banner cibersistemas

Categories: Como funciona?

Mecanismo de disparo: como funciona?

Os primeiros mecanismos de disparo de armas leves entraram em uso entre os séculos XV e XVII. O mais primitivo deles consistia na serpentina, ou seja, um braço de ferro móvel, em forma de “S”, pivotado no centro.

A serpentina tinha seu eixo fixado ao lado da coronha, na altura do fim do cano dos arcabuzes. Na sua parte superior prendia-se uma mecha de cordão embebido em combustível. Para funcionar, a mecha devia estar constantemente acesa.

A parte inferior da serpentina servia como gatilho: quando comprimida trazia a ponta incandescente da mecha, fazendo-a entrar em contato com uma pequena quantidade de pólvora (pólvora de isca) previamente colocada numa caçoleta horizontal, logo abaixo de um pequeno orifício no cano.

Com a combustão da pólvora de isca, algumas faíscas passavam pelo orifício e inflamavam a carga principal, fazendo com que o arcabuz disparasse.

O surgimento do Mecanismo de Disparo

  1. Ao ser acionado o gatilho, a mecha, encaixada na serpentina, descia e incendiava a pólvora da caçoleta.
  2. O suporte da mecha era mantido longe da caçoleta por uma mola que pressionava a alavanca intermediária. O mecanismo só funcionava quando o gatilho era acionado e isso evitava que a arma disparasse acidentalmente.
  3. Vista externa do disparador de pederneira, com o cão armado para disparar em direção à chapa áspera.
  4. Vista interna do disparador de pederneira, após o disparo. O gatilho liberou o ferrolho do cão que, impulsionado pela mola, levou a pederneira a abrir a tampa da caçoleta e a produzir faíscas.
  1. O primeiro mecanismo de percussão: a espoleta, com material fulminante, explodia ao impacto do cão; um canal no interior do bico (tubo que substituiu a caçoleta) conduzia a faísca até a carga principal.
  2. O disparador de roda usava piritas de ferro. A roda, impulsionada por mola, passava por um sulco da caçoleta; o gatilho liberava a roda e fazia a pirita descer sobre ela, produzindo a faísca de ignição.
  3. O primeiro cartucho autônomo possuía um pino que, quando percutido, detonava uma espoleta interna.
  4. O cartucho autônimo de percussão central, usado até nossos dias, é dotado de uma espoleta externa.

O primeiro aperfeiçoamento desse mecanismo rudimentar de disparo foi a adoção de um dispositivo que acrescentava a pressão de uma mola sobre a serpentina.

A novidade impedia que a pólvora de isca entrasse em combustão acidentalmente La caçoleta. Para que a arma disparasse era necessário que o gatilho fosse intencionalmente pressionado, única forma de fazer a mecha atingir a pólvora de isca. Esse mecanismo rudimentar ficava montado ao longo de uma chapa metálica afixada na coronha. No interior dessa chapa, o suporte da mecha conectava-se com uma alavanca intermediária, cuja outra extremidade ligava-se com o gatilho. A mola pressionava a alavanca intermediária, de sorte que a mecha ficava afastada da isca.

O último aperfeiçoamento introduzido nesse tipo de mecanismo foi o gatilho de pressão, inventado na segunda metade do século XV. O gatilho já apresentava, naquela época uma forma semelhante à moderna, inclusive com a guarda protetora. Sua ação se fazia verticalmente, em ângulo reto, contra a alavanca intermediária que se encontrava embutida na coronha. Quando o gatilho era comprimido, levava o suporte da mecha a baixar até a caçoleta. Mas, além do perigo de se manter o fogo perto de tanta pólvora, a mecha incandescente não resistia à umidade e podia apagar-se nos momentos mais críticos para o atirador.

Disparador espanhol de pederneira do século XVIII. A tampa da caçoleta era combinada, na traseira, com uma chapa áspera e fazia eixo bem diante do depósito de pólvora de isca. Uma pequena moa em “V” mantinha a caçoleta fechada. Ao se puxar o gatilho, o cão descia contra a chapa áspera, abria a tampa da caçoleta e produzia as faíscas. A pólvora de isca entrava em combustão e disparava a arma.

A dificuldade foi contornada com a invenção do disparador de rodízio, em 1510, no sul da Alemanha. O novo mecanismo funcionava como um isqueiro moderno. Uma roda montada sobre a chapa base e movida por mola arrancava faíscas de uma pederneira, inflamando a pólvora de isca da caçoleta. A parte superior da roda penetrava em um sulco aberto na caçoleta.

Acima dela, girando sobre sua extremidade inferior, com eixo na chapa base, encontrava-se um braço mais ou menos longo, chamado cão. Na extremidade superior o cão possuía duas tenazes que mantinham seguro um pedaço de pirita de ferro. Uma pequena mola em forma de “V” mantinha o cão sempre em posição. O mecanismo era armado por uma chave semelhante à usada pelos afinadores de piano.

Mecanismo de disparo de uma arma alemão do século XVII. O suporte da mecha descia por meio de pressão e uma pequena mola, quando o gatilho era acionado, incendiando a pólvora de isca. Esse modelo possuía uma caçoleta com tampa, para proteger a isca quando não estivesse em uso. A arma só disparava se o gatilho fosse intencionalmente pressionado e amecha deveria estar constantemente incandescente.

Com a chave, fazia-se a roda girar 3/4 de uma volta completa, até que um dente de sua parte interna se prendesse na extremidade da alavanca intermediária. No momento de disparar, colocava-se a pólvora de isca na caçoleta (fechada por uma tampa), puxava-se o cão para trás, sobre a tampa da caçoleta e comprimia-se o gatilho: libertada, a roda girava, abria a tampa da caçoleta e tirava faíscas da pirita, incendiando a pólvora de isca.

Até a invenção das armas carregáveis pela culatra, o mais importante dos aperfeiçoamentos introduzidos nos mecanismos de disparo foi o disparador de pederneira, surgido por volta de 1610. A tampa da caçoleta era combinada, na traseira, com uma chapa áspera e fazia eixo bem diante do depósito de pólvora de isca.

O Mecanismo de Disparo usado em série

O fuzil alemão Mauser 8mm, modelo de ferrolho, de 1898. A cada disparo é necessário levantar a alça do ferrolho e trazê-lo para trás, ejetando a cápsula vazia e expondo a câmara, para carregamento do outro cartucho.

Uma mola em “V”, fixada na chapa base, encarregava-se de mantê-la fechada ou aberta. O pequeno cão em “S” que segurava a pederneira era engatado ao terminal quadrado de um ferrolho. No interior da chapa base, a mola principal pressionava o ferrolho, enquanto a alavanca intermediária, engatando-se num dente do ferrolho, impedia-o de mover-se. Os dentes do ferrolho permitiam que o cão ficasse posição de armado ou semi-armado. Antes de disparar a arma, punha-se a pólvora de isca na caçoleta e fechava-se sua tampa. No momento de disparar, o cão tinha que ser levado à posição de armado: só então se podia puxar o gatilho. Ao comprimir-se o gatilho, a mola principal empurrava para baixo o ferrolho, já que este se desengatava da alavanca intermediária. Isto fazia o cão descer com violência, levando a pederneira a se chocar com a chapa áspera; esta era empurrada para trás e abria a tampa da caçoleta. As faíscas produzidas pela pederneira podiam, então, incendiar a pólvora de isca.

Em 1805, Alexander Forsyth inventou o mecanismo de percussão. Nesse método, o cão percutia sobre uma mistura detonante (corno o fulminato de mercúrio), cuja explosão liberava a carga principal, não por combustão, mas por percussão. Ainda que o novo sistema surgisse com várias formas de funcionamento, a mais adotada foi a de espoleta de cobre, que consistiu em um elo de ligação entre os mecanismos externos de disparo e o cartucho de carga pela culatra. As partes internas do mecanismo de percussão assemelhavam-se muito às do disparador de pederneira, mas as externas se limitam a um cão em “S”, com a cabeça apresentando uma concavidade. Na culatra, um tubinho cônico — “bico” — substituiu a caçoleta; em sua extremidade superior colocava-se a espoleta de cobre, que detonava quando atingida pela concavidade do cão. As faíscas produzidas pela detonação passavam pelo interior do “bico”, liberando, em seguida, a carga principal.

O Mecanismo de Disparo e o surgimento do cartucho

A concepção do carregamento pela culatra era impraticável para as armas leves devido à má junção do cano com a culatra, que permitia a fuga dos gases da carga explosiva. A solução foi encontrada com o desenvolvimento do cartucho autônomo. O primeiro desses cartuchos foi aperfeiçoado na década de 1830, na França.

Tratava-se de um cilindro de papel com uma cápsula metálica na base. Dessa cápsula saía um pequeno pino ligado a uma espoleta interna. A queda do cão sobre esse pino fazia detonar o fulminato da espoleta e, conseqüentemente, a carga explosiva do cartucho. A explosão expandia as paredes do cartucho contra o cano, impedindo a fuga dos gases.

O cartucho de pino foi substituído pelo de percussão central em 1860. A espoleta, então chamada detonador, era posicionada externamente, na base do cartucho, onde a atingia o pino de disparo do percussor. As armas carregadas pelá culatra continuaram a usar sistemas isolados de mecanismos de disparo, embora muitos projetos criados entre 1860 e 1890 já tentassem combinar a culatra móvel com o mecanismo de disparo.

O cão externo continuava popular na década de 1890, mas já no decênio anterior havia sido projetado um novo tipo de mecanismo sem cão, com o percussor agindo no interior da culatra. Várias armas leves modernas (as chamadas “mochas”) ainda empregam esse sistema; em geral são espingardas, pistolas semi-automáticas ou revólveres.

O ferrolho usado em alguns fuzis é uma peça cilíndrica oca, com uma alça que se projeta para o lado da arma. Detrito do cilindro, uma mola age contra o percussor. Usando-se a alça para girar o ferrolho, a fim de abrir e fechar a culatra e colocar um cartucho na câmara de disparo, ao mesmo tempo arma-se a mola do percussor, que é liberada pelo gatilho.

O sistema de disparo semi-automático, desenvolvido comercialmente na década de 1930, tem como ideia básica o fato da explosão da carga do cartucho ser aproveitada para fazer retroceder todo o mecanismo da culatra. Ao retroceder, premido pela expansão dos gases da explosão, o mecanismo da culatra comprime uma mola interna, ejeta a cápsula vazia e permite que a mola do carregador empurre um novo cartucho para o local do usado. No sistema inteiramente automático o processo é o mesmo, com a diferença de que basta o gatilho ser acionado uma vez para que a seqüência de disparos ocorra automaticamente. Enquanto o gatilho estiver pressionado, a arma continua atirando, até esgotar os cartuchos do carregador.

Classifique este post!
[Total: 0 Average: 0]
Share
Published by
Enciclopédia Virtual

Recent Posts

Bússola Magnética: como funciona esse instrumento de navegação?

A observação de que o minério de ferro chamado magnetita se alinha aproximadamente na direção…

4 semanas ago

Autogiro: como funciona esse híbrido de avião e helicóptero?

O Autogiro é uma aeronave mais pesada que o ar, que tem assegurada sua sustentação…

4 semanas ago

Astrolábio: o instrumento astronômico que você provavelmente não conhece

O astrolábio é um antigo instrumento astronômico, hoje em dia totalmente obsoleto, que teve muita…

4 semanas ago

Simulador de Voo antigo: como funcionava?

Em tempos em que o Microsoft Flight Simulator 2020 traz uma experiência ultrarrealista para a…

4 semanas ago

6 formas de ajudar o mundo sem precisar fazer nada!

Parece clickbait, não é mesmo? Ajudar o mundo e as pessoas sem fazer nada, ou…

4 meses ago

Visto D7 Portugal: passo-a-passo para obter o seu sem pagar consultoria

Pensando em emigrar para Portugal em busca de uma melhor qualidade de vida ou mesmo…

5 meses ago

This website uses cookies.