canhao antiaereo como funciona

Canhão Antiaéreo: como funciona?

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Os canhões antiaéreos surgiram durante a Primeira Guerra Mundial, quando os aviões começaram a ser utilizados como arma militar. No princípio eram usadas adaptações de armamentos destinados a outras finalidades. Sua função consistia em impedir que os aparelhos inimigos sobrevoassem o acampamento a uma altura que lhes permitisse fotografar as posições da tropa e atacá-las com bombas e metralhadoras. Com o progresso da aviação, no entanto, o canhão antiaéreo recebeu constantes aperfeiçoamentos, até o advento da Segunda Guerra Mundial, quando os aviões a jato começaram a torná-lo obsoleto.

O desafio de operar um Canhão Antiaéreo

Soldados alemães operam metralhadora antiaérea
Durante a Primeira Guerra Mundial as metralhadoras de grosso calibre já era usadas na defesa antiaérea. Apesar de não possibilitarem tiros muito precisos nem atingirem grandes distâncias, cumpriram bem a finalidade a que era destinadas, pois naquela época os aviões voavam em baixas altitudes e em velocidade reduzida. A foto foi tirada na Alemanha.

O principal problema enfrentado pelos operadores de canhões antiaéreos está nos cálculos necessários para se atingir um alvo que se desloca em velocidades e altitudes variáveis. Durante os 30 segundos de voo do projétil de um canhão antiaéreo de 3,7 polegadas, por exemplo, um avião que esteja voando à modesta velocidade de 360 quilômetros por hora terá percorrido 3 quilômetros.

Ainda que a posição do alvo seja conhecida no momento do tiro, uma vez que o projétil tenha partido nenhum controle pode ser exercido sobre ele. Por esse motivo, antes de acionado o mecanismo de disparo, devem ser feitas algumas previsões sobre o comportamento do alvo durante o tempo de voo do projétil: manterá ele o mesmo curso, a velocidade e a altura em que se encontrava no momento do tiro? Se o avião estiver fazendo uma curva, será ela concluída com as mesmas características? A aceleração será mantida com a mesma constância?

Para solucionar esses problemas, foi desenvolvido um computador especial, denominado preditor, que fornece a futura posição do alvo, possibilitando que o projétil seja lançado no momento e na direção exatos. Embora seu funcionamento seja complexo, baseia-se num princípio bastante simples. O preditor segue o curso do alvo e mede sua direção e elevação. Uma variação desses dois fatores num curto período de tempo possibilita o cálculo da velocidade e do curso; e, com a altitude fornecida por um telêmetro especial o operador do canhão tem todas as informações a respeito do aparelho visado.

Interferências do meio no Canhão Antiaéreo

Soldados americanos operando canhão antiaéreo
Canhão antiaéreo automático de 40 mm usado em vários tipos de navios norte-americanos. Dispara 60 vezes por minuto, com alcance superior a 10 mil metros.

Além desses problemas, o preditor também considera os fatores concernentes ao projétil. Analisa sua velocidade inicial, seu peso e estabilidade durante o voo, o retardamento devido à resistência do ar em relação ao seu formato e diâmetro, bem como as condições meteorológicas existentes nas camadas atmosféricas por ele atravessadas.

A probabilidade de um choque direto entre o projétil e seu alvo é muito remota. Por isso o explosivo é detonado por um mecanismo de tempo preparado para funcionar depois de calculado o voo do projétil. As informações do preditor são passadas ao ajustador automático do detonador, que marca o tempo da explosão momentos antes de o carregador colocar o cartucho no canhão.

Esse sistema foi substituído por um detonador de proximidade, que dispensa o ajuste de tempo. Um aparelho de rádio colocado no projétil detecta o alvo próximo, enquanto que a intensidade do sinal determina o momento da explosão.

Os principais tipos de canhões antiaéreos surgiram durante a Segunda Guerra Mundial, quando essa espécie de arma teve seu maior desenvolvimento. O canhão leve, extremamente móvel, foi muito usado para conter ataques a baixa altitude. Os calibres mais comuns eram de 20 e 40 mm e disparavam projéteis altamente explosivos. Os canhões de 20 mm eram usados individualmente, aos pares ou em montagens quádruplas e atiravam de 500 a 700 projéteis por minuto.

Diagrama de funcionamento do canhão antiaéreo
O canhão antiaéreo americano “Skysweeper”, de 75 mm, representa o estágio final de desenvolvimento dos canhões pesados antes de serem superados pelos mísseis. Foi usado durante a última parte da Segunda Guerra Mundial e na Coréia. É apontado automaticamente para o alvo, por meio de um radar e um computador preditor. Funciona com energia elétrica mas pode ser operado manualmente.

Manejados manualmente, com miras visuais, lançavam projéteis com urna velocidade de 640 quilômetros por hora, em alvos que voavam a até 900 metros. Os canhões de 40 mm tinham menor seqüência de fogo, disparando cerca de 120 vezes por minuto, mas o poder de seus projéteis assegurava quase sempre a queda do avião atingido. Alcançavam até 1.500 metros de altura e, embora tivessem geralmente uma mira simples, funcionavam algumas vezes com preditores, para o cálculo da posição futura dos alvos e o ajuste da pontaria.

Diagrama de funcionamento do sistema de recarga do canhão antiaéreo
O alto poder de fogo do “Skysweeper” requer um mecanismo elétrico de recarga, que compreende um aríete para enfiar a munição na culatra, e um ajustador do detonador para ajustar o tempo de explosão do projétil. A sequência é a seguinte: 1. a munição é empurrada pelo aríete contra os roletes de carga; 2. os roletes forçam a munição contra o ajustador do detonador, que gira automaticamente o anel de ajuste para o tempo desejado; 3. a munição vai para dentro da culatra, que se fecha, enquanto o projétil é disparado; 4. o cartucho é expelido.

Canhões antiaéreos pesados também foram muito utilizados durante a Segunda Guerra Mundial por todos os exércitos. Tinham um alcance de até 18.300 metros, com projéteis de 3 a 5,25 polegadas. A necessidade de se disparar cargas do maior tamanho possível tornou obrigatório o carregamento automático; mas a velocidade de propulsão dos obuses e a rápida recarga acabavam provocando um excessivo desgaste da arma, diminuindo consideravelmente sua precisão.

O papel dos Canhões Antiaéreos na era dos supersônicos

soldado lançando míssil antiaéreo portatil
Lançamento de um míssil “blowpipe”. Para proteger o operador das chamas ou explosão, o primeiro estágio só funciona por uma fração de segundo.

Os canhões antiaéreos pesados tornaram-se rapidamente obsoletos após o segundo conflito mundial, quando a introdução do jato possibilitou aos aviões atingirem grandes altitudes e velocidades supersônicas. A probabilidade de se alcançar o alvo tornou-se tão remota que os canhões pesados foram retirados de serviço em todos os grandes exércitos modernos. Em seu lugar, passaram a ser utilizados mísseis terra-ar, auto-propelidos, que podem voar a altíssimas velocidades, mudar seu curso durante o voo e, automaticamente, detectar e destruir o objetivo visado.

soldados posando com canhão antiaéreo sueco da Segunda Guerra Mundial
Canhão antiaéreo de 40 mm (Bofors), que dispara 120 vezes por minuto. Projetado na Suécia, foi produzido pela Inglaterra durante a Segunda Guerra.

Os canhões leves não foram totalmente afastados das batalhas, devido ao seu custo relativamente baixo. A crescente utilização de aviões a jato exigiu a criação de canhões de 20 e 30 mm, dotados de equipamentos complexos, como o controle por meio de radar, e um imenso poderio de fogo. Contudo, mesmo estes já começaram a ser substituídos por armas mais sofisticadas. Mísseis operados por um só homem (semelhantes a uma bazuca como, por exemplo, o inglês “blowpipe”), foram desenvolvidos para detectar e destruir aviões que atacam a baixa altitude. Alguns deles já tiveram a eficiência comprovada em combate. Estes mísseis estão se tornando equipamento comum dos exércitos das grandes potências, embora o custo relativamente baixo dos canhões antiaéreos leves e da sua munição garanta a utilização dessas armas antiquadas por muito tempo ainda.

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