Pistola automática: como funciona?

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A expansão do gás impele o projétil, prepara o novo tiro e executa-o. Referido a pequenas armas portáteis, o termo “automática” é usualmente empregado para designar um sistema de funcionamento, no qual todo um ciclo completo de operações da arma entra em ação e se repete automaticamente enquanto o gatilho se mantém pressionado. Isto significa que uma arma automática dispara seus projéteis em rajada, como as metralhadoras. Para tanto, elas cumprem em seqüência o seguinte ciclo:

  • disparo;
  • extração da cápsula vazia da câmara de disparo;
  • expulsão dessa cápsula para fora da arma;
  • retração da mola de retorno do mecanismo de disparo;
  • seleção de novo cartucho impelido pelo carregador;
  • colocação desse novo cartucho na câmara de disparo;
  • extensão da mola do mecanismo de disparo, levando o percussor a bater na espoleta do cartucho.

Inicia-se, assim, um novo ciclo completo com o disparo de mais uma bala. Enquanto o gatilho estiver pressionado e houver cartuchos no carregador para alimentar a sequência do sistema, a arma não pára de atirar. Mas, se uma dessas duas condições deixa de existir, a arma também deixa de disparar, e a seqüência ininterrupta de ciclos é subitamente cortada.

Diagrama da patente de 1898 da pistola projetada por Georg Luger. Com seu calibre modificado para 9mm esta arma foi usada pelas forças armadas alemãs até 1945.

Contudo, a grande maioria das pistolas não é realmente automática, mas semi-automática, porque seus gatilhos devem ser liberados e comprimidos novamente ao fim de cada ciclo de disparo. Entre as poucas pistolas verdadeiramente automáticas encontram-se a russa Stechkin e a tchecoslovaca Vzor 61 (Skorpion): ambas podem ser ajustadas de forma a permitir que uma única pressão no gatilho dê início à seqüência ininterrupta de ciclos de disparo.

Disparo da pistola automática

As pistolas inteiramente automáticas, porém, são pouco apreciadas devido à pouca segurança. A leveza de suas peças que recuam com a culatra, aliada à ligeireza da mola de retorno, proporciona uma alta velocidade ao ciclo de disparo. Além disso, ao atirar, a pistola dá um tranco (conhecido como “coice”) no cabo, jogando-se para cima da linha de mira. Isso faz a boca do cano subir um pouco mais a cada disparo. Assim, depois de uma curta rajada a boca do cano pode estar até uns 60° afastada da linha de mira. Com as semi-automáticas, entretanto, a pontaria pode ser corrigida entre cada disparo.

Corte da pistola Colt 45, modelo 1911 A1. Depois que o carregador foi introduzido no cabo, é preciso puxar o bloco da culatra para trás, a fim de deixar a arma pronta para disparar. Ao apertar-se o gatilho, o cão bate no percussor, causando a explosão do cartucho.

Quase todas as semi-automáticas de pequeno calibre, até 32, são de modelo que opera com um bloco de culatra independente. Em compensação, a maioria das que possuem calibres maiores opera com sistema de culatra engatada, ou seja, quando o bloco da culatra recua leva com ele, até certo ponto, o cano da arma. No momento do disparo, a súbita expansão dos gases produzidos pela pólvora incendiada faz com que cano e culatra recuem juntos. Mas quando essa pressão atinge um nível seguro, o cano pára, e o bloco da culatra continua recuando sozinho.

Ação amortecedora da Colt 45, para reduzir o “coice” da arma. Ao expandir-se, o gás faz recuar o conjunto de cano e cursor. Quando a articulação puxa para baixo a traseira do cano, livra o cursor que continua a recuar, expele a cápsula vazia e recebe o novo cartucho.

Isto ocorre porque a parte de baixo do cano possui uma articulação conectada à estrutura fixa da arma. A medida que ele recua, obriga a articulação a girar até puxar a traseira do cano para baixo. Então, as nervuras da parte superior do cano desengatam-se do bloco cursor da culatra, e este continua a recuar sozinho. Ao fazê-lo, aciona mecanicamente uma pequena mola que extrai e ejeta a cápsula vazia. Continuando o movimento, o cursor recebe um novo cartucho, alimentado pelo carregador. Então, pára de recuar e, impulsionado para frente pela mola de recuo, empurra o novo cartucho para a câmara de disparo, reengata-se com o cano e leva-o consigo para a posição original, deixando a arma pronta para novo disparo.

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Mesmo nas automáticas, o mecanismo do gatilho inclui uma trava que assegura o “semi-automatismo” da arma, evitando a ocorrência de rajada. Sua função é obrigar que cada disparo se faça somente quando o gatilho é pressionado. Assim, para que a arma dispare dois tiros seguidos, é necessário que o gatilho seja pressionado, libertado e novamente pressionado.

Prós e contras das pistolas automáticas

Em geral, a maioria das pistolas funcionam baseadas nesse princípio comum, embora com ligeiras modificações de concepção. Sobre os revólveres elas apresentam vantagens que podem ser sintetizadas em maior capacidade de munição, rápida recarga (desde que haja à mão um carregador municiado), alta velocidade de fogo, leveza e compacidade. E suas desvantagens são a falta de segurança em condições adversas (tais como a Mauser C/96, modelo de 1905, também conhecida como “Parabellum”, o carregador tinha seu receptáculo diante da guarda do gatilho, ao invés de no cabo da arma. Essa pistola podia ser ajustada para ser usada disparando rajadas, como uma submetralhadora. Lama ou areia infiltradas no mecanismo, impedindo o bom funcionamento); mecanismo inteiramente coberto, que dificulta sua inspeção e, conseqüentemente, eleva a taxa de insegurança; necessidade de manutenção mais freqüente e complexidade mecânica, requerendo especialização para os reparos eventuais.

Quase todas as pistolas semi-automáticas produzidas após a Segunda Guerra Mundial derivam do projeto da Colt 45, concebido por John Browning em 1905 e modificado em 1908. Com os aperfeiçoamentos introduzidos em 1911, a Colt 45 tornou-se famosa como arma padrão das forças armadas norte-americanas e foi adotada por numerosos países. De projeto mais recente (embora com o mesmo funcionamento básico) são os modelos da Walther P38 alemã e da SIG 210 suíça.

Entre as pistolas de grosso calibre situava-se a Luger alemã, produzida até o final da Segunda Guerra Mundial. Projetada por Georg Luger em 1898, a partir de 1908 ela passou a usar cartuchos Parabellum de 9 mm e tornou-se a arma padrão do exército alemão. Era uma pistola bem balanceada, que permitia ser erguida e apontada instintivamente, como se fosse um prolongamento do braço do atirador. Mas, na verdade, não apresentava boa precisão de tiro.

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