como funcionam os dirigiveis

Dirigível: como funciona?

Ao contrário dos aviões que, para voar, combinam sua velocidade com a forma de aerofólio das asas, os dirigíveis sustentam-se no ar graças a seus depósitos de gás, e são lentos. Corno o gás usado é mais leve que o ar que desloca, todo dirigível é um pouco mais leve que seu próprio volume em ar. Por isso, sobe até uma altura onde o ar é mais rarefeito, e, portanto, menos denso, o que faz diminuir o empuxo a ponto de equilibrar-se com o peso da nave.

A subida, porém, tem que ser controlada para que o dirigível seja realmente funcional. Nos primeiros modelos este controle era feito através da expulsão do gás e sua substituição pelo ar, um desperdício que reduzia gradualmente a velocidade da subida à medida que o gás se perdia. Para compensar a perda, levavam como lastro bolsas de água que eram despejadas — aliviando o peso — quando necessitavam subir novamente.

Dirigíveis rígidos e semi-rígidos

Os modelos posteriores substituíram a perda de gás por balonetes de ar. Feitos de material flexível, os balonetes ficavam dobradas no interior do depósito de gás, podendo ser inflados com ar por meio de bombas. Variando-se à vontade a quantidade de ar dos balonetes, variava-se também o volume do gás contido no depósito, aumentando ou diminuindo, assim, o peso total do dirigível com relação ao volume de ar que ele deslocava.

Com dois balonetes, um na dianteira e outro na traseira, era possível estabelecer o equilíbrio do gás no interior do depósito.

O hidrogênio é o gás menos denso que existe e sua produção é relativamente barata. Contudo, por ser altamente inflamável, foi substituído nos dirigíveis mais modernos pelo hélio, muito mais seguro, embora mais caro e um pouco mais denso.

Todos os dirigíveis foram ou são movidos por hélices de tração mecânica. Sua dirigibilidade é controlada por lemes de deriva que operam da mesma forma que os dos aviões. Lemes de elevação convencionais proporcionam as variações de altitude da aeronave em movimento. O controle da quantidade de ar dos balonetes torna possível a compensação automática da pressão atmosférica sobre o gás.

Dirigível rígido durante sua construção em hangar inglês.
O esqueleto de um dirigível rígido inglês, feito com estruturas de metal leve, reforçadas com arame. Aqui verificava-se seu peso, para que não excedesse as especificações do projeto.

Quanto à classificação, os dirigíveis são rígidos, semi-rígidos e não rígidos, segundo a estrutura adotada. O tipo rígido é feito de uma armação leve, com cobertura externa, contendo vários reservatórios de gás mantidos por uma rede. Os famosos zepelins alemães e a maioria dos dirigíveis das décadas de 20 e 30 eram desse tipo.

A estrutura era em liga de alumínio e sua cobertura em tecido de algodão, costurado com uma fina membrana de intestino de boi. Os tipos semi-rígido e não rígido tornaram-se conhecidos como dirigíveis de pressão, porque sua forma depende da pressão interna. O semi-rígido possui apenas uma quilha de metal ao longo do depósito de gás e o não rígido não apresenta nenhuma estrutura rija.

Semi-rígido, por exemplo, era o Norge, dirigível italiano que voou da Itália ao Alasca em 1926, sobrevoando o pólo Norte. Não rígidos foram todos os dirigíveis dos primórdios da aeronáutica, como o Santos Dumont nº 6 que contornou a torre Eiffel., a 12 de outubro de 1 e conquistou o prêmio Deutsch para seu construtor brasileiro. O único modelo não rígido moderno é o blimp. Esse dirigível tem o envoltório do depósito de gás construído com fibras sintéticas recobertas de neoprene ou qualquer outro tipo de borracha sintética. Pintado com tinta de alumínio, o exterior reflete a luz solar, reduzindo o aquecimento do interior.

Recorte esquemático do dirigível da Goodyear
Esquema de funcionamento do Dirigível da Goodyear.

Uma estrutura de ripas no nariz evita que a pressão do vento o achate quando aeronave está em movimento. Os blimps foram usados durante a Segunda Guerra Mundial em serviços de guarda costeira e na busca de submarinos inimigos. Mais recentes, os dirigíveis não-rígidos foram construídos pela Goodyear e são usados com frequência como plataformas livres de vibração para filmagens ou coberturas televisionadas numerosos eventos esportivos.

Os primórdios dos Dirigíveis

A história dos dirigíveis teve início na França. Após a invenção do balão em 1783, procurou-se encontrar formas de torná-lo independente da ação dos ventos. Somente em 1852 é que os franceses construíram o primeiro desses veículos realmente bem sucedido.

Equipada com um motor de 3hp (com 160 kg) e contendo 2.000 m3 de hidrogênio, subiu do hipódromo de Paris e voou a 9 km/h. Em 1 4, o capacidade semelhante, o La France alcançou uma velocidade máxima de 24 km/h, usando um motor elétrico de 9 hp. Essas duas naves eram não rígidas.

Pouco depois, aproveitando o momento, o conde Zeppelin construiu um modelo maior, com estrutura de alumínio composta de 16 círculos de suspensão, interligados e mantidos rigidamente por arames perpendiculares dispostos nos sentidos longitudinal e diagonal. O último dos vinte dirigíveis desse tipo, impulsionado por dois motores a combustão interna Daimler, de 15hp, transportou 23 passageiros em um cruzeiro de sete horas e meia, viajando a uma velocidade aproximada de 42 km/h.

O lançamento do dirigível rígido gigante deu-se nos fins da década de 20. Terminado em setembro de 1928, com aproximadamente 94.500 m3, o Graf Zeppelin, em nove anos de serviço contínuo, transportou um total de 13.110 passageiros em 590 viagens, incluindo 114 travessias oceânicas e uma volta ao mundo. Por essa época os Estados Unidos suspenderam a exportação do hélio e as aeronaves alemãs tiveram que depender exclusivamente do hidrogênio, com graves conseqüências.

Foto do momento do acidente do Zepellin Hindenburg
Ao acidentar-se em Nova Jersey, Estados Unidos, em 1937, o Hindenburg ocasionou 36 mortes e encerrou a carreira comercial das gigantescas aeronaves mais leves que o ar.

A inflamabilidade desse gás ocasionou terríveis acidentes. O pior deles ocorreu com o Hindenburg em maio de 1937, nos Estados Unidos. O incêndio desse gigante de quase 270 m de comprimento custou a vida de 36 pessoas e encerrou a carreira dos dirigíveis como veículos de transporte comercial.

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