiter Teil – Johann Wolfgang von Goethe

602 – Fausto – Johann Wolfgang von Goethe

603 – Fédon (a imortalidade da alma) – Platão

604 – Felicidade pela instrucção – António Castilho Feliciano

605 – Fenimore cooper’s literary offences – Mark Twain

606 – Fenimore Cooper’s Literary Offences. – Mark Twain

607 – Ferragus – Honoré de Balzac

608 – Ficar na escola: um furo no afeto – Maria de Lourdes S. Ornellas

609 – Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. – Fernando Pessoa

610 – Figurações contemporâneas do espaço na literatura – Sérgio Vicente Motta e outros

611 – Filomena Borges – Aluísio Azevedo

612 – Flores sem fructo – Almeida Garret

613 – Foi Buscar Lã… – Lima Barreto

614 – Folk-Tales of Napoleon The Napoleon of the People; Napoleonder – Honoré de Balzac

615 – Fome: uma (re)leitura de Josué de Castro – Rosana Magalhães

616 – Formação de pessoal de nível médio para a saúde: desafios e perspectivas – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio

617 – Formação de professores: limites contemporâneos e alternativas necessárias – Lígia Márcia Martins e outros

618 – Formação do professor: a docência universitária em busca de legitimidade – Sandra Regina Soares e outros

619 – Fragmentos do contemporâneo: leituras – Sérgio Vicente Motta e outros

620 – Francisco Brennand: aspectos da construção de uma obra em escultura cerâmica – Camila da Costa Lima

621 – Frankenstein – Mary Shelley

622 – Fruitfulness Fecondite – Emile Zola

623 – Gato Negro – Edgar Allan Poe

624 – Gaudissart II – Honoré de Balzac

625 – Gêneros e práticas culturais: desafios históricos e saberes interdisciplinares – Charliton José dos Santos Machado e outros

626 – George Silverman’s Explanation – Charles Dickens

627 – Germinal – Emile Zola

628 – Gestão e avaliação de risco em saúde ambiental – Ogenis Magno Brilhante e outros

629 – Gestão Educacional nos municípios: entraves e perspectivas – Maria Couto Cunha

630 – Girândola de Amores – Aluísio Azevedo

631 – Gobseck – Honoré de Balzac

632 – Goetz von Berlichingen – Johann Wolfgang von Goethe

633 – Goetz von Berlichingen mit der eisernen Hand – Johann Wolfgang von Goethe

634 – Going into Society – Charles Dickens

635 – Gorgias – Platão

636 – Górgias (a retórica) – Platão

637 – Gotzen-Dammerung – Friedrich Wilhelm Nietzsche

638 – Grandes Esperanzas – Charles Dickens

639 – Great Expectations – Charles Dickens

640 – Gulivero en Liliputo – Jonathan Swift

641 – Gulliver’s Travel – Jonathan Swift

642 – Gulliver’s Travels – Jonathan Swift

643 – Hadyi Murad – Léon Tolstói

644 – Hamlet – William Shakespeare

645 – Hard Times – Charles Dickens

646 – Hebréia – Castro Alves

647 – Hell or The Inferno from The divine comedy – Dante Alighieri

648 – Henri III et sa Cour – Alexandre Dumas

649 – Herman and Dorothea – Johann Wolfgang von Goethe

650 – Hermann und Dorothea – Johann Wolfgang von Goethe

651 – Het portret van Dorian Gray – Oscar Wilde

652 – Hino ao sono – Castro Alves

653 – Hipias Mayor – Platão

654 – Hipias Menor – Platão

655 – Histerosalpingografia: introdução ao estudo da radiologia ginecológica – Hugo Maia

656 – Histoire d’un casse-noisette – also contains “L’égoiste” and “Nicolas le philosophe” – Alexandre Dumas

657 – Histoire de l’Empere de Russie sous Pierre le Grand Tome I – Voltaire

658 – Histoire de l’Empere de Russie sous Pierre le Grand Tome II – Voltaire

659 – Histoires Extraordinaires – Edgar Allan Poe

660 – História de um crime – Castro Alves

661 – Historia de un Buen Brahma – Voltaire

662 – Historia del Imperio Ruso bajo Pedro el Grande – Voltaire

663 – História do Paraná: séculos XIX e XX – Angelo Priori e outros

664 – História do pensamento geográfico e epistemologia em Geografia – Paulo R. Teixeira de Godoy

665 – História e comunicação na nova ordem internacional – Maximiliano Martin Vicente

666 – História oral: desafios para o século XXI – Marieta de Moraes Ferreira e outros

667 – História social da tuberculose e do tuberculoso: 1900-1950 – Claudio Bertolli Filho

668 – Historias de Fantasmas – Charles Dickens

669 – Histórias e Sonhos – Lima Barreto

670 – Holiday Romance – Charles Dickens

671 – Honorine – Honoré de Balzac

672 – Honour’s Martyr – Emily Brontë

673 – Hope – Emily Brontë

674 – Hope is the Thing with Feathers – Emily Dickinson

675 – How The Chateau D’azay Came To Be Built – Honoré de Balzac

676 – How The Pretty Maid Of Portillon Convinced Her Judge – Honoré de Balzac

677 – Hugh Selwyn Mauberley – Ezra Pound

678 – Hunted Down – Charles Dickens

679 – I Felt a Funeral in My Brain – Emily Dickinson

680 – I Lusiadi : poema – Camões

681 – I Went to Heaven – Emily Dickinson

682 – I’m Nobody! Who are You? – Emily Dickinson

683 – I’ve Known a Heaven Like a Tent – Emily Dickinson

684 – Ifigenio en Taurido – Johann Wolfgang von Goethe

685 – Il Circolo Pickwick – Charles Dickens

686 – Il convito – Platão

687 – Il Critone – Platão

688 – Il Jone – Platão

689 – Il Menone – Platão

690 – Il Parmenide – Platão

691 – Il Timeo – Platão

692 – Iliada – Homero

693 – Iliade – Homero

694 – Iluminuras – Arthur Rimbaud

695 – Immensis orbitus anguis – Castro Alves

696 – In Which It Is Demonstrated That Fortune Is Always Feminine – Honoré de Balzac

697 – Incultas Produções da Mocidade – Bocage

698 – Individualisme en socialisme – Oscar Wilde

699 – Infância e afrodescendente: epistemologia crítica no ensino fundamental – Ana Katia Alves dos Santos

700 – Infâncias perdidas: o cotidiano nos internatos-prisão – Sônia Altoé

701 – Inferência causal em epidemiologia: o modelo de respostas potenciais – Ronir Raggio Luiz

702 – Innocence – Honoré de Balzac

703 – Inovações tecnológicas e a complexidade do sistema econômico – Carolina Marchiori Bezerra

704 – Intentions – Oscar Wilde

705 – Ion – Platão

706 – Iphigenie auf Tauris – Johann Wolfgang von Goethe

707 – Irene – Voltaire

708 – Italienische Reise-Teil – Johann Wolfgang von Goethe

709 – Italienische Reise-Teil 2 – Johann Wolfgang von Goethe

710 – J’accuse – Emile Zola

711 – Jacob’s Room – Virginia Woolf

712 – Jacques d’Amour – Emile Zola

713 – Jacques le fataliste et son maître – Denis Diderot

714 – Jeannot et Colin – Voltaire

715 – Jenseits von Gut und Bose – Friedrich Wilhelm Nietzsche

716 – Jesuítas – Castro Alves

717 – Joan of Naples – Alexandre Dumas

718 – Juana – Honoré de Balzac

719 – Judaísmo e modernidade: suas múltiplas inter-relações – Helena Lewin

720 – Julio Cezaro – William Shakespeare

721 – Julius Caesar – William Shakespeare

722 – Jumalainen näytelmä: Helvetti – Dante Alighieri

723 – Jumalainen näytelmä: Kiirastuli Divina Commedia: (Purgatory) – Dante Alighieri

724 – Karl Ludwig Sand – Alexandre Dumas

725 – King Henry the Eighth – William Shakespeare

726 – King Henry the Fourth – William Shakespeare

727 – King Henry the Sixth – William Shakespeare

728 – King John – William Shakespeare

729 – King Lear – William Shakespeare

730 – Kristnaska kanto – Charles Dickens

731 – L’abîme – Charles Dickens

732 – L’Alcibiade – Platão

733 – L’Argent – Emile Zola

734 – L’Assioco – Platão

735 – L’Assommoir – Emile Zola

736 – L’Attaque du Moulin – Emile Zola

737 – L’Écossaise – Voltaire

738 – L’Homme aux Quarante Écus – Voltaire

739 – L’Île Mystérieuse – Júlio Verne

740 – L’Iliade – Homero

741 – L’Ingenu – Voltaire

742 – L’Odyssée – Homero

743 – L’Oeuvre – Emile Zola

744 – L’Orphelin de la Chine – Voltaire

745 – La Aventuroj de Alicio en Mirlando – Lewis Carroll

746 – La batalo de l’vivo – Charles Dickens

747 – La Bella Durmiente del Bosque – Charles Perrault

748 – La Bête Humaine – Emile Zola

749 – La Bible Enfin Expliquée par Plusieurs Aumôniers de S.M.L.R.D.P – Voltaire

750 – La Caza del Snark – una agonía en ochos espasmos – Lewis Carroll

751 – La Cenicienta – Charles Perrault

752 – La Condena – Franz Kafka

753 – La Conquete De Plassans – Emile Zola

754 – La Constantin – Alexandre Dumas

755 – La Conversación de Eiros y Charmion – Edgar Allan Poe

756 – La curée – Emile Zola

757 – La Dama de las Camelias – Alexandre Dumas

758 – La Dame aux Camélias – Alexandre Dumas

759 – La dame de Monsoreau volume 1 – Alexandre Dumas

760 – La dame de Monsoreau volume 2 – Alexandre Dumas

761 – La dame de Monsoreau volume 3 – Alexandre Dumas

762 – La Débâcle – Emile Zola

763 – La divina commedia (Curador: Giorgio Petrocchi) – Dante Alighieri

764 – La divina commedia (Scartazzini e Vandelli) – Dante Alighieri

765 – La Durmiente – Edgar Allan Poe

766 – La educacion de los adultos como accion cultural: proceso de la accion cultural introduccion a su comprension primeira parte – Paulo Freire

767 – La Falo de Usero-Domo – Edgar Allan Poe

768 – La fortune des Rougon – Emile Zola

769 – La Fuerza de la Sangre – Miguel de Cervantes

770 – La Galatea – Miguel de Cervantes

771 – La Gitanilla – Miguel de Cervantes

772 – La Grande Breteche – Honoré de Balzac

773 – La Grenadiere – Honoré de Balzac

774 – La Hermosa Vampirizada – Alexandre Dumas

775 – La Ilíada – Homero

776 – La Ilustre Fregona – Miguel de Cervantes

777 – La Incomparable Aventura de un tal Hans Pfaall – Edgar Allan Poe

778 – La Mascara de la Muerte Roja – Edgar Allan Poe

779 – La Metamorfosis – Franz Kafka

780 – La Mort d’Olivier Bécaille – Emile Zola

781 – La Muerte de Ivan Ilich – Léon Tolstói

782 – La Murdoj de Kadavrejo-Strato – Edgar Allan Poe

783 – La Novia de Corinto – Johann Wolfgang von Goethe

784 – La Odisea – Homero

785 – La ovala portreto kaj aliaj rakontoj – Edgar Allan Poe

786 – La Pucelle d’Orléans – Voltaire

787 – La Reina Margot – Alexandre Dumas

788 – La Reine Margot − Tome I – Alexandre Dumas

789 – La Reine Margot − Tome II – Alexandre Dumas

790 – La Religion Naturelle – Voltaire

791 – La Terre – Emile Zola

792 – La tulipe noire (abridged) – Alexandre Dumas

793 – La Vida Nueva – Dante Alighieri

794 – La Vuelta al Mundo en 80 Días – Júlio Verne

795 – Laches – Platão

796 – Lady Windermere’s Fan – Oscar Wilde

797 – Landor’s Cottage – Edgar Allan Poe

798 – Laques – Platão

799 – Las Campanas – Edgar Allan Poe

800 – Las dos Doncellas – Miguel de Cervantes

801 – Las Hadas – Charles Perrault

802 – Las Indias Negras – Júlio Verne

803 – Last Words – Emily Brontë

804 – Laurindo Almeida: dos trilhos de Miracatu às trilhas em Hollywood – Alexandre Francischini

805 – Laws – Platão

806 – Le Blanc et le Noir – Voltaire

807 – Le Capitaine Aréna. Tome 1 – Alexandre Dumas

808 – Le Comte de Le Comte de II – Alexandre Dumas

809 – Le Cote de Guermantes – Marcel Proust

810 – Le Cote de Guermantes (Premiere partie) – Marcel Proust

811 – Le Docteur Pascal – Emile Zola

812 – Le Fanatisme ou Mahomet le Prophète – Voltaire

813 – Le Fils Naturel ou Les Épreuves de la Vertu – Denis Diderot

814 – Le Grillon du Foyer − Histoire Fantastique d’un Intérieur Domestique – Charles Dickens

815 – Le neveu de Rameau – Denis Diderot

816 – Le Père de Famille – Denis Diderot

817 – Le Renard – Johann Wolfgang von Goethe

818 – Le Rêve – Emile Zola

819 – Le Speronare – Alexandre Dumas

820 – Le Tour du Monde en 80 Jours – Júlio Verne

821 – Le Ventre de Paris – Emile Zola

822 – Leitura e escrita como espaços autobiográficos de formação – Maria Rosa Rodrigues Martins de Camargo

823 – Lenore – Edgar Allan Poe

824 – Leon Trostky: Lenine – André Breton

825 – Les Affinités Électives – Johann Wolfgang von Goethe

826 – Les affinites electives Suivies d’un choix de pensees du meme – Johann Wolfgang von Goethe

827 – Les cinq cent millions de la Begum – Júlio Verne

828 – Les Contes des Fées – Charles Perrault

829 – Les Conteurs à la Ronde – Charles Dickens

830 – Les Enfants du Capitaine Grant – Júlio Verne

831 – Les forceurs de blocus – Júlio Verne

832 – Les Lois de Minos – Voltaire

833 – Les Plaisirs et les Jours – Marcel Proust

834 – Les Quarante-Cinq – Deuxieme Partie – Alexandre Dumas

835 – Les Quarante-Cinq – Premiere Partie – Alexandre Dumas

836 – Les Révoltés de la “Bounty – Júlio Verne

837 – Les Trois Mousquetaires – Alexandre Dumas

838 – Lesser Hippias – Platão

839 – Letters of two brides – Honoré de Balzac

840 – Letters on England – Voltaire

841 – Lettre sur le commerce des livres – Denis Diderot

842 – Lettres philosophiques – Voltaire

843 – Lições de história do Brasil – Joaquim Manuel de Macedo

844 – Life And Adventures Of Martin Chuzzlewit – Charles Dickens

845 – Ligeia – Edgar Allan Poe

846 – Língua e sociedade nas páginas da imprensa negra paulista: um olhar sobre as formas de tratamento – Sabrina Rodrigues Garcia Balsalobre

847 – Linguagem e produção de sentidos no cotidiano – Mary Jane Spink

848 – Lira dissonante: considerações sobre aspectos do grotesco na poesia de Bernardo Guimarães e Cruz e Sousa – Fabiano Rodrigo da Silva Santos

849 – Lira dos Vinte Anos – Álvares de Azevedo

850 – Lisis – Platão

851 – Little Dorrit – Charles Dickens

852 – Livro de Mágoas – Florbela Espanca

853 – Livro de Sóror Saudade – Florbela Espanca

854 – Livro do Desassossego – Fernando Pessoa

855 – Lord Arthur Savile’s Crime and Other Stories – Oscar Wilde

856 – Lord Arthur Savile’s Crime etc – Oscar Wilde

857 – Los Hechos en el caso de M. Valdemar – Edgar Allan Poe

858 – Los Hermanos Karamazov – Fiódor Dostoiévski

859 – Los Trabajos de Persiles y Sigismunda – Miguel de Cervantes

860 – Los Tres Mosqueteros – Alexandre Dumas

861 – Los Viaje de Gulliver – Jonathan Swift

862 – Loucura divina – Castro Alves

863 – Loud Without The Wind Was Roaring – Emily Brontë

864 – Louise de la Valliere – Alexandre Dumas

865 – Love And Friendship – Emily Brontë

866 – Lucas – Castro Alves

867 – Lucíola – José de Alencar

868 – Luxo e Vaidade – Joaquim Manuel de Macedo

869 – Lyrica de João Minimo – Almeida Garret

870 – Lysis – Platão

871 – Mãe – José de Alencar

872 – Mãe penitente – Castro Alves

873 – Manel Capineiro – Lima Barreto

874 – Manifesto Surrealista – André Breton

875 – Manual básico para atendimento ambulatorial em nutrição – Nile Villela Barreto

876 – Manuscrito Hallado en una Botella – Edgar Allan Poe

877 – Marching Men – Sherwood Anderson

878 – Marginália – Lima Barreto

879 – Maria – Castro Alves

880 – Marquise de Brinvilliers – Alexandre Dumas

881 – Marquise de ganges – Alexandre Dumas

882 – Martin Chuzzlewit – Charles Dickens

883 – Martin Guerre – celebrated crimes – Alexandre Dumas

884 – Mary Stuart – Alexandre Dumas

885 – Más Allá del Bien y del Mal – Friedrich Wilhelm Nietzsche

886 – Massacres Of The South – Alexandre Dumas

887 – Master and Man – Léon Tolstói

888 – Master Humphrey’s Clock – Charles Dickens

889 – Memória e formação de professores – Antonio Dias Nascimento

890 – Memórias da Rua do Ouvidor – Joaquim Manuel de Macedo

891 – Memorias del Subsuelo – Fiódor Dostoiévski

892 – Menexenus – Platão

893 – Meno – Platão

894 – Mensagem – Fernando Pessoa

895 – Mercado e utopia – Fábio Wanderley Reis

896 – Mérope – Voltaire

897 – Mesmeric Revelation – Edgar Allan Poe

898 – Metabolismo social da cidade e outros ensaios – Ruben George Oliven

899 – Metamorfoses do corpo: uma pedagogia Freudiana – Sherrine Njaine Borges

900 – Metzengerstein – Edgar Allan Poe

901 – Micrômegas – Voltaire

902 – Miguel Strogoff – Júlio Verne

903 – Milagre do Natal – Lima Barreto

904 – Miscellaneous Papers – Charles Dickens

905 – Mocidade e morte – Castro Alves

906 – Momento literário – João do Rio

907 – Monarchia – Dante Alighieri

908 – Monteiro Lobato nas páginas do jornal: um estudo dos artigos publicados em O Estado de S. Paulo (1913-1923) – Thiago Alves Leite

909 – Morella – Edgar Allan Poe

910 – Mudo e quedo – Castro Alves

911 – Mulheres em foco: construções cinematográficas brasileiras da participação política feminina – Danielle Tega

912 – Mulheres recipientes: recortes poéticos do universo feminino nas artes visuais – Flávia Leme de Almeida

913 – Murat – Alexandre Dumas

914 – Murmúrios da tarde – Castro Alves

915 – My Comforter – Emily Brontë

916 – My Life Closed Twice Before it Closed – Emily Dickinson

917 – Na fonte – Castro Alves

918 – Na margem – Castro Alves

919 – Nana – Emile Zola

920 – Nanine – Voltaire

921 – Necessidades formativas de professores de redes municipais: contribuições para a formação de professores crítico-reflexivo – Cristiano Amaral Garboggini Di Giorgi e outros

922 – Night and Day – Virginia Woolf

923 – No álbum do artista – Castro Alves

924 – No barco – Castro Alves

925 – No Coward Soul Is Mine – Emily Brontë

926 – No monte – Castro Alves

927 – Noches Blancas – Fiódor Dostoiévski

928 – Nos campos – Castro Alves

929 – Notes from the Underground – Fiódor Dostoiévski

930 – Nouveaux Contes a Ninon – Emile Zola

931 – Novela en Nueve Cartas – Fiódor Dostoiévski

932 – Novelas de Voltaire – Tomo I – Voltaire

933 – Novelle – Johann Wolfgang von Goethe

934 – Numa e a Ninfa – Lima Barreto

935 – O abolicionismo – Joaquim Nabuco

936 – O Anti-Cristo: Ensaio de uma Crítica do Cristianismo – Friedrich Wilhelm Nietzsche

937 – O Anticristo – Friedrich Wilhelm Nietzsche

938 – O Arco de Sanctªanna – Almeida Garret

939 – O ayllu andino nas crônicas quinhentistas – Ana Raquel Portugal

940 – O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

941 – O Caçador Doméstico – Lima Barreto

942 – O Cemitério dos Vivos – Lima Barreto

943 – O Ciúme – Bocage

944 – O Conde d’Abranhos – Eça de Queirós

945 – O Cortiço – Aluísio Azevedo

946 – O Coruja – Aluísio Azevedo

947 – O Crime do Padre Amaro – Eça de Queirós

948 – O Demônio Familiar – José de Alencar

949 – O direito à natureza na cidade – Wendel Henrique

950 – O encantamento de sua santidade: cancão de fogo – Ordep José Trindade-Serra

951 – O ensino da filosofia no limiar da contemporaneidade: o que faz o filósofo quando seu ofício é ser professor de filosofia? – Rodrigo Pelloso Gelamo

952 – O Esqueleto – Aluísio Azevedo

953 – O estado como empregador de última instância: uma abordagem a partir das finanças funcionais – Guilherme da Rocha Bezerra Costa

954 – O Eu profundo e os outros Eus. – Fernando Pessoa

955 – O Falso Dom Henrique V – Lima Barreto

956 – O fazer-dizer do corpo: dança e performatividade – Jussara Sobreira Setenta

957 – O Filho de Gabriela – Lima Barreto

958 – O Garatujá – José de Alencar

959 – O Gaúcho – José de Alencar

960 – O Guarani – José de Alencar

961 – O Guardador de Rebanhos – Fernando Pessoa

962 – O Homem – Aluísio Azevedo

963 – O Homem dos Quarenta Escudos – Voltaire

964 – O Homem que Sabia Javanês – Lima Barreto

965 – O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos – Lima Barreto

966 – O Ingênuo – Voltaire

967 – O Japão – Aluísio Azevedo

968 – O léxico em foco: múltiplos olhares – Lidia Almeida Barros e outros

969 – O livro D’ele – Florbela Espanca

970 – O Livro de uma Sogra – Aluísio Azevedo

971 – O Mandarim – Eça de Queirós

972 – O Mistério da Estrada de Sintra – Eça de Queirós

973 – O Moço Loiro – Joaquim Manuel de Macedo

974 – O Mulato – Aluísio Azevedo

975 – O Mundo como Está – Voltaire

976 – O Número da Sepultura – Lima Barreto

977 – O pastor amoroso – Fernando Pessoa

978 – O Pecado – Lima Barreto

979 – O percurso da indianidade na literatura brasileira: matizes da figuração – Luzia Aparecida Oliva dos Santos

980 – O percurso dos gêneros do discurso publicitário: uma análise das propagandas da Coca-Cola – Analúcia Furquim Campos-Toscano

981 – O poder da cultura e a cultura no poder: a disputa simbólica da herança cultural negra no Brasil – Jocélio Teles dos Santos

982 – O poder dos candomblés: perseguição e resistência no Recôncavo da Bahia – Edmar Ferreira Santos

983 – O Português Afro-Brasileiro – Dante Lucchesi e outros

984 – O Primo Basílio – Eça de Queirós

985 – O Primo da Califórnia – Joaquim Manuel de Macedo

986 – O Príncipe e o Mendigo – Mark Twain

987 – O problema da motivação moral em Kant – Hélio José dos Santos e Souza

988 – O Que é o Casamento – José de Alencar

989 – O retrato – Osvaldo Peralva

990 – O retrato de Venus – Almeida Garret

991 – O rio e a casa: imagens do tempo na ficção de Mia Couto – Ana Cláudia da Silva

992 – O Sertanejo – José de Alencar

993 – O sistema de justiça – Maria Tereza Sadek

994 – O Sofista – Platão

995 – O Soneto Anal – Bocage

996 – O Soneto da Cagada – Bocage

997 – O Soneto da Porra Burra – Bocage

998 – O Subterrâneo do Morro do Castelo – Lima Barreto

999 – O Touro Branco – Voltaire

1000 – O Touro Negro – Aluísio Azevedo

1001 – O triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

1002 – O Único Assassinato de Cazuza – Lima Barreto

1003 – Odissea – Homero

1004 – Odisséia – Homero

1005 – Oedipe – Voltaire

1006 – Oeuvres – Arthur Rimbaud

1007 – Ondas e Outros Poemas Esparsos – Euclides da Cunha

1008 – Orientalismo: Visões do Oriente no vestido ocidentais – Richard Martin

1009 – Origem da língua portugueza – Augusto Soromenho

1010 – Orthographia da lingoa portuguesa – João Barreira

1011 – Orthographia da Lingua Portugueza – António Isidoro da Fonseca

1012 – Orthographia ou modo para escrever certo na lingua portuguesa – Matias Rodrigues e outros

1013 – Ortografia da lingua portugueza – João Franco Barreto

1014 – Os africanos no Brasil – Raymundo Nina Rodrigues

1015 – Os Belos e Malditos – Scott Fitzgerald

1016 – Os Bruzundangas – Lima Barreto

1017 – Os cristãos e a libertação dos oprimidos – Paulo Freire

1018 – Os diários de Langsdorff – Vol. 1 – Danuzio Gil Bernardino da Silva

1019 – Os diários de Langsdorff – Vol. 2 – Danuzio Gil Bernardino da Silva

1020 – Os diários de Langsdorff – Vol. 3 – Danuzio Gil Bernardino da Silva

1021 – Os Dois Amores – Joaquim Manuel de Macedo

1022 – Os jesuítas e o apostolado social durante a ditadura militar: a atuação do CEAS – Grimaldo Carneiro

1023 – Os Lusiadas – Camões

1024 – Os Lusíadas – Camões

1025 – Os Maias – Eça de Queirós

1026 – Os médicos no Brasil: um retrato da realidade – Maria Helena Machado

1027 – Os Ouvidos do Conde de Chesterfield e o Capelão Goudman – Voltaire

1028 – Os romances da semana – Joaquim Manuel de Macedo

1029 – Os Sertões – Euclides da Cunha

1030 – Oscar Wilde Miscellaneous – Oscar Wilde

1031 – Oswaldo Cruz: a construção de um mito na ciência brasileira – Nara Britto

1032 – Outras Poesias – Augusto dos Anjos

1033 – Outro Soneto do Prazer Efêmero – Bocage

1034 – Paisagens sígnicas: uma reflexão sobre as artes visuais contemporâneas – Maria Celeste de Almeida

1035 – Parmenides – Platão

1036 – Paulo Freire y los educadores de la calle: una aproximación crítica – Paulo Freire

1037 – Pensées sur l’interprétation de la nature – Denis Diderot

1038 – Peru versus Bolívia – Euclides da Cunha

1039 – Pesquisa em educação escolar: percursos e perspectivas – José Milton Lima e outros

1040 – Pesquisa em educação: métodos e modos de fazer – Marilda da Silva e outros

1041 – Phantasmagoria and Other Poems – Lewis Carroll

1042 – Plead For Me – Emily Brontë

1043 – Poemas – Safo

1044 – Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa

1045 – Poemas de Fernando Pessoa – Fernando Pessoa

1046 – Poemas de Ricardo Reis – Fernando Pessoa

1047 – Poemas em Inglês – Fernando Pessoa

1048 – Poemas em Prosa (Trad. Max Gonçalves Leite Ferreira) – Oscar Wilde

1049 – Poemas Inconjuntos – Fernando Pessoa

1050 – Poemas Selecionados – Florbela Espanca

1051 – Poemas Traduzidos – Fernando Pessoa

1052 – Poems – Emily Dickinson

1053 – Poems – Oscar Wilde

1054 – Poems – T.S. Eliot

1055 – Poems – Series 2 – Emily Dickinson

1056 – Poems: Third Series – Emily Dickinson

1057 – Poesias Inéditas – Fernando Pessoa

1058 – Política de educação no campo: para além da alfabetização (1952-1963) – Iraíde Marques de Freitas Barreiro

1059 – Política de saúde: o público e o privado – Catalina Eibenschutz

1060 – Política e afetividade: narrativas e trajetórias de pesquisa – Manoel Mendonça Filho e outros

1061 – Política e identidade cultural na América Latina – José Luis Bendicho Beired e outros

1062 – Políticas de segurança pública no estado de São Paulo: situações e perspectivas a partir das pesquisas do Observatório de Segurança Pública da UNESP – Luís Antônio Francisco de Souza

1063 – Políticas públicas & desenvolvimento regional – Carlos Alberto Máximo Pimenta e outros

1064 – Políticas públicas para a Educação Infantil no Brasil (1990-2001) – Jani Alves da Silva Moreira e outros

1065 – Poor Folk – Fiódor Dostoiévski

1066 – Poor White – Sherwood Anderson

1067 – Por Uma Arte Revolucionária Independente – André Breton

1068 – Porque sou romancista – José de Alencar

1069 – Portugal na balança da Europa – Almeida Garret

1070 – Pot-bouille – Emile Zola

1071 – Précis du Siècle de Louis XV – Voltaire

1072 – Preocupaciones de un Padre de Familia – Franz Kafka

1073 – Primeiro Fausto – Fernando Pessoa

1074 – Principais mosquitos de importância sanitária no Brasil – Rotraut A. G. B. Consoli e outros

1075 – Produção do cuidado no Programa Saúde da Família: olhares analisadores em diferentes cenários – Marluce Maria Araújo Assis e outros

1076 – Profissão: assistente social – Edméia Corrêa Netto

1077 – Prosas Bárbaras – Eça de Queirós

1078 – Proserpine and Midas – Mary Shelley

1079 – Prufrock and Other Observations – T.S. Eliot

1080 – Psicologia e práticas sociais – Andréa V. Zanella e outros

1081 – PT – A lógica da diferença: o partido dos trabalhadores na construção da democracia brasileira – Margaret E. Keck

1082 – Pulgarcito – Charles Perrault

1083 – Quadros historicos de Portugal – António Castilho Feliciano

1084 – Quaestio de aqua et de terra – Dante Alighieri

1085 – Que fazer: teoria e prática em educação popular – Paulo Freire

1086 – Qué hacer: teoría y práctica en educación popular – Paulo Freire

1087 – Questões da saúde reprodutiva – Karen Giffin

1088 – Recém-nascido de alto risco teoria e prática do cuidar – Maria Elisabeth Lopes Moreira e outros

1089 – Recordações do Escrivão Isaías Caminha – Lima Barreto

1090 – Recursos Críticos: história da cooperação técnica Opas-Brasil em recursos humanos para a saúde (1975-1988) – Fernando A Pires-Alves e outros

1091 – Recursos humanos em saúde no Mercosul – Organização Mundial de Saúde (OMS)

1092 – Redondilhas – Camões

1093 – Reencontros com Paulo Freire e seus amigos – Marlene Montezi Blois

1094 – Regrets sur ma Vieille Robe de Chambre – Denis Diderot

1095 – Regulando a TV: uma visão comparativa no Mercosul – Othon Jambeiro

1096 – Reineke Fuchs – Johann Wolfgang von Goethe

1097 – Relações de complementação no português brasileiro: uma perspectiva discursivo-funcional – Liliane Santana

1098 – Relações sociais e ética – Maria da Graça Correa Jacques e outros

1099 – Religiosidade na revolução francesa – Ignasi Terradas Saborit

1100 – Reliquiae – Florbela Espanca

1101 – Remissão de Pecados – Joaquim Manuel de Macedo

1102 – Representações do senado romano na Ab Urbe Condita Libri de Tito Lívio: livros 21-30 – Marco Antonio Collares

1103 – Reprezentação à Academia Real das Ciências sobre a refórma da ortografia – Governo de Lisboa

1104 – Residências terapêuticas: pesquisa e prática nos processos de desinstitucionalização – Maria de Fátima Araujo Silveira e outros

1105 – Ressurrección – Léon Tolstói

1106 – Resurrection – Léon Tolstói

1107 – Revelación Mesmérica – Edgar Allan Poe

1108 – Revisão crítica das canções para a voz e piano de Heitor Villas-Lobos: publicadas pela Editora Max Eschig – Nahim Marun

1109 – Robur le Conquérant – Júlio Verne

1110 – Roemische Elegien – Johann Wolfgang von Goethe

1111 – Romance de uma Velha – Joaquim Manuel de Macedo

1112 – Sacrificium Laudis: a hermenêutica da continuidade de Bento XVI e o retorno do catolicismo tradicional (1969-2009) – Juliano Alves Dias

1113 – Salome – Oscar Wilde

1114 – São Cristóvão – Eça de Queirós

1115 – Satyros oder Der vergoetterte Waldteufel – Johann Wolfgang von Goethe

1116 – Saúde e desenvolvimento humano – Tânia Gracy Martins do Valle

1117 – Saúde e doença: um olhar antropológico – Paulo César B. Alves e outros

1118 – Saúde e espaço: estudos metodológicos e técnicas de análise – Alberto Lopes Najar e outros

1119 – Saúde e povos indígenas – Ricardo V Santos e outros

1120 – Seleção de Obras Poéticas – Gregório de Matos

1121 – Selected Poems of Oscar Wilde – Oscar Wilde

1122 – Selected Prose of Oscar Wilde – Oscar Wilde

1123 – Selections from Erasmus – Principally from his Epistles – Erasmo de Roterdã

1124 – Senhora – José de Alencar

1125 – Ser Infeliz – Franz Kafka

1126 – Several Works – Emile Zola

1127 – Shall Earth No More Inspire Thee – Emily Brontë

1128 – She Sweeps With Many-Colored Brooms – Emily Dickinson

1129 – Shorter Prose Pieces – Oscar Wilde

1130 – Silence — a Fable – Edgar Allan Poe

1131 – Singularidades de uma Rapariga Loura – Eça de Queirós

1132 – Sistemas de saúde: continuidades e mudanças – Paulo Marchiori Buss e outros

1133 – Snake – Emily Dickinson

1134 – Sobrinha do Marquez – Almeida Garret

1135 – Sociedade política no Brasil pós-64 – Bernardo Sorj e outros

1136 – Son Excellence Eugène Rougon – Emile Zola

1137 – Soneto das Glóridas Carnais” – Bocage

1138 – Soneto do Coito Interrompido – Bocage

1139 – Soneto do Juramento – Bocage

1140 – Soneto do Membro Monstruoso – Bocage

1141 – Soneto do Prazer Maior – Bocage

1142 – Sonetos – Camões

1143 – Song – Emily Brontë

1144 – Sonhos d’oro – José de Alencar

1145 – Sonnet: To Science – Edgar Allan Poe

1146 – Sons and Lovers – David Herbert Lawrence

1147 – Souvenirs de la Maison des Morts – Fiódor Dostoiévski

1148 – Stanzas – Emily Brontë

1149 – Stars – Emily Brontë

1150 – Success is Counted Sweetest – Emily Dickinson

1151 – Suicídio revolucionário: a luta armada e a herança da quimérica revolução em etapas – Claudinei Cássio de Rezende

1152 – Suite de l’Apologie de M. l’ Abbé de Prades ou Reponse à l’Instruction Pastorale de M. l’Évêque d’Auxerre – Denis Diderot

1153 – Summer Shower – Emily Dickinson

1154 – Sun Tzu on the Art of War – Sun Tzu

1155 – Supplément au Voyage de Bougainville – Denis Diderot

1156 – Swann’s Way – (volume 1 of Remembrance of Things Past) – Marcel Proust

1157 – Sylvie and Bruno – Lewis Carroll

1158 – Sympathy – Emily Brontë

1159 – Tales of the Jazz Age – Scott Fitzgerald

1160 – Tecnologia da conservação e da restauração – materiais e estruturas: um roteiro de estudos – Mário Mendonça de Oliveira

1161 – Tecnologia e gestão pública municipal: mensuração da interação com a sociedade – Ricardo César Gonçalves Sant’ana

1162 – Tecnologias digitais na educação – Robson Pequeno de Sousa

1163 – Televisão digital: informação e conhecimento – Maria Cristina Gobbi

1164 – Televisão e Realidade – Itania Maria Mota Gomes

1165 – Tempo presente: do MDB a FHC – Fábio Wanderley Reis

1166 – Tempos de Vargas: o rádio e o controle da informação – Othon Jambeiro e outros

1167 – Teoria quântica: estudos históricos e implicações culturais – Olival Freire Jr. e outros

1168 – The Art of War – Sun Tzu

1169 – The Assignation – Edgar Allan Poe

1170 – The Ballad of Reading Gaol – Oscar Wilde

1171 – The Banquet (Il Convito) – Dante Alighieri

1172 – The Battle of the Books – Jonathan Swift

1173 – The Bells – Edgar Allan Poe

1174 – The Bickerstaff-Partridge Papers – Jonathan Swift

1175 – The Black Cat – Edgar Allan Poe

1176 – The Bluebell – Emily Brontë

1177 – The Brothers Karamazov – Fiódor Dostoiévski

1178 – The Bustle in a House – Emily Dickinson

1179 – The Cask of Amontillado – Edgar Allan Poe

1180 – The Complaint of Peace – Erasmo de Roterdã

1181 – The Devil in the Belfry – Edgar Allan Poe

1182 – The Divine Comedy of Dante: Paradise – Dante Alighieri

1183 – The Divine Comedy of Dante: Purgatory – Dante Alighieri

1184 – The Dream – Emile Zola

1185 – The Duchess of Padua – Oscar Wilde

1186 – The Elder’s Rebuke – Emily Brontë

1187 – The Fat and the Thin – Emile Zola

1188 – The Flood – Emile Zola

1189 – The Forged Coupon and Other Stories – Léon Tolstói

1190 – The Fortune of the Rougons – Emile Zola

1191 – The Gambler – Fiódor Dostoiévski

1192 – The Grand Inquisitor – Fiódor Dostoiévski

1193 – The Happy Prince and Other Tales – Oscar Wilde

1194 – The History of the Psychoanalytic Movement – Sigmund Freud

1195 – The Idiot – Fiódor Dostoiévski

1196 – The Iliad – Homero

1197 – The Importance of Being Earnest – Oscar Wilde

1198 – The Interpretation of Dreams – Sigmund Freud

1199 – The Kreutzer Sonata and Other Stories – Léon Tolstói

1200 – The Kreutzer Sonata et all – Léon Tolstói

1201 – The Lady To Her Guitar – Emily Brontë

1202 – The Metamorphosis – Franz Kafka

1203 – The Mystery of Pain – Emily Dickinson

1204 – The Night-Wind – Emily Brontë

1205 – The Odyssey – Homero

1206 – The Odyssey done into english prose – Homero

1207 – The Old Stoic – Emily Brontë

1208 – The Only News I Know – Emily Dickinson

1209 – The Origin and Development of Psychoanalysis – Sigmund Freud

1210 – The Pedigree of Honey – Emily Dickinson

1211 – The Philosopher – Emily Brontë

1212 – The Picture of Dorian Gray – Oscar Wilde

1213 – The Picture of Dorian Grey – Oscar Wilde

1214 – The Poems of Goethe – Johann Wolfgang von Goethe

1215 – The Possessed – The Devils – Fiódor Dostoiévski

1216 – The Praise of Folly – Erasmo de Roterdã

1217 – The Prisoner – Emily Brontë

1218 – The Psychopathology of Everyday Life – Sigmund Freud

1219 – The Sorrows of Young Werther – Johann Wolfgang von Goethe

1220 – The Soul of Man – Oscar Wilde

1221 – The Trespasser – David Herbert Lawrence

1222 – The Trial – Franz Kafka

1223 – The Two Children – Emily Brontë

1224 – The Visionary – Emily Brontë

1225 – The Voyage Out – Virginia Woolf

1226 – The Wanderer From The Fold – Emily Brontë

1227 – The Waste Land – T.S. Eliot

1228 – There Came a Wind Like a Bugle – Emily Dickinson

1229 – There Is A Word – Emily Dickinson

1230 – There’s a certain slant of light, – Emily Dickinson

1231 – There’s Been a Death in the Opposite House – Emily Dickinson

1232 – Therese Raquin – Emile Zola

1233 – This Is My Letter To The World – Emily Dickinson

1234 – This Quiet Dust was Gentlemen and Ladies – Emily Dickinson

1235 – This Side of Paradise – Scott Fitzgerald

1236 – Thoughts out of Season (Part One) – Friedrich Wilhelm Nietzsche

1237 – Thus spake zarathustra – Friedrich Wilhelm Nietzsche

1238 – Til – José de Alencar

1239 – To Imagination – Emily Brontë

1240 – Tópicos em malacologia médica – Frederico Simões Barbosa

1241 – Torquato Tasso – Johann Wolfgang von Goethe

1242 – Toxicomanias: incidências clínicas e socioantropológicas – Antônio Nery Filho e outros

1243 – Traçando caminhos em uma sociedade violenta: a vida de jovens infratores e de seus irmãos não-infratores – Simone Gonçalves de Assis

1244 – Transas na cena em transe: teatro e contracultura na Bahia – Raimundo Matos de Leão

1245 – Transformação e persistência: antropologia da alimentação e nutrição em uma sociedade indígena amazônica – Maurício Soares Leite

1246 – Três Gênios de Secretária – Lima Barreto

1247 – Twilight in Italy – David Herbert Lawrence

1248 – Ubirajara – José de Alencar

1249 – Ulisses – James Joyce

1250 – Um aprendiz de ciência – Carlos Chagas Filho

1251 – Um Especialista – Lima Barreto

1252 – Um paraíso perdido – Euclides da Cunha

1253 – Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro – Joaquim Manuel de Macedo

1254 – Um Que Vendeu a Sua Alma – Lima Barreto

1255 – Um rigor outro sobre a qualidade na pesquisa qualitativa: educação e ciências humanas – Roberto Sidnei Macedo

1256 – Uma Campanha Alegre – Volume I – Eça de Queirós

1257 – Uma escola para a saúde – Nísia Trindade Lima e outros

1258 – Uma Estação no Inferno – Arthur Rimbaud

1259 – Uma Lágrima de Mulher – Aluísio Azevedo

1260 – Uma nova ciência para um novo senso comum – Marcelo Gomes Germano

1261 – Uma Pupila Rica – Joaquim Manuel de Macedo

1262 – Uma Véspera de Reis – Artur Azevedo

1263 – Un Golpe a la Puerta del Cortijo – Franz Kafka

1264 – Un Medico Rural – Franz Kafka

1265 – Un Mensaje Imperial – Franz Kafka

1266 – Una Ciudad Flotante – Júlio Verne

1267 – Una Cruza – Franz Kafka

1268 – Unterhaltungen deutscher Ausgewanderten – Johann Wolfgang von Goethe

1269 – Varios Cuentos – Franz Kafka

1270 – Veinte Mil Leguas de Viaje Submarino – Júlio Verne

1271 – Verso e Reverso – José de Alencar

1272 – Viagens de Gulliver – Jonathan Swift

1273 – Viaje al Centro de la Tierra – Júlio Verne

1274 – Vida Urbana – Lima Barreto

1275 – Vigilância alimentar e nutricional: limitações e interfaces com a rede de saúde – Inês Rugani R. de Castro

1276 – Vigilância sanitária: temas para debate – Ediná Alves Costa

1277 – Vinte Mil Léguas Submarinas – Júlio Verne

1278 – Visões imaginárias da cidade da Bahia: um diálogo entre geografia e a literatura – Délio José Ferraz Pinheiro

1279 – Vita nuova (Barbera) – Dante Alighieri

1280 – Vita nuova (Bemporad) – Dante Alighieri

1281 – Vozes femininas da poesia latino-americana: Cecília e as poetisas uruguaias – Jacicarla Souza da Silva

1282 – War and Peace – Léon Tolstói

1283 – Warning And Reply – Emily Brontë

1284 – We Like March – Emily Dickinson

1285 – Werther – Johann Wolfgang von Goethe

1286 – West-oestlicher Divan – Johann Wolfgang von Goethe

1287 – What Men Live By and Other Tales – Léon Tolstói

1288 – Wild Nights! Wild Nights! – Emily Dickinson

1289 – Wilhelm Meisters Lehrjahre–Buch 1 – Johann Wolfgang von Goethe

1290 – Wilhelm Meisters Lehrjahre–Buch 2 – Johann Wolfgang von Goethe

1291 – Wilhelm Meisters Lehrjahre–Buch 4 – Johann Wolfgang von Goethe

1292 – Wilhelm Meisters Lehrjahre–Buch 5 – Johann Wolfgang von Goethe

1293 – Wilhelm Meisters Lehrjahre–Buch 6 – Johann Wolfgang von Goethe

1294 – Wilhelm Meisters Lehrjahre–Buch 7 – Johann Wolfgang von Goethe

1295 – Wilhelm Meisters Lehrjahre–Buch 8 – Johann Wolfgang von Goethe

1296 – Winesburg, Ohio – Sherwood Anderson

1297 – Women in Love – David Herbert Lawrence

1298 – Wuthering Heights – Emily Brontë

1299 – Ylosnousemus I – Léon Tolstói

1300 – Youth – Léon Tolstói

Nosso acervo compila downloads de diversas bibliotecas como SciELO BooksInstituto Paulo FreireUniversiaDomínio PúblicoBiblioteca Nacional de PortugalBiblioteca Brasiliana e Projeto Gutenberg.

Narrador em Quincas Borba

O narrador em Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas

Se existem obras que sempre estão nas listas dos mais concorridos vestibulares brasileiros, pode-se afirmar que as obras de Machado de Assis estão sempre nestas listas. A despeito de Dom Casmurro ser – disparado – a mais conhecida obra do autor entre os leitores que estão deixando o ensino médio, neste texto trataremos de duas obras – que não menos estão presentes nestas listas – e um elemento que ora as afasta, ora as aproxima: o narrador em Memórias Póstumas de Brás Cubas e em Quincas Borba.

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O narrador Machadiano

O narrador em Quincas Borba está em terceira pessoa (ou é heterodiegético), recurso que não é muito comum aos narradores de Machado de Assis.  Bom, é interessante notar que ao se passar de um narrador em primeira pessoa para um narrador em terceira pessoa, há um afastamento entre o narrador e as personagens, o narrador e o objeto narrado, e isto será um dos pontos chaves do narrador em Quincas Borba, pois a despeito deste distanciamento, o narrador incorporará recursos, como o discurso indireto livre, para se alinhar ao estilo dos narradores machadianos.

Contrariamente a este tipo de narrador, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, temos um narrador personagem, em primeira pessoa (autodiegético). Brás Cubas é um narrador agressivo, que a todo o momento interpela o leitor e comunica-se quase que de forma impiedosa com quem está lendo. Para que isso seja possível, o narrador – Brás Cubas – contará sua história a partir de um não-lugar, afinal está morto, podendo assim agir de maneira que não haja nenhum impedimento especialmente moral em sua narração: esta se daria sem algumas barreiras e/ou laços de valores mundanos, por assim dizer.

O melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria curioso, mas nimiamente extenso, aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus. (Ao Leitor, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Apesar destas diferenças, assim como Brás Cubas, o narrador em Quincas Borba é também extremamente agressivo. Ele orienta e interfere na leitura a todo o momento, tal como a maioria dos narradores Machadianos e sua “pedagogia do leitor”, de maneira até a possibilitar uma leitura pretendida da obra. Mas, ao contrário de Brás Cubas, em Quincas Borba o narrador não está morto e também não é personagem do enredo, mas ainda sim encontra a artimanha de isolar-se quase que naquele mesmo não-lugar das memórias póstumas, de maneira a manter certa permissividade à sua intransigência e agressividade. Mas como? Simples: o narrador heterodiegético se afasta das personagens, ainda que sem se afastar do enredo, pela consciência que tem deste (onisciência, em Quincas Borba), e pode continuar a ser um “narrador com temperamento em sua essência” sem que isso seja necessariamente uma característica constitutiva da personagem – o que acontece quando o narrador é a personagem que conta sua história, por exemplo.

E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida. (Capítulo 45, Quincas Borba)

Ao se afastar assim das personagens, o narrador pode interpelar o leitor e também as personagens a todo o momento, da mesma maneira ácida e irônica que já fazia o póstumo Brás Cubas – que, aliás, lembremos, era amigo de infância de Quincas– sem que lhe ponham tantos limites morais, ou que o leitor tome por outro viés a história da personagem através da índole do narrador.

Por outro lado, esse afastamento que Machado produziu no narrador de Quincas Borba, também serve para demonstrar justamente a ingenuidade da personagem principal, Rubião. O narrador irá contar a história do malfadado professor de Barbacena, que tem sua ascensão devida a uma herança recebida do falecido amigo Quincas Borba e que passa a viver na corte acabando por degradar-se e pagar o preço da ostentação do capitalismo selvagem, presente na sociedade (e ainda hoje) retratada – ainda que alegoricamente – na obra.

O narrador como mediador da verdade

Rubião é enganado a todo o momento e deveras não desconfia disso. Enriqueceu a todos os seus amigos que fizera na corte, todo o seu circulo social se alimentava dele que, afinal, ainda era o mesmo malfadado professorzinho de Barbacena e que, no entanto, passara a administrar larga fortuna. Fica claro que aos amigos interessavam justamente a sua fortuna, pois Rubião era o mesmo bronco que há pouco saíra do interior de Minas Gerais para a capital fluminense. Mas, no decorrer da narrativa, tais ambições de seu círculo social talvez não sejam notadas assim de maneira tão clara. Nota-se sim, que se rende aos amores de Sofia e que, a partir deste momento, passa a dedicar à ela cada hora de seu dia – afinal, vivia o Rubião no ócio da vida abastada. Mas não se dá logo de cara que Palha, ao saber dos amores de Rubião por Sofia, explora tal sentimento como também como condiciona a mulher a alimentar Rubião de esperança, de modo a manter a amizade e, por fim, assegurar para si o dinheiro de Rubião.

Note que, se fosse Rubião que narrasse sua história, para que pudéssemos notar tais desfechos nas entrelinhas da obra, ele teria de ser consciente da sua ingenuidade, e na obra ele não o é, o que mudaria completamente o sentido da obra. Portanto, o narrador em terceira pessoa tem justamente este papel: o de afastar-se da consciência da personagem. Sem esse dado, a constituição do Rubião, tal como ele é apresentado no livro, não seria possível, pois se soubesse que era enganado por quase todos os outros, a personalidade do personagem não seria a mesma e por certo que o mesmo enredo e desfecho seriam improváveis.

É assim que o narrador mostra a vida de Rubião, desfrutando os prazeres da vida abastada e dos círculos sociais estimados, muitas vezes com gosto, outras com desgosto – assim como acontece em qualquer experiência/vivência humana. Mas nunca, nunca Rubião soube da maneira em que vivia e na trama que estava inserido. Talvez soubesse quando, quase ao fim de sua história, começa a tornar-se outro, mais astuto que o rapaz do interior, mas não há tempo: a loucura chega e o arrebata subitamente.

Concluindo: a narração travessa de Machado de Assis

Rubião e Sofia, por Eduardo Schloesser, 2011.
Rubião e Sofia, por Eduardo Schloesser, 2011.

O narrador, como pode ser visto, é o intermediador entre o leitor e a verdade. É ele quem tratará de concedê-la ao leitor em doses minuciosamente calculadas e ainda permeadas de truques, “mentiresas”, que minam o caminho do leitor.

Numa análise mais profunda, nota-se que o narrador engana o leitor, assim como Rubião é enganado por seu círculo social. O capítulo 106 é a mostra mais clara disso. O narrador, até então permeou a obra com dicas, suposições, de modo a alimentar a suspeita do caso entre Sofia e Carlos Maria. Assim, atribui ao leitor e a Rubião a culpa por terem seguido tal pensamento, eximindo-se de qualquer culpa pelos fatos narrados. Lembremo-nos que, no início da obra, o narrador adverte que o leitor deverá realizar uma leitura atenta de todos os pormenores, e aqui o acusa de não seguir seu conselho.

Dessa maneira, forma-se quase um paralelo entre a ingenuidade do leitor em acreditar no narrador, que na verdade foi quem o levou a tal conclusão do episódio, e também Rubião na trama do ciúme. Rubião não dá atenção aos pormenores porque está justamente ligado à tensão que propicia seu amor por Sofia. Não nota o enriquecimento e o prosperar de Palha, não nota que Camacho o enche de bajulações a troco de sua fortuna, tampouco que seus convivas, aparentemente interessados na filosofia que supostamente Quincas Borba haveria transmitido a seu aprendiz, sugam sua fortuna em troca de certo aconchego social. São parasitas, como Machado certamente gostava de chamá-los.

Outro recurso interessante utilizado pelo narrador é a aproximação do leitor. Ao contrário de Brás Cubas, aqui o narrador não se utilizará de palavras de baixo calão ou que remetem a baixeza. Ele tratará bem o leitor: “meu caro”, “minha senhora”, “meu senhor”, etc. Mas isto não quer dizer que ele seja menos duro, pelo contrário, a rispidez e a agressividade do narrador aqui se dão pela sutileza; ele encherá o leitor de elogios para, em determinados momentos, tomar as rédeas da narração de maneira brutal e tirar sua razão, virar seu mundo ao avesso e sempre de maneira intransigente e ríspida. A maneira de narrar condiz com o livro que é, num todo, preenchido de ironia. Um retrato irônico do Brasil colonial, de suas classes sociais, de sua política, economia e de seus representantes.

Assim, finalizo com uma constatação do crítico Hélio de Seixas Guimarães: “Completa-se assim o procedimento básico do narrador de Quincas Borba: apresentar-se confiável e generoso nos conselhos apenas para agravar a acusação de incompetência do seu interlocutor, incapaz até mesmo de aplicar os procedimentos que lhe foram sugeridos pelo narrador”.  Portanto, leitor, cuidado.

Obras de Machado de Assis no cinema

As duas obras de Machado de Assis ganharam adaptações para o cinema. Quincas Borba, de 1987, foi adaptado e dirigido por Roberto Santos e conta com nomes como Laura Cardoso, Paulo Villaça e Walter Forster no elenco. Já a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas ganhou duas adaptações: Brás Cubas (1985) e Memórias Póstumas (2001). O longa de 1985 foi adaptado por Antônio Medina e dirigido por Júlio Bressane e conta com Luiz Fernando Guimarães e Regina Casé no elenco.

Já o filme de 2001 teve o texto adaptado por José Roberto Torero e foi dirigido por André Klotzel. O longa é uma parceria luso-brasileira e conta com Reginaldo Faria, Marcos Caruso, Sonia Braga, Otávio Muller e Walmor Chagas no elenco. Confira os filmes completos (disponíveis no Youtube):

Quincas Borba – 1987

Brás Cubas – 1985

Memórias Póstumas – 2001

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Por que um escritor escreve? 15 autores respondem

O que leva uma pessoa a escrever? E a consagrar-se como escritora? Muitas vezes fazemos estas perguntas à nós mesmos, escritores amadores, que têm seus blogs ou caderninhos para mostrar seus escritos por aí. Mas o que responderiam os grandes escritores a esta pergunta?

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Para que serve a literatura? O que leva alguém a escrever?

Por certo que se espera haver mais nessa resposta – tanto na “nossa”, quanto na deles – que alguma razão eminentemente pessoal, de gosto, mas nem sempre é assim. Também deve-se ter em mente que essa pergunta carrega consigo outros questionamentos tão importantes e aparentemente difíceis como responder sobre a motivação que leva um escritor a escrever. O que é literatura? Para que serve? O que é um escritor? Para que serve um escritor? Perguntas profundas, de difícil resposta – ainda que essa resposta pretenda ser a mais objetiva possível. Como bem lembrado numa postagem de Alejandro Gamero, do blogue La Piedra de Sísifo, e que me inspirou e levou a escrever esta nova postagem, um texto fundamental para compreender as perguntas feitas há pouco é o ensaio Literatura para quê?, de Antoine Compagnon.

Claro que, muitas vezes, fica evidente na resposta do escritor um discurso do qual ou é herdeiro, ou afirma e reafirma. Cada escritor tem seu modo de pensar e também seu modo de escrever. Outro trabalho interessante que talvez remeta ao tema é o da professora, pesquisadora e crítica literária Regina Dalcastagnè, que também serviu de insumo para um interessante infográfico.

Mas, afinal, por que um escritor escreve?

“Navegar é preciso; viver não é preciso”. Pois bem, nesta tarde de resfriado e dores no corpo naveguei pela internet procurando por textos, entrevistas, qualquer registro escrito que fosse que pudesse responder à pergunta: e você, escritor, por que escreve? E, como base, resolvi utilizar os seguintes como insumo para este post: Por qué escribo,  “O escritor não transcreve a vida, inventa a vida”A última entrevista de Guimarães RosaMia Couto: ‘Escrevo para acalmar os fantasmas’Luandino Vieira: “Nunca parei de escrever”Um Escritor na Biblioteca: Luiz Ruffato.

Antes de tudo já informo que é uma lista e, como toda a lista, é arbitrária. Mas, vá lá, seguem as respostas – diretas e indiretas – à pergunta que proponho neste texto:

Héctor Abad Faciolince

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Héctor Abad Faciolince

Porque meu cérebro se comunica melhor através de minhas mãos do que através da língua. Porque o papel é um filtro, uma couraça, entre minhas palavras e os olhos do leitor. Porque me odeio menos escrevendo que falando. Porque enquanto escrevo posso me corrigir, escolher, uma por uma, as palavras e nada me interrompe, nem se desespera enquanto as encontro. Porque é um vício solitário e ameno.

Milton Hatoum

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Milton Hatoum

O grande desafio do escritor é transformar a sua experiência em linguagem. Todo mundo tem uma experiência, que pode ser mais rala, mais livresca, que pode ser uma experiência de leitura, de vida aventureira ou não. A questão da literatura é como isto se transforma em linguagem. A imaginação, que é o que para mim dá força à literatura, tem que traduzir esta experiência. O valor da arte está ligado à força da imaginação.

John Banville

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Escrevo porque não sei escrever. Um jornalista uma vez perguntou a Gore Vidal porque escreveu Myra Breckinridge, ao que o respondeu: “Porque não estava ali”. Foi uma boa resposta. Colocar algo novo no mundo é um privilégio que não se concede a muita gente. E, ademais, a realidade só é real para mim depois de ter passado pelo crivo das palavras. Por isso, suponho que escrevo para imaginar a realidade completamente real. A arte cria a vida, disse Henry James, e assim o é.

Umberto Eco

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Umberto Eco

Porque gosto.

Felipe Benítez Reyes

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Felipe Benítez Reyes

Se alguém te pergunta o porquê se escreve, é comum que se recorra a alguma frase mais ou menos engenhosa, e quase todas as frases engenhosas têm um grau oscilante de falsidade. Isto geralmente implica uma ligeira alteração do sentido em benefício da formulação da frase. Não sei porque escrevo, tampouco tenho interesse em saber o porquê. Neste caso, preocupo-me mais com o “como” do que com o “por que”. A pergunta parece escorregadia, pois qualquer resposta possível não passaria de uma pirueta no vazio. Embora – quem sabe –, se escreva para isto: para conseguir respostas sem a necessidade de uma pergunta, para ensaiar essas piruetas no vazio, que por si jê é um território literário muito fértil.

João Guimarães Rosa

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Escrever, para mim, é como um ato religioso. Tenho montes de cadernos com relações de palavras, de expressões. Acompanhei muitas boiadas, a cavalo, e levei sempre um ca­derninho e um lápis preso ao bolso da camisa, para anotar tudo o que de bom fosse ouvido — até o cantar de pássaros. Talvez o meu trabalho seja um pouco arbitrário, mas se pegar, pegou. A verdade é que a tarefa que me impus não pode ser só realizada por mim.

John Boyne

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - John Boyne

Como a maioria dos escritores, não escrevo por ter escolhido. Escrevo porque tenho que escrever. Escrevo porque estou tentando me entender, entender minha vida, a razão porque nasci, a explicação do por que morrerei e descubro que só posso compreender isso tudo entrando no universo habitado pelos personagens que nascem da minha imaginação. Escrevo porque as histórias entram em minha mente e não as deixo ir até que escrevo 26 letras no teclado e as faço aparecer na tela diante de meus olhos. Escrevo por Charles Dickens e George Orwell; por John Irving e Colm Toibin. Escrevo porque aprecio a sensação de ter um livro em minhas mãos e outro em minha mente. Escrevo porque as palavras me encantam. Escrevo porque leio. Escrevo porque sempre quero que haja uma continuação.

José Manuel Caballero Bonald

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - José Manuel Caballero Bonald

Comecei a escrever porque queria ser Esproceda [poeta espanhol José de Esproceda]. Já falei sobre isso por aí, algumas vezes. Um dia encontrei, na casa de minha família, uma biografia do poeta e fiquei fascinado por alguém que morreu com 33 anos e havia vivido grandes aventuras: fundou uma sociedade secreta, sofreu perseguições e prisões, esteve exilado em Lisboa e Londres, combateu nas barricadas de Paris, foi guarda-costas e deputado, viveu amores difíceis, lutou heroicamente contra o absolutismo, etc. Pois bem, como eu não podia imitar Esproceda em tantas e tão particulares façanhas, escolhei o que me era mais fácil: tê-lo como inspiração e escrever poesia. Logo, com a vinda dos anos, minha paixão pela leitura foi ativando em mim uma dedicação também à escrita. E é assim até hoje.

José Luandino Vieira

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Luandino Vieira

Fui sempre escrevendo. Pelo menos fui sempre armazenando. Como fui vendo sempre a realidade em termos de literatura, o que é defeito meu, porque muitas vezes subestimo, outras vezes sobreestimo as pessoas, e os sentimentos das pessoas. É sempre uma alienação, uma fuga – protejo-me de que seja uma falta de respeito. Ao ver assim essa realidade, sempre, eu guardo-a já transformada em literatura na minha cabeça. Daí dizer que estou sempre a escrever. Vivo intensamente o real, mas o que armazeno é já literatura.

Ken Follett

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Ken Follet

Quando me levando pela manhã, a primeira coisa em que penso é escrever a próxima cena de algum livro meu. É o que eu mais gosto. É fantástico dedicar-se a algo que se sabe fazer bem. Gosto de escrever, mas gostar é uma palavra que parece não ser suficiente. O ato de escrever me apaixona. Envolve todo meu intelecto, minhas emoções, compreendendo o que sei do mundo e como funciona o ser humano. Tudo parte do desafio de enfeitiçar meus leitores. Meu trabalho me absorve completamente.

Carlos Fuentes

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Porque respiro.

Nélida Piñon

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Nélida Piñon

Eu tenho a esperança de que a narrativa nunca vai me abandonar, de que continue estando em todas as partes. De que, como companheira de meus dias, irradie os caprichos humanos, os interstícios do mistério, frequentes nos pontos cardeais da minha existência.

Escrevo porque o verbo provoca em mim um desassossego, aguça os mil instrumentos da vida. E porque, para narrar, dependo da minha crença na mortalidade. Com a fé de que uma história bem contada me bote às lágrimas. Sobretudo quando, no meio de uma exaltação narrativa, há amores contrariados, despedidas prejudiciais, sentimentos ambíguos, sem nenhuma lógica. Escrevo, em conclusão, para conseguir uma passagem para percorrer o labirinto humano.

Mario Vargas Llosa

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Mário Vargas Llosa

Escrevo porque aprendi a ler desde menino e a leitura me trouxe tanto prazer, me fez viver experiências tão ricas, transformou minha vida de uma maneira tão maravilhosa que suponho que minha vocação veio como uma transpiração, um libertar para essa enorme liberdade que me dava a leitura.

De certa forma, a escrita tem sido como um reverso, ou um complemente indispensável para essa leitura, que para mim continua sendo a experiência máxima, a mais enriquecedora, a que mais me ajuda a enfrentar qualquer tipo de adversidade ou frustração. Por outro lado, escrever, que pelo princípio é uma atividade que incorpora a sua vida com a dos outros, com o exercer da escrita ela vai se convertendo em seu modo de vida, numa atividade central, aquela que domina absolutamente sua vida.

A famosa frase de Flaubert, que sempre cito, “Escrever é uma maneira de viver”. No meu caso, tem acontecido exatamente isso. A escrita tem se convertido no centro de tudo o que faço, de tal maneira que não poderia imaginar uma vida sem a escrita e, claro, sem seu complemento indispensável, a leitura.

Mia Couto

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Mia Couto

O escritor escreve para acalmar os seus próprios fantasmas interiores. Tenho descoberto que as pessoas com quem gosto mais de falar são aquelas que não têm voz. Existe um jogo de adivinhação que gosto de fazer, que é o de questionar alguém que nunca foi chamado para dizer nada. O que é que essas pessoas gostariam de dizer? É isso que me faz correr.

Luiz Ruffato

Por que um escritor escreve 15 autores respondem - Luiz Ruffato

Trabalho desde os seis anos de idade, então eu sei exatamente o valor do trabalho, quanto a isso nunca tive dúvida. O trabalho tem que ser pago. Em 1998, quando publiquei meu primeiro livro, fiz uma projeção para mim: Em dez anos iria abandonar o jornalismo para viver de literatura. Mas aconteceu uma coisa no meio do caminho: Três anos depois, eu publiquei Eles eram muitos cavalos, que foi um grande sucesso, com reedições contínuas. Então, em 2003, cinco anos depois do meu primeiro livro, consegui sair do jornal, onde ocupava uma posição bastante confortável. Meus amigos mais próximos tentaram me fazer ir ao psiquiatra antes. Mas eu pensei que, se não desse certo, voltaria ao jornalismo, sem nenhum problema. Mas eu queria tentar viver de literatura. Naquele mesmo ano, recebi propostas para escrever roteiros para a Rede Globo e para cinema. Mas nunca quis fazer nada disso. Eu queria viver de literatura, dos meus livros. Desde então, venho renovando o contrato comigo mesmo.

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Todos os livros de Foucault em português para baixar [LIVROS GRÁTIS]

Michel Foucault (1926-1984) foi um historiador e filósofo francês, associado aos movimentos estruturalistas e pós-estruturalistas. Ele teve forte influência não apenas na filosofia, mas também em uma ampla gama de disciplinas científicas humanísticas e sociais. Neste post, trazemos todos os livros de Foucault para download gratuito, disponibilizados pelo blog do Grupo de Estudos Foucaultianos.

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Michel Foucault e o Brasil

Foucault visitou o Brasil em 1975 e, mais brevemente, em 1976. Na primeira viagem, uma ênfase especial é dada à conduta de Foucault quando o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado nos porões da ditadura militar. Na segunda visita, o foi amplamente monitorado pelos serviços de inteligência e isso era enfatizado pela imprensa da época, tanto a alternativa, notadamente a anarquista, na divulgação de suas palestras e pensamentos, quanto na tradicional, onde o enfoque partiu para o “suspeitado” pelo Estado.

Embora Foucault nunca tenha escrito uma obra particular sobre mídia, sua concepção de filosofia como jornalismo radical é posta em conexão com tais eventos na tentativa de articular narrativas históricas e crítica do presente.

Livos de Michel Foucault para download gratuito em português


A história da loucura na idade clássica

FOUCAULT, Michel. São Paulo: Perspectiva, 1978. Neste livro, o autor põe em xeque concepções firmadas sob o rótulo de possíveis verdades científicas, como no campo da medicina psiquiátrica, em que sua análise crítica atingiu a operacionalidade terapêutica das noções tradicionais de sanidade e loucura.


Doença Mental e Psicologia

FOUCAULT, Michel. Editora: Tempo Brasileiro. Revolucionário, este texto fundador, prenúncio da genialidade que caracteriza a obra do Autor, observa, com espantosa argúcia, que a «psicologia só foi possível quando se aprendeu a dominar a loucura». Aqui a demência é considerada a uma nova luz. Uma obra essencial para compreender um dos temas fulcrais do pensamento contemporâneo.


O Nascimento da Clínica

Fouucalt, Michel. Tradução Roberto Machado. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1977.

Esta obra procura examinar o novo tipo de configuração que caracteriza a medicina moderna e suas conexões com o surgimento de novas formas de conhecimento e novas práticas institucionais.


As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas

FOUCAULT, Michel. 8° ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. As ciências humanas são mais do que um saber – elas são uma prática, elas são instituições. Michel Foucault, ao analisar a gênese e a filosofia das ciências, mostra como é recente o aparecimento do ‘homem’ na história do nosso saber.


Arqueologia do saber

FOUCAULT. Michel. A obra ‘A arqueologia do saber’, de Michel Foucault, é a efetiva elaboração do pensamento filosófico do autor no sentido de solidificar as bases investigativas da ciência, sobretudo ao promover uma revisão dos conceitos que enfatizam a natureza da história epistemológica.


A ordem do discurso: aula inaugural no collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970

FOUCAULT, Michel. 5 ed. São Paulo: Loyola , 1996. Nesse livro, Foucault procura analisar a relação entre as práticas discursivas e as diversas formas de poder que as permeiam.


Isto não é um Cachimbo

Foucault, Michel. Tradução Jorge Coli. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2008. Contemplando a obra de René Magritte, Foucault desenvolve uma reflexão sobre questões fundamentais dentro das artes plásticas: a similitude e a representação, a relação entre texto e desenho, o signo verbal e a representação visual. Importante contribuição para o estudo da arte, sua história.


Vigiar e punir: nascimento da prisão

FOUCAULT, Michel. 20 ed. Petrópolis: Vozes, 1999. Esta obra é um estudo científico sobre a evolução histórica da legislação penal e respectivos métodos coercitivos e punitivos adotados pelo poder público na repressão da delinqüência. Os métodos vão da violência física até instituições correcionais.


História da Sexualidade I: A Vontade de Saber

FOUCAULT, Michel. Editora: Graal. A sexualidade tem sido bruscamente censurada, reprimida pela sociedade, depois de ter vivido em liberdade de palavras e atos? Segundo Foucault, a sociedade capitalista não obrigou o sexo a esconder-se. Ao contrário, desde o século XVI e principalmente a partir do último século, o sexo foi incitado a se confessar, a se manifestar.


História da Sexualidade II: O uso dos prazeres

FOUCAULT, Michel. Editora: Graal. Nesta segunda parte de História da sexualidade, Foucault modifica o seu projeto original, que era de falar da sexualidade no século XIX e volta à Antigüidade, analisando as práticas existentes em torno do sexo na Grécia Antiga. Foucault não aceita a hipótese repressiva pela qual a sexualidade é reprimida pelo sistema. Para ele, a sociedade capitalista liga prazer e poder.


História da Sexualidade III: O cuidado de si

FOUCAULT, Michel. Editora: Graal. Foucault vai até a Antiguidade clássica, do império greco-romano para investigar as reflexões morais sobre o sexo, a relação com o precursor da moral cristã – o prazer sobre profundas alterações, ganhando força o ideal de suportar a privação do sexo, limitando-se seu uso ao casamento e à procriação.


Ditos e Escritos III – Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema

FOUCAULT, Michel. Organizador: Manoel Barros da Motta. Editora: Universitária Forense. Foucault analisa obras que, diante da perspectiva humanista dominante na episteme da modernidade através do que poderíamos chamar de orientação nietzschiana na filosofia, criaram uma literatura que é uma alternativa às problemáticas do sentido, da vida e da linguagem dominantes na fenomenologia e no existencialismo, e que para ele se apresentavam como “sufocantes”.


Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão

Rio de Janeiro, Graal, 1977. Este livro é o resultado de um trabalho de equipe realizados no College de France sob a direção de Michel Foucault, reunindo as peças judiciárias do processo e desenvolvendo análises sobre aspectos jurídicos e psiquiátricos do caso luz das conceituações atuais.


Nietzsche, Freud e Marx

FOUCAULT, Michel. São Paulo: Princípio, 1997.


Microfísica do Poder

FOUCAUL, Michel. Tradução e Organização: Roberto Machado.Editora Graal,  A obra traz vário artigos e entrevistas que possuem como tema central a questão do poder na sociedade capitalista: na sua natureza, seu exercício e suas instituições.


Segurança, Território, População

Michel Foucault. Editora: Martins Fontes. Partindo do problema do biopoder, ele se propõe estudar a implantação, no século XVIII, dessa nova tecnologia de poder, distinta dos mecanismos disciplinares, que tem por objeto a população, e gerenciá-la a partir do conhecimento de suas regularidades específicas. Tese original que este curso formula do liberalismo como racionalidade governamental baseada no princípio do laisser-faire.


O nascimento da biopolítica: curso dado no collège de France (1978-1979)

FOUCAULT, Michel. [tradução de Eduardo Brandão]. São Paulo: Martins Fontes, 2008. Depois de mostrar como, no século XVIII, a economia política assinala o nascimento de uma nova razão governamental – governar menos, por uma preocupação de eficácia máxima, em função da naturalidade dos fenômenos com que se tem de lida.


Do Governos do vivos: cursos no collège de France (1979-1980): aulas de 9 e 30 de janeiro de 1980

Editora: CCS. Entre outras questões, a obra aborda como foram constituídas as formas de obediência, como foi possível ao indivíduo moderno a relação estabelecida dele mesmo com práticas sistemáticas de renúncia da vontade, da liberdade e de si mesmo e do que procede, nas sociedades ocidentais, a prática da ‘servidão voluntária’.


O Governo de Si e dos Outros

Tradução Eduardo Brandão. Martins Fontes. Qual governo de si deve ser o fundamento e o limite ao governo dos outros? A partir desta questão, Foucault se situa em relação à herança filosófica e problematiza o status da sua própria fala.


A verdade e as formas jurídicas

3ed.  Rio de Janeiro: NAU editora, 2002.FOUCAULT, Michel. Nas conferências reunidas nesta obra, o autor pretende mostrar que as condições políticas, econômicas de existência não são um véu ou um obstáculo para o sujeito do conhecimento, mas aquilo através do que se formam os sujeitos de conhecimento e, conseqüentemente, as relações de verdade.


Em defesa da sociedade curso no collège de France

Foucault se interroga sobre a pertinência do modelo da guerra para analisar as relações de poder.


A Hermenêutica do Sujeito

Curso no Collège de France.
Foucault apresenta uma investigação da noção de ‘cuidado de si’ que organiza as práticas da filosofia. Ao descrever o modo de subjetivação antiga, ele busca tornar patente a precariedade do modo de subjetivação moderno.

Sobre Michel Foucault

Foucault nasceu em Poitiers, França, em 15 de outubro de 1926. Como estudante, ele foi brilhante, mas psicologicamente atormentado. Tornou-se academicamente estabelecido durante a década de 1960, ocupando uma série de posições em universidades francesas, antes de sua eleição em 1969 para o ultra-prestigioso Collège de France, onde foi professor de História de Sistemas de Pensamento até sua morte. A partir dos anos 1970, Foucault foi muito ativo politicamente. Ele foi um dos fundadores do Groupe d’information sur les prisons e muitas vezes protestou em nome de grupos marginalizados. Frequentemente lecionava fora da França, particularmente nos Estados Unidos, e em 1983 concordara em lecionar anualmente na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Uma das primeiras vítimas da AIDS, Foucault morreu em Paris em 25 de junho de 1984. Além de trabalhos publicados durante sua vida, suas palestras no Collège de France, publicadas postumamente, contêm importantes elucidações e extensões de suas idéias.

Pode-se questionar se Foucault é de fato um filósofo. Sua formação acadêmica foi em psicologia e sua história, bem como na filosofia, seus livros eram principalmente histórias de ciências médicas e sociais, suas paixões eram literárias e políticas. No entanto, quase todas as obras de Foucault podem ser reproduzidas fracamente como filosóficas em uma ou ambas as duas maneiras: como realizar o projeto crítico tradicional da filosofia de uma maneira nova (histórica); e como um engajamento crítico com o pensamento dos filósofos tradicionais. Este artigo irá apresentá-lo como um filósofo nestas duas dimensões.