como funciona um isqueiro

Isqueiro: como funciona?

A faísca pode vir de um cristal que não se desgasta.

O isqueiro comum, equipado com pedra e roda de fricção, é apenas uma versão prática dos antigos métodos de fazer fogo com pederneira e mecha a diferença que a pedra dos isqueiros atuais é feita de uma liga de ferro, magnésio e cério (um elemento das chamadas “terras raras”), e a faísca é produzida pela fricção de uma roda serrilhada de metal. Girada com o polegar ou por meio de um mecanismo de alavanca, a roda fricciona-se contra a pedra, provocando faíscas que incendeiam um pavio embebido em combustível líquido derivado de petróleo.

Desenho de isqueiro antigo
Quando o hábito de fumar começou a popularizar-se, durante o século XVI, a caixa de pederneira requeria, às vezes, mais de um quarto de hora para acender um cachimbo. Até o desenvolvimento dos isqueiros modernos, porém, surgiram muitos dispositivos surpreendentes para fazer fogo — e alguns eram muito engenhosos.

O pavio suga por capilaridade o fluido de um depósito recarregável; sua ponta externa fica coberta por uma tampa (ou apagador), evitando-se a evaporação do combustível quando o isqueiro não está em uso. A chama é controlada ajustando-se o comprimento do pavio. Este tipo de isqueiro está se tornando obsoleto, enquanto aumenta a popularidade dos modelos a gás, nos quais a faísca faz inflamar gás combustível que escapa por um orifício.

O gás — geralmente o butano — produz uma chama limpa e inodora, e está liquefeito sob pressão no reservatório do isqueiro, que pode ou não ser recarregado. Nos sistemas recarregáveis, o isqueiro possui duas válvulas importantes: uma, na parte superior, é ajustável e controla a altura da chama; outra, na base do aparelho, permite a recarga. No outro sistema, há somente a válvula de controle da chama e, uma vez esgotado o gás, o isqueiro não tem mais utilidade. A saída do gás no momento da ignição pode ser aberta quando se levanta a tampa apagadora (que cobre a válvula do bico de gás) ou, automaticamente, através de um dispositivo ligado mecanicamente à alavanca que gira a roda de fricção. Além do sistema de pedra e roda, a ignição também pode ser conseguida eletronicamente, mas o acondicionamento e queima do gás é realizado de maneira semelhante.

isqueiro antigo em formato de vela
Este projeto de isqueiro operado eletricamente foi publicado no livro Tout par l’Electricité, de George Dary, editado na França, em 1883. Na cabeça do aparelho havia uma bateria, de modo que,
ao inala-la, fechava-se um circuito elétrico e isso acendia o pavio bebido em combustível líquido. Finamente trabalhado, este isqueiro, também conhecido como “lâmpada Dobereiner” foi bastante apreciado na década de 1820. Além do acabamento sofisticado, apresentava a novidade de produzir a faísca
de ignição quando se levantava a tampa
do apagador. O aparelho utilizava como combustível hidrogênio desprendido no reservatório
por partículas de metal mergulhadas numa solução ácida.

Os isqueiros costumam utilizar dois tipos básicos de ignição eletrônica. No primeiro, a corrente fornecida por uma pequena bateria de baixa tensão carrega um capacitor; quando se aciona o botão operador o circuito se fecha, fazendo com que o capacitor se descarregue através de um transformador de elevação. O enrolamento secundário do transformador produz uma voltagem relativamente alta que provoca uma faísca junto ao bico de gás. Essa faísca acende o fluxo de gás, que é simultaneamente liberado pelo botão operador. Assim, enquanto o botão permanece aberto há chama.

Isqueiro de pedra e roda. A tampa apagadora ergue-se quando a alavanca de acionamento é pressionada. Ao mesmo tempo, a operação gira a roda serrilhada que produz a faísca.
Corte de um modelo a gás. Ao pressionar-se o botão, levanta-se a tampa apagadora e abre-se a válvula do gás. Neste projeto, o gás inflama por efeito piezoelétrico.
A ignição eletrônica por efeito piezoelétrico se dá quando o bloco de cristal recebe um golpe e induz uma voltagem que se descarrega entre os elétrodos acima do bico de gás.

O segundo método utiliza o efeito piezoelétrico. Certos tipos de cristais produzem uma voltagem entre seus lados opostos quando estão submetidos a uma força. Estes isqueiros são equipados com um pequeno bloco de cristais (geralmente um composto cristalino) que recebe pancadas de um martelo impulsionado por mola liberada por um botão disparador. A voltagem resultante produz uma faísca que inflama o gás da mesma maneira que o modelo operado por bateria. O cristal utilizado é virtualmente eterno, não se desgasta e está sempre pronto para funcionar.

fotografia de um isqueiro cortado ao meio
Modelo elétrico, a bateria. A pressão exercida na alavanca ergue a tampa do bico de gás e faz o capacitor descarregar-se. A corrente eleva-se no transformador, provocando a faísca entre elétrodos situados bem acima do bico de gás.

O isqueiro usado nos automóveis compreende, porém, um pequeno cilindro, em cuja extremidade inferior se encontra uma resistência enrolada em espiral, feita geralmente de uma liga níquel-cromo e montada em base de cerâmica. O cilindro, terminado por um botão, fica ligeiramente seguro, numa posição de descanso, dentro de um receptáculo situado no painel do carro. Quando pressionado contra uma mola, ele se prende no interior do receptáculo e fecha um circuito elétrico entre o sistema do carro e a resistência espiral, fazendo com que esta se aqueça rapidamente.

Ao atingir a temperatura necessária, um dispositivo sensível ao calor libera o cilindro, permitindo que ele volte à posição de descanso e abrindo o circuito. Com a resistência aquecida ao rubro, o isqueiro pode ser retirado do painel e usado. Depois, deve ser recolocado em seu receptáculo, na posição de descanso.

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