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Astrolábio: o instrumento astronômico que você provavelmente não conhece

O astrolábio é um antigo instrumento astronômico, hoje em dia totalmente obsoleto, que teve muita importância nas atividades relacionadas com a obser­vação do posicionamento dos corpos celestes. Foi de grande utilidade para os primeiros navegadores, na orientação por meio da posição do sol e das estrelas.

O modelo mais antigo, denominado astrolábio planisfé­rico, foi provavelmente inventado pelos gregos ou pelos alexandrinos, aproximadamente no ano 150 a.C., e mais tarde aperfeiçoado pelos árabes.

Como funciona o Astrolábio

Astrolábio de 1572, construído por Gualterus Arsenius. O anel na parte superior permite pendurar o instrumento na vertica. Os pequenos relevos curvos indicam certas estrelas, nem sempre brilhantes, com os homes escritos em latim.

Esse instrumento primitivo, que atualmente é encon­trado apenas como objeto de decoração, consiste basi­camente de dois discos planos, geralmente feitos de cobre, com cerca de 25 cm de diâmetro.

Um deles, chamado placa, representa a Terra, e é marcado com as linhas de latitude, longitude, horizonte do observa­dor, e outras linhas, indicando ângulos acima do hori­zonte. O outro disco é um mapa simples do céu, com as posições das estrelas, indicadas por ponteiros curvos, e com o zodíaco ou eclíptica (trajeto que o sol parece percorrer em seu movimento anual), chamado rete (rede, em latim) ou teia, devido à sua aparência. Cada astrolábio tinha que ser projetado para utilização em determinada latitude, e possuía normalmente várias placas, para as diversas posições.

Os discos de placa e teia são montados em outro disco maior, chamado matriz, que apresenta uma escala ho­rária e uma escala de graus em torno da borda externa. A escala horária fica na metade correspondente à face posterior da matriz, enquanto a escala de ângulos é lo­calizada na metade correspondente ao lado oposto.

Principais usos do Astrolábio

Face posterior de um astrolábio islâmico do século XII. Desse lado fica a alidade ou visor para medir ângulos acima da linha do horizonte, além de uma escala com signos astrológicos.

O disco da teia é ligado ao centro da matriz, com a rotação livre. Para se medir as posições reais do sol e das estre­las, um dispositivo óptico, chamado alidade, é montado no mesmo eixo, mas no verso da matriz, indicando as inclinações na escala de ângulos. O astrolábio fica pen­durado no alto, por meio de um anel, sempre na posição vertical.

A alidade também era utilizada na agrimensura, para se conhecer, por exemplo, a altura de um edifício ou de um monte a partir do cálculo do ângulo formado por sua sombra. Neste caso, usava-se geralmente uma escala retangular, com um braço horizontal represen­tando o nível do solo, e outro, vertical, que representava o edifício.

Astrolábio islâmico esférico, construído em 1480. Esse é um modelo mais avançado e também mais raro. O globo representa a terra, e, por meio de um eixo, que há se perdeu com o tempo, podia ser utilizado em qualquer latitude.

O observador ficava de pé na borda da som­bra projetada pelo edifício, pendurando o astrolábio de maneira que a sombra de uma das pontas da alidade coincidisse com a outra ponta. Consequentemente os ângulos marcados na escala do astrolábio eram exata­mente iguais aos do edifício e da sombra, podendo-se calcular a altura do prédio.

O astrolábio marítimo foi desenvolvido a partir desse instrumento primitivo, divulgado na Europa pe­los árabes. Foi muito utilizado no século XV, como ins­trumento de observação pura e simples, principalmente pelos portugueses, durante o ciclo das grandes navega­ções. Era empregado para medir a altura do sol acima da linha do horizonte, ou de uma estrela sobre o oceano, de maneira a se poder determinar a latitude. Funcio­nava com discos de placa e teia, e era suficientemente pesado para continuar pendurado na posição vertical apesar dos balanços do navio.

Quando os cálculos astro­nômicos foram se tornando mais exatos, e com a inven­ção do quadrante, no século XVII, o astrolábio tor­nou-se obsoleto.

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