como funciona o assento ejetável

Assento ejetável: como funciona?

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Ao baixar a máscara sobre o rosto, o piloto dispara um canhão que o salva da morte.

No final da Segunda Guerra Mundial, tornava-se cada vez mais difícil escapar de pára-quedas dos aviões militares em casos de emergência. E o advento dos jatos, com uma velocidade muito superior à dos aparelhos antecessores, eliminou totalmente a possibilidade de sucesso num salto direto do avião. Por volta de 1944, surgiu na Inglaterra a ideia do assento ejetável, como a melhor maneira de salvar a vida de um piloto em situação de perigo. De fato, o assento ejetável tornou-se um dos dispositivos mais importantes dos modernos aviões militares: um dos diversos modelos existentes, o Martin-Baker, já salvou a vida de mais de 3.400 pilotos.

foto de assento ejetável em funcionamento
Em situação de emergência, o piloto aciona seu assento ejetável e é imediatamente projetado para fora do aparelho. O sistema é operado por uma pequena alavanca situada entre os joelhos ou acima da cabeça do piloto, ou ainda por uma máscara que, uma vez baixada, além de acionar o mecanismo de ejeção, protege o rosto do piloto, evitando o violento golpe de ar. O foguete propulsor lança o piloto junto com o assento a uma altura de até 90 metros do avião, suficiente para que o pára-quedas se abra com segurança (mesmo que seja disparado do solo). Este sistema de ejeção é fundamental para os aparelhos de decolagem vertical porque, atirando o piloto para bem longe do avião, proporciona muito maior segurança.

Em uma circunstância de emergência o assento ejetável é acionado e lançado para fora do aparelho, juntamente com o piloto. Uma série de dispositivos garante a segurança da operação, evitando que o piloto seja atingido por alguma parte do avião e venha a perder seu pára-quedas. O lançamento é provocado por um canhão ejetor fixado verticalmente atrás do encosto do assento, ou por um foguete.

diagrama do assento ejetável com piloto desenhado

O propulsor é suficientemente poderoso para atirar o assento a uma boa distância do avião. Os foguetes que equipam alguns assentos permitem alcançar uma altura de até 90 metros acima do aparelho. Essa distância é suficiente para que o pára-quedas do piloto abra completamente, mesmo que o lançamento seja feito ao nível do solo, com o avião parado. O foguete é colocado sob o assento e acionado assim que deixa a cabina. Esse dispositivo é muito importante nos modernos aparelhos de decolagem vertical e de decolagem curta, mas também salva pilotos de qualquer avião em “picada” a baixa altitude.

O assento ejetor pode ser acionado de duas maneiras distintas. A primeira utiliza uma alavanca, colocada acima da cabeça do piloto ou entre seus joelhos. A outra é por meio de um anteparo que o piloto puxa sobre o rosto. neste caso, além de iniciar a ejeção, o anteparo também protege seu rosto contra o golpe de ar. Uma vez acionado o mecanismo de ejeção, a cobertura da cabine é atirada para fora e um cartucho é aceso. Sua chama acende outros cartuchos colocados no canhão ejetor e também o foguete (se houver), produzindo então o impulso necessário.

Como funciona o pára-quedas do assento ejetável?

passo a passo do acionamento do assento ejetável

Até mesmo o assento ejetável equipado com foguete possui um acionador manual que permite ao piloto soltar o pára-quedas principal e preparar-se do assento, antes que o disparador de tempo comece a funcionar e desenvolva essa operação automaticamente. As principais fases do funcionamento do assento de ejeção podem ser observadas neste gráfico:

  1. O piloto baixa o anteparo facial, acionando o mecanismo de ejeção;
  2. O teto da cabina é lançado para fora;
  3. O assento começa a ser ejetado e o piloto encolhe as pernas presas por correias e fios;
  4. Meio segundo após a ejeção, o canhão dispara o projétil que tira o drogue de seu pequeno receptáculo;
  5. O drogue estabiliza o assento e reduz a velocidade;
  6. O disparador de tempo transfere o ponto de apoio do drogue para a cobertura do pára-quedas principal, soltando o anteparo facial e o conjunto de fios e correias das pernas do piloto;
  7. O pára-quedas pequeno (drogue) puxa e desdobra o pára-quedas principal, livrando o piloto do assento e permitindo que este caia;
  8. Com o pára-quedas totalmente aberto, o piloto desce normalmente e com toda a segurança;

Quando o assento deixa o avião, abre-se um pequeno pára-quedas, chamado drogue, que fica preso ao encosto da cabeça, na parte superior do assento. Para assegurar um rápido e eficiente desdobramento, um pesado projétil disparado pelo canhão instalado no alto do assento extrai, à força, o drogue de seu receptáculo. A função desse pequeno pára-quedas é estabilizar a posição do assento e reduzir sua velocidade, até um ponto em que o pára-quedas principal possa abrir sem perigo de arrebentar.

No momento em que a velocidade diminui o suficiente, um disparador de tempo, controlado pela pressão barométrica, liberta o drogue da parte superior do assento, transferindo sua força de arrasto para a cobertura do pára-quedas principal do piloto, que é retirado de seu invólucro e desdobrado no ar. Simultaneamente, o disparador de tempo solta os cintos que mantêm o ocupante preso ao assento, permitindo que ele desça normalmente de pára-quedas.

Se a ejeção ocorre acima de 3 mil metros, a ação do disparador de tempo é retardada pelo controle da pressão barométrica, que reage à pressão atmosférica como um altímetro aneroide, ou barômetro. Quando a abertura do pára-quedas é atrasada até essa altura, o assento e seu ocupante, estabilizados pelo pára-quedas pequeno, descem rapidamente através do ar frio e rarefeito da atmosfera superior. O assento possui também uma reserva de oxigênio para o ocupante, que é ligada durante a ejeção.

Toda essa seqüência é automaticamente controlada, desde o momento em que o piloto aciona o mecanismo de ejeção até sua aterrissagem de pára-quedas. Entretanto, se o mecanismo automático falha, o ocupante do assento ejetor pode intervir, abrindo manualmente seu pára-quedas por meio de um cordão.

Além do pára-quedas, todo piloto leva também um pacote contendo alimentos e equipamentos que garantem sua sobrevivência, em caso de aterrissagem em ambiente hostil. Assim, se ele descer em um lago ou no mar, poderá utilizar uma balsa auto-inflável de borracha, além da jaqueta salva-vidas. O pacote contém também roupas protetoras e equipamento de pesca. Contudo, o mais importante é um rádio sinalizador, que emite sinais de emergência, possibilitando sua localização por navios e aviões de resgate.

A cápsula de salvamento

Nos aviões que atingem velocidades muito superiores à do som, é impraticável o uso do assento ejetável comum, pois o piloto seria submetido a uma forte desaceleração altamente perigosa. Por isso, nos modernos caças e bombardeiros supersônicos, a cabina funciona como uma cápsula isolada e pressurizada, podendo, numa emergência, ser separada do avião através de um ferrolho explosivo e de foguetes. É equipada com pára-quedas para reduzir sua velocidade e estabilizá-la, e com assentos de ejeção: dessa forma, seus ocupantes podem abandoná-la quando a velocidade e a altitude convenientes são atingidas.

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