Lentes de Contato: como funcionam?

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Repousando sobre a córnea, calotas hidrofílicas corrigem a visão de pessoas que possuem alguma deficiência visual, cobrindo uma grande parte dos graus possíveis.

As lentes de contato, usadas para corrigir a visão, diferem dos óculos porque são colocadas diretamente sobre os olhos. Estritamente falando, não entram em contato com o globo ocular mas flutuam num filme delgado de fluido.

Tipos de Lentes de Contato

Uma lente córnea e uma lente háptica. Esta, largamente usada há alguns anos, foi substituída pela lente córnea.

Existem dois tipos de lentes de contato: as córneas e as esclerais ou hápticas. A s lentes esclerais são colocadas sobre toda a frente do globo ocular (esclera é a cobertura da parte branca do olho) e as córneas repousam sobre a córnea, em frente da íris. As lentes hápticas, mais grossas, são mantidas no lugar pelas pálpebras e pela atração capilar, enquanto que as córneas, menores e mais leves, permanecem na posição correta graças ao raio menor da córnea.

As lentes hápticas são usadas por pacientes que praticam esporte, porque não escapam tão facilmente do lugar, ou por pessoas que têm moléstias ou lesões nos olhos ou nas pálpebras, para protegê-las contra infecções e ajudar na cicatrização. Nos casos em que o paciente tenha a córnea distorcida ou escarificada, as lentes hápticas podem possuir uma lente de lágrima, a fim de corrigir parte dessa distorção. Mas, atualmente, as lentes córneas são as mais populares em todo o mundo.

O paciente cujo olho é visto nesta fotografia sofre da moléstia ocular chamada keratoconus, que dá à córnea um formato cônico. A mancha branca no centro do olho é uma distorção na refração da fonte de luz na córnea; essa distorção é análoga à visão distorcida do paciente, que deverá usar lentes de contato córneas. Em alguns casos, elas podem ser projetadas com uma lente de lágrimas por baixo, que ajudará a diminuir parte da distorção.

As pessoas geralmente usam lentes de contato por razões estéticas mas, na verdade, elas oferecem muitas vantagens sobre os óculos. Movendo-se com o olho, não restringem o campo da visão, facilitam certos tipos de correção visual e contribuem para restaurar a visão normal de pessoas que tenham sido operadas de catarata e não possam usar óculos, já que estes às vezes provocam distorções de imagem.

Uma demonstração da flexibilidade das lentes maleáveis (hidrofílicas). Essa experiência não é recomendável, pois existe o risco da lente se romper.

As lentes de contato são quase indispensáveis na correção da anisometropia. I\ esse caso, a capacidade de refração (desvio dos raios de luz pela córnea) de cada olho é diferente. Quem sofre de anisometropia pode necessitar de uma lente côncava e outra convexa. Se usar óculos, terá que mover a cabeça e não somente os olhos para olhar em diferentes direções. caso contrário enxergará uma imagem dupla. As lentes eliminam esse problema, pois como elas se movem com os olhos, não estão sujeitas à refração. Também são indicadas para os casos graves de keratoconus, uma moléstia progressiva, em conseqüência da qual a córnea assume uma forma cônica.

História das Lentes de Contato

A primeira lente de contato refringente foi elaborada por E. A. Frick, em 1887. Em 1912 Carl Zeiss fabricou as primeiras lentes de contato de vidro. Em 1938 Obrig e Muller moldaram lentes esclerais em plástico acrílico.

O vidro é o melhor material para a fabricação de lentes de contato, mas o plástico tem mais resistência e menos peso, permanecendo no lugar com mais facilidade. Até cerca de 1950 as lentes eram, em sua maioria, do tipo escleral, elaboradas a partir de um molde feito sobre o globo ocular. Em 1948 Kevin Touhy fez a primeira lente de contato córnea de plástico, com 10.5 mm (menos de 1/2 polegada) de diâmetro. Era menor que a íris, não cobria a esclera, não a privava de ar e de água nem a sujeitava à pressão. A superfície interior (côncava), por ser mais plana que a córnea, permitia a circulação de ar e água, diminuindo a pressão. Na prática, porém, a lente escorregava, dando a impressão de estar solta. Na verdade, havia dificuldade em removê-la ocasionalmente.

Em 1954, o diâmetro das lentes foi reduzido para 9.5 mm, uma superfície 17% menor, que cobria menos 31% da área da córnea. Em 1957 a curva posterior central (cpc) foi novamente projetada, de maneira a ficar paralela ao raio maior da curvatura da córnea. Isso resultou em menos variação no ajuste e menores alterações de refringência num determinado período de uso.

O keratômetro ou oftalmômetro foi projetado para eliminar a necessidade de se ter que tirar o molde do globo ocular. Partindo do princípio de que a córnea é como um espelho convexo, altamente polido, o keratô­metro produz uma imagem a partir de uma fonte de luz que é então medida, proporcionando a informação sobre a curvatura necessária para a produção da lente.

Em 1958 apareceram as lentes bifocais, produzidas atualmente em dois tipos: a anular, cujos diâmetros externos e internos são cortados separadamente e que pode girar sobre o olho; a segmentada, que não gira e é moldada na borda inferior, para se sustentar sobre a pálpebra.

As lentes de contato podem ser produzidas em diferentes cores e formatos variados. Têm sido colocadas em crianças com menos de 3 anos de idade e em casos congênitos de pouca visão. Devem ser feitas com muita precisão, porque pequenos erros na espessura ou na curvatura resultarão em problemas relativamente grandes de refração. Não há nenhuma dificuldade nisso, porque as técnicas de fabricação estão de tal modo desenvolvidas que as lentes podem ser ajustadas individualmente, para cada paciente.

Efeitos colaterais das Lentes de Contato

Às vezes surgem problemas quanto à tolerância do organismo em relação às lentes. A córnea necessita de oxigênio, que é retirado do ar existente nas lágrimas, razão por que os olhos piscam várias vezes por minuto. Diz-se que a córnea do portador de lentes de contato é hipóxica, ou seja, não recebe ar suficiente, porque a lente interfere na quantidade de lágrimas que chegam a ela.

Quem usa lentes de contato deve se acostumar a essa condição e, por isso mesmo, usá-las durante apenas algumas horas, até que a tolerância seja alcançada. As pessoas mais velhas se adaptam melhor às lentes do que as jovens. Os diabéticos ou as pessoas que sofrem de hipotiroidismo, bem como as que tomam anticoncepcionais por via oral, podem apresentar uma tolerância menor. O uso de lentes por muito tempo, durante a fase de adaptação, causa muitas vezes uma sensação de queimadura ou comichão conhecida como “síndrome de uso exagerado”.

Desde 1970 as lentes hidrofílicas ou maleáveis têm surgido com mais freqüência. Apareceram em Praga, quando um cientista tcheco descobriu as propriedades originais de um plástico chamado polihidroxietilmeta­crilato. As lentes feitas desse material são hidratadas quando colocadas numa solução salina; absorvem a água da solução e se tornam maleáveis. Isso deve ser previsto na fabricação pois, dependendo do tipo de plástico usado, as lentes podem dobrar de peso durante a hidratação. Quanto mais água a lente absorver, mais maleável e confortável se tornará.

De acordo com a tolerância do indivíduo, o tempo de adaptação às lentes maleáveis diminuirá, podendo até mesmo ser eliminado. Contudo, as lentes desse tipo apresentam algumas desvantagens: são menos duráveis que as duras, a ponto de se romperem se não forem manuseadas com cuidado; e devem ser esterilizadas antes de cada colocação, porque a água pode conter bactérias. Há dois métodos de esterilização: as lentes são fervidas, ou guardadas numa solução germicida especial quando não estão em uso. Muitas pesquisas têm sido realizadas para simplificar o uso desse tipo de lentes e, a cada ano, seu uso tem aumentado consideravelmente.

As lentes de contato são fornecidas ao técnico pelo fabricante, já prontas, ou, se o técnico preferir ajustá-las ele mesmo, semi-acabadas. Estas ultimas têm somente as curvas de refração, ou seja, a curva anterior central (cac) e a curva posterior central (cpc). São produzidas por moldagem ou cortadas num torno especial, de alta precisão.

Existem quatro processos diferentes de se moldar uma lente: injeta-se o plástico numa forma, sob pressão; derrama-se livremente o plástico derretido na forma; comprime-se o plástico em pó entre dois moldes, sob calor e pressão. Comprime-se urna chapa de plástico entre moldes, sob calor e pressão. Corno todos os processos de moldagem envolvem a aplicação de calor, deve-se levar em conta o encolhimento da lente à medida que ela esfria. Na moldagem da chapa, a lente pode apresentar uma tendência a se tornar plana devido a uma propriedade conhecida como memória plástica. As lentes moldadas são produzidas em massa, por máquinas automáticas, com os graus mais usados de correção, mas o método mais comum de produzir lentes semi-acabadas é o de cortá-la num torno.

O corte da Lente de Contato

Pequeno torno projetado para a fabricação de lentes de contato. O bloco de plástico azul é fixado na máquina por ruma gota de cera. à medida que a ferramenta escavava o plástico, um micrômetro indica, com precisão absoluta, a profundidade de cada corte. Quando as curvas refringentes tiverem sido cortadas, a lente estará semi-acabada.

Obtém-se o bloco para as lentes semi-acabadas cortando-se a extremidade de um cilindro de plástico ou estampando-se a lente numa chapa do mesmo material (a chapa pode ser destemperada mais uniformemente na fabricação, enquanto que as qualidades de refração de um cilindro e plástico muitas vezes não são as mesmas, de uma extremidade para outra).

O bloco é fixado a um botão de aço por uma gota de cera derretida. Esse botão é então instalado num torno e, em seguida, centralizado magneticamente.

Enquanto o bloco gira, em alta velocidade, uma ferramenta executa vários cortes côncavos até que esteja formada a cpc desejada. Existem micrômetros indicadores na máquina para que o operador saiba exatamente quão profundo é o corte que ele está fazendo. Em seguida, um polidor feito de cera é ajustado com um gabarito que acompanha a curva da cpc. O botão com o bloco é instalado na parte superior de uma máquina de polimento, que mantém o bloco encostado ao polidor.

O bloco gira numa direção, enquanto o polidor gira na direção oposta. Ao mesmo tempo, a parte superior da máquina faz o bloco avançar ao redor do polidor, em pequenos movimentos, formando um 8. Um líquido polidor especial ajuda a polir a superfície do bloco, numa operação que dura de dois a quatro minutos.

O polimento das lentes é feito com fluído de solução levemente abrasiva. A lente é mantida fixa no eixo por sucção ou por uma fita colante dupla. A operação necessária para polir a parte externa da lente de contato. A foto mostra a operação de corte da curva de ajuste, ou beirada da lente, mediante uma lâmina bem afiada. Cada etapa da produção requer minuciosa inspeção técnica.

O bloco é retirado do botão e inspecionado cuidadosamente quanto à qualidade de sua superfície e à precisão da curvatura produzida. A seguir, a superfície polida do bloco é montada com cera na extremidade torneada de um eixo de aço. O operador coloca o eixo no torno e executa uma série de cortes convexos, acompanhando os micrômetros indicadores, a fim de obter a espessura desejada e a precisão da curva anterior central (cac). O torno também pode aparar o diâmetro da lente, mas isso é geralmente deixado para o processo de acabamento das beiradas.

O lado anterior da lente é polido de uma maneira similar à usada para o lado oposto, exceto que o polidor tem agora uma forma côncava e não convexa, e o movimento em 8 não é feito pela máquina de polir. Com isso, o bloco fica então semi-acabado.

Nessa fase, restam elementos importantes a serem terminados pelo fabricante ou pelo técnico: a borda, a curva posterior periférica (cpp) e a curva posterior intermediária (cpi). Essas operações fazem parte do ajuste individual das lentes.

Em cada etapa do processo de fabricação faz-se um minucioso exame do produto por meio de lentes de aumento, microscópio binocular, aparelhos especiais de medição e outros dispositivos. Em alguns casos, as lentes são ajustadas no paciente, num teste preliminar.

Quando as lentes estão prontas, o técnico ou seu assistente ensina ao paciente como colocá-las corretamente. Elas devem ser molhadas com uma solução germicida que, além de limpá-las e esterilizá-las, quebra a tensão de sua superfície, permitindo que as lágrimas circulem com maior liberdade por baixo delas.

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