Lança-chamas: como funciona?

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Um jato de gás comprimido projeta uma língua de fogo de mais de cem metros. Historicamente, atribui-se aos chineses a primeira utilização de uma chama controlada como arma de guerra por volta do ano 500 a.C. No Ocidente, o grego Kallinikos foi o inventor do chamado “fogo grego”, em Constantinopla, mais de mil anos depois.

Neste caso, a chama era expelida da proa das galeras bizantinas contra os navios dos combatentes árabes. O terror que causava no inimigo tornou-a rapidamente uma arma muito eficaz. Durante muito tempo os bizantinos conseguiram salvaguardar o segredo do “fogo grego”, mas, finalmente, os muçulmanos se apossaram dele e chegaram a usá-lo contra os cristãos na época da Quinta Cruzada. No decorrer da Idade Média, os defensores dos castelos e redutos armados na Europa costumavam derramar óleo fervente sobre os invasores que tentavam assaltar seus portões e muralhas defensivas.

Soldado alemão usando lança-chamas em 1940. Durante a Segunda Guerra Mundial essa arma terrível foi usada pelas tropas de todos os países beligrantes, principalmente pelos norte-americanos contra os japoneses no Pacífico.

Na Era Moderna foram os alemães os primeiros a usar o fogo controlado como arma de combate. Isto se deu em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, primeiro contra os franceses, depois contra os ingleses. Os alemães passaram a utilizar normalmente o lança-chamas para desalojar as tropas inimigas de locais fortificados ou de difícil acesso. Na época havia apenas dois modelos dessa arma terrível: um grande e um pequeno, projetados por Richard Fiedler. O menor, suficientemente portátil para ser transportado por um só homem, usava gás comprimido para expelir um jato de óleo em combustão à distância de até 20 metros.

O modelo maior, baseado no mesmo princípio, era incômodo para transportar mas, em compensação, atingia a mais de 40 metros e possuía combustível suficiente para 40 segundos de fogo contínuo. Logo também ingleses e franceses produziram seus próprios lança-chamas. Contudo, nenhum dos modelos empregados naquela época tinha suficiente alcance nem duração de fogo para ser considerado arma satisfatória.

Lança-chamas na Segunda Guerra

Um dos primeiros registros fotográficos do lança-chamas na Segunda Guerra: Tanques norte-americanos equipados com lança-chamas assaltando posições japonesas em Okinawa, em abril de 1945.

Na Segunda Guerra Mundial todas as potências em conflito possuíam seus próprios lança-chamas, tanto portáteis quanto transportados por veículos blindados.

Tal como foi usado naquela guerra e nos conflitos posteriores (Coréia e Vietnam, principalmente), o lança-cha­mas tornou-se arma comum das tropas de assalto, projetando um jato de óleo ou gasolina gelatinosa em combustão. Compõe-se basicamente de um ou mais tanques de combustível, um cilindro de gás inerte e comprimido que age como propulsor do combustível, um tubo flexível conectado aos tanques e um bocal dis­parador equipado com um meio de ignição do combustível. Os tipos pesados possuem cilindros tão gran­des quanto os tambores de óleo de 200 litros.

Os cilindros portáteis, levados às costas de soldados da infantaria, contêm o gás inerte mantido sob uma pressão de 138 bar, mas uma válvula de diagrama re­gula sua utilização a uma pressão de apenas 13,8 bar, suficiente para projetar o combustível a mais de 45 me­tros de distância, com 10 segundos de disparo contínuo. Instaladas em torres de tanques e demais veículos blin­dados, as unidades lança-chamas maiores e mais pesa­das podem atingir alvos a mais de 100 metros de distân­cia e transportam combustível para cerca de 60 segundos de disparo contínuo.

Em ambos os casos, ge­ralmente utiliza-se o nitrogênio como gás propulsor e a ignição é feita apertando-se um gatilho que inflama um cartucho de magnésio recarregável. Alguns modelos permitem que o combustível seja projetado antes de en­trar em combustão, a fim de formar um círculo em torno do alvo. Depois, basta um único disparo curto de fogo para incendiar tudo. O efeito sobre as tropas ataca­das é surpreendente.

Esquema do lança-chamas Ack-Pack. Esta pequena arma portátil foi introduzida no exército inglês em 1945, quase no fim da Segunda Guerra Mundial, mas continua em uso. Seu conjunto, com tanque de combustível, cilindro de gás, mangueira e bico disparador, pesa 22 quilos. Ao ser comprimido, o gatilho abre a válvula de agulha e livra o pino disparador para detonar o cartucho recarregável e, assim, incendiar o combustível.

Até a deflagração da Guerra da Coréia, em 1950, o combustível utilizado na maioria dos casos era o óleo. Freqüentemente, para obter melhores resultados, o ati­rador disparava diversos jatos curtos de fogo sobre o alvo, ao invés de um único, mais longo.

Em 1941, para combater as tropas invasoras alemãs, os guerrilheiros soviéticos começaram a usar os famosos “coquetéis molotov”, que foram inventados durante a guerra civil espanhola. Trata-se de um recipiente de vi­dro cheio de combustível (gasolina ou óleo diesel), com um pavio que sai pelo gargalo. O pavio deve ser aceso antes de se atirar o artefato contra o inimigo. Com essa arma doméstica foi possível destruir pelo fogo grande número de blindados.

A ampla aplicação do napalm foi introduzida pelos norte-americanos durante a Guerra da Coréia. O napalm é um tipo de gasolina gelatinosa com um aditivo a base de alumínio, desenvolvido no final da Segunda Guerra Mundial. Esse novo combustível deu ainda maior eficiência ao já terrível lança-chamas inventado pelos alemães porque, além de atingir maior distância que a gasolina e o óleo comuns, queima com calor mais intenso e adere como geléia a tudo que toca. Atirado por aviões, na forma de bombas incendiárias, o napalm entra em combustão espontaneamente, produzindo uma cortina de fogo intenso, capaz de destruir homens, aldeias, veículos, tudo que possa ser consumido pelo fogo.

Ainda mais aperfeiçoado, o napalm foi novamente utilizado pelas tropas norte-americanas na Guerra do Vietnam. Seu poder destruidor é tão ativo que mesmo quando suas vítimas se atiram num rio, na esperança de apagar o fogo e livrar-se do calor infernal, o napalm continua queimando-as até os ossos.

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